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Saída da EDP é decisão mais difícil devido a "contexto de injustiça"

O presidente executivo cessante da EDP, António Mexia, considerou hoje que a decisão de deixar a liderança da empresa foi a "mais difícil" da vida profissional, sobretudo por resultar de "um contexto de incompreensível injustiça".

Saída da EDP é decisão mais difícil devido a "contexto de injustiça"

Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Geral e de Supervisão, Luís Amado, e ao presidente da mesa da assembleia-geral, Palha da Silva, a que a Lusa teve acesso, António Mexia começa por dizer que "há decisões difíceis na vida e esta é uma delas" e, na última de quatro páginas, conclui que "é a mais difícil" acima de tudo por resultar de um contexto de incompreensível injustiça".

António Mexia foi suspenso de funções em julho passado, e anunciou hoje que não volta a integrar os órgãos sociais da energética.

Na carta de despedida, o gestor recorda que em junho de 2017 foi confrontado "pela primeira vez, com o apelidado 'processo dos CMEC' [Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual, uma das rendas do setor da energia], vindo depois a saber que este tinha começado em 2012 com uma denúncia anónima, e tinha já cinco anos de investigação".

"É com profunda indignação e espanto que, nestes últimos mais de três anos, continuo a assistir ao desenrolar de um processo baseado em insinuações e suspeitas, alicerçado numa construção fantasiosa e puramente especulativa, sem qualquer aderência à verdade dos factos", acusa António Mexia.

Em julho de 2020, refere, o processo conheceu "incompreensíveis desenvolvimentos": "Oito anos de investigação volvidos e sem quaisquer factos novos, procedeu-se a uma aplicação injustificadas de novas medidas de coação, com destaque para a suspensão das minhas funções, legitimamente conferidas pelos acionistas, que é desde 2012, recordo, uma empresa privada".

Nessa altura, Miguel Stilwell de Andrade assumiu o cargo de presidente do Conselho de Administração Executivo (CAE) interino, substituindo António Mexia na liderança da empresa desde então.

"Esta decisão que legalmente me impede de trabalhar, de exercer o meu atual mandato na EDP desde julho último, o estarmos a um mês do seu final, aliados a uma investigação artificialmente arrastada, levam-me a considerar que é tempo de mudar", declara Mexia.

Há 15 anos na EDP, António Mexia manifesta na carta "indisponibilidade para integrar qualquer lista candidata ao novo mandato que se iniciará em janeiro de 2021", independentemente da decisão do Tribunal da Relação de Lisboa sobre o recurso interposto às medidas de coação aplicadas há seis meses.

Isto é, mesmo que a Relação de Lisboa reverta as medidas de suspensão de funções, Mexia não equaciona voltar ao seu antigo cargo, para o qual foi reeleito pela última vez em 2018, quando o processo já estava em curso.

O responsável destaca que "foi eleito para o atual mandato, que termina este ano, já com o mencionado processo em curso, o que revelou, de novo, a confiança dos acionistas nos factos que falam por sim, nas pessoas e na lisura da sua atuação".

E, prossegue, "mesmo neste cenário de adversidade, nestes últimos três anos, a EDP reforçou o seu crescimento internacional".

Ainda sobre o processo, António Mexia reafirma "a inexistência de quaisquer benefícios ilegítimos para a EDP".

Em relação ao futuro, adianta que só poderá "estar associado a desafios profissionais em novas áreas que tragam [...] contributos para um mundo mais sustentável do ponto de vista ambiental, económico, social e cultural".

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