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Missão do FMI chega à Argentina para explicar reestruturação da dívida

Uma missão técnica do FMI chega hoje à Argentina como primeiro passo para a renegociação da dívida, enquanto o ministro da Economia, Martín Guzmán, vai ao Parlamento explicar o processo de reestruturação, que já sofreu o primeiro revés.

Missão do FMI chega à Argentina para explicar reestruturação da dívida
Notícias ao Minuto

14:00 - 12/02/20 por Lusa

Economia FMI

A renegociação da dívida pública argentina entra, a partir de hoje, na fase em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) colocará a lupa sobre as contas públicas enquanto os credores privados esperam por um plano económico detalhado e consistente que o governo diz ter, mas que se nega a revelar.

Na ausência de um plano, a expectativa estará na presença do ministro da Economia no Parlamento a partir das 17h00 (20h00 de Lisboa) para apresentar as linhas gerais do projeto de reestruturação da dívida.

Martín Guzmán deverá ficar até quatro horas na Câmara de Deputados a responder às perguntas dos legisladores sobre a estratégia de negociação, sobre a capacidade de pagamento do país e sobre aspetos técnicos da proposta ao FMI e aos credores privados.

Do lado de fora do Congresso, organizações sociais e partidos de esquerda vão manifestar-se. A Frente de Esquerda Unidade marchará até à Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo, para repudiar a missão do FMI e o pacto para pagar a dívida. Já a União de Trabalhadores da Economia Popular vai apoiar a posição do governo em declarar a dívida como insustentável porque "a dívida é com o povo".

A sessão no Parlamento coincide com a chegada da missão do Fundo Monetário Internacional que vai ficar uma semana em Buenos Aires, quando o previsto inicialmente eram dois dias.

Essa extensão do prazo visa aprofundar e acelerar o processo de negociação atendendo à urgência argentina em chegar a um acordo tanto com o FMI quanto com os credores privados antes de abril, a partir de quando as reservas do Banco Central não terão liquidez suficientes para fazer pagamentos.

"Os credores são conscientes de que o calendário apresentado pelo governo finaliza antes de abril. Estamos a tentar negociar a dívida em tempo recorde. Quando se negoceia sob a pressão de um prazo, perde-se poder de negociação. O tempo joga a favor dos credores", explica Matias Rajnerman, economista chefe da consultora Ecolatina, numa referência do assunto.

"À medida que o tempo passa, temos menos hipótese de reduzir capital e de ampliar prazos de pagamento. E se chegarmos a abril sem uma reestruturação, os credores podem duvidar do processo", acrescenta Rajnerman.

O ceticismo dos mercados aumentou depois de o governo ter declarado hoje um "default" [falha no cumprimento de um prazo de pagamento] ao adiar para 30 setembro a amortização de um título de dívida pública que vence quinta-feira, quando só vai pagar os juros.

A intenção do governo era que os credores trocassem a dívida antiga que vence por dívida nova com prazo mais longo, mas apenas 10% dos credores aderiram e a reestruturação do papel fracassou.

Economistas coincidem em que a decisão complica as negociações porque aumenta a desconfiança dos credores. Alguns dos fundos de investimento afetados são os mesmos com quem o governo terá de renegociar.

"É um mau antecedente para a reestruturação da dívida. Foi uma medida negativa. O cálculo foi que seria ainda pior emitir moeda para pagar esse vencimento", considera Matias Rajnerman.

"Os vencimentos de dívida no segundo trimestre somam 22 mil milhões de dólares. Se o governo tiver de pagar, terá duas alternativas: ou usa as pálidas reservas do Banco Central ou emite dinheiro, disparando a inflação. É quase como não ter alternativa", descreve o economista Fausto Spotorno.

A Argentina pretende uma renegociação que permita reestruturar os vencimentos de divida entre 2020 e 2023, tendo esses três anos "de graça" para reativar a economia e poder voltar a pagar uma dívida com juros menores e com um prazo mais dilatado no caso do FMI e também com redução de capital no caso dos credores privados.

A dívida pública argentina é de 315 mil milhões de dólares (cerca de 288,6 mil milhões de euros). Desse montante, o país pretende reestruturar entre 30 e 50 mil milhões de dólares com os credores privados e mais 44 mil milhões de dólares com o FMI.

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