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Há mais equipas estrangeiras a escolher Portugal para estagiar. Porquê?

O turismo desportivo é um segmento em crescimento em Portugal, mas ainda há margem de progressão.

Há mais equipas estrangeiras a escolher Portugal para estagiar. Porquê?
Notícias ao Minuto

07:55 - 23/01/20 por Beatriz Vasconcelos 

Economia Move Sports

Os números da Move Sports, uma empresa que organiza viagens desportivas para equipas, revelam um crescimento do número de clubes que escolhem Portugal para estagiar antes dos campeonatos. Além disso, as modalidades são diversificadas, com destaque para o rugby e futebol. 

A verdade é que o clima e a geografia do nosso país fazem de Portugal o 'centro de estágios' ideal para várias equipas provenientes de outros tantos territórios. 

No ano passado, a Move Sports trouxe para Portugal 136 equipas estrangeiras provenientes de diversos países. Em termos individuais, considerando os eventos que a firma organizou, viajaram até território nacional 4.180 pessoas, o que significa um aumento de 48% face ao ano anterior.

O Notícias ao Minuto falou com António Cunha, fundador e CEO da Move Sports, sobre estes números, sendo que o empresário considera que é possível ir mais longe. António Cunha sublinha as condições favoráveis que Portugal oferece ao turismo desportivo, mas sugere mais investimento no segmento, nomeadamente ao nível das infraestruturas

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Move Sports has been invited to attend Soccerex Europe, currently taking place in Oeiras, Portugal. Bernardo Costa Duarte, Move’ Sports New Business Director and António da Cunha, Move Sports CEO, attended this event, which is one of the top global forums of the football industry, operating simultaneously as a knowledge generator and a networking tool. The event will take place in Portugal for the next 3 years, bringing value and opportunity to the sports growing market. 
One of the key subjects of the gathering is the use of artificial intelligence and digital tools to improve the game and the business. Speakers will talk about the use of technologies to improve the health and longevity of athletes, but also about sponsorship and digital communication.
We sure learned a lot during these days!  #SoccerexEurope football #soccer #soccerex #footballbusiness #soccerbusiness #sportsbusiness #deco #fpf #ligaportugal #oeiras #oeirasvalley #letsbuildthefutureoffootballtogether #sportscamps #lfyc #lfyc19 #movewithus #thegamechangers #movesports

Uma publicação partilhada por Move Sports (@movesports) a 6 de Set, 2019 às 8:38 PDT

Qual é o balanço que a Move Sports faz deste último ano?

Foi um ano muito positivo [em termos] de crescimento. Recebemos muitas equipas do mundo todo e de várias modalidades. No nosso principal evento anual, o Portugal Rugby Youth Festival, participaram 118 equipas dos cinco continentes, mais de três mil jogadores, tivemos cá uma lenda do rugby mundial, o Lewis Moody campeão mundial pela Inglaterra em 2003. Acolhemos o torneio interno das agências da ONU, no qual trouxemos 1.482 funcionários de 50 agências da ONU, de 125 nacionalidades. Expandimos a nossa equipa, com profissionais com conhecimento profundo do desporto e de desportistas, para que possamos adequar cada vez mais o que fazemos aos nossos clientes. Por exemplo , na equipa da Move Sports temos um total de mais de 400 internacionalizações em diversas modalidades.

Só do Reino Unido estiveram cá mais de vinte equipas profissionais, incluindo equipas da Premier League, e isto olhando apenas para o futebolHá, efetivamente, um acréscimo do número de viagens para Portugal por parte de clubes internacionais?

Sem dúvida. Só do Reino Unido estiveram cá mais de vinte equipas profissionais, incluindo equipas da Premier League, e isto olhando apenas para o futebol. No rugby, para dar outro exemplo, algumas das principais seleções europeias preparam-se aqui para as grandes competições, tais como o mundial do Japão de 2019. A maioria dos números é composta por equipas menos conhecidas, e em várias modalidades. Mesmo nos desportos individuais temos uma crescente procura, com pessoas e grupos que vêm, por exemplo, para fazer surf ou participar nas várias corridas que Portugal organiza.

Tudo isto faz com que Portugal tenha potencial de vir a ser um dos melhores destinos de turismo desportivo do mundoQuais as características de Portugal para ser um país atrativo a este tipo de turismo?

O clima e a proximidade de mercados emissores com grande poder de compra são a base. Portugal tem uma geografia apelativa e diversa, com mar, serras, rios e cidades muito próximas. Acresce que temos excelentes condições para treinar ao ar livre todo o ano, um dos aspetos mais importantes para quem escolhe um destino nos desportos coletivos como o rugby ou futebol. Destaco ainda a existência de 'estádios' naturais incríveis para desportos como o surf, o BTT ou o triatlo.

No ano passado, fomos considerados o terceiro país mais seguro do mundo pelo Índice Global da Paz, um fator determinante na escolha de um destino. Finalmente, temos a componente da dimensão histórica das nossas cidades, da qualidade da gastronomia, e da simpatia do povo português. Tudo isto faz com que Portugal tenha potencial de vir a ser um dos melhores destinos de turismo desportivo do mundo.

Claro que temos boas infraestruturas, mas existe procura para muito mais e, sobretudo, para que muitas mais sejam rentáveisTendo em conta a experiência da Move Sports nesta área, o que poderia ser feito para melhorar os números deste tipo de turismo?

Principalmente, falta-nos infraestrutura, comparando com a concorrência, por exemplo a nossa vizinha Espanha. Faltam instalações desportivas de qualidade que possam fazer a parte desportiva do turismo chegar ao nível de excelência da restante experiência.

Claro que temos boas infraestruturas, mas existe procura para muito mais e, sobretudo, para que muitas mais sejam rentáveis. Algumas das atuais infraestruturas, com melhorias, poderiam também ser melhor rentabilizadas, acolhendo eventos desportivos de maior dimensão e visibilidade, e consequentemente maior retorno.

Isso iria aumentar a nossa projeção enquanto destino, e aumentar a procura. Por outro lado, considero que os projetos hoteleiros deviam pensar em ter maiores valências e equipamentos desportivos. Não só criam valor ao seu produto, como também combatem a sazonalidade. Por último, deveria haver maior apoio público a candidaturas a organizações de eventos desportivos internacionais. O retorno direto e indireto na economia nacional é evidente.

Quantas equipas a Move Sports trouxe a Portugal no ano passado? Quais são os principais desportos de que falamos?

Em 2019, trouxemos um total de 136 equipas estrangeiras. Fizemos alguns eventos de grande dimensão, o que significou que em termos individuais trouxemos 4.180 pessoas, num aumento de 48% face ao ano anterior. Falamos principalmente de rugby e futebol, mas também de hockey em campo, natação e atletismo. Também estamos nas modalidades individuais, como o surf, corrida, ciclismo.

Não existem números específicos para o turismo desportivo em Portugal, mas em Espanha estima-se que tenha contribuído com 15% da receita total do turismo espanhol em 2017As perspetivas para este ano são animadoras? Quantas equipas a Move Sports estima receber?

Já estamos com um mês de janeiro forte, em que recebemos uma equipa da Jupiler League, da Bélgica. Temos três novos torneios agendados para 2020, além do rugby e do futebol, lançámos torneios em modalidades novas como o andebol e o basquetebol. Queremos continuar a proporcionar uma experiência enriquecedora em termos desportivos e inesquecível em termos turísticos a quem nos visita. Queremos enriquecer o desporto em Portugal através do contacto com equipas estrangeiras, faz parte da nossa missão.

Na sua opinião, qual o impacto ou contributo do turismo desportivo para o setor no geral?

O turismo em Portugal representa aproximadamente 9% do PIB, [segundo] dados de 2018. Temos todo o tipo de turismo em Portugal, desde o mais económico ao de alto luxo. O turismo desportivo, pela sua especificidade, tende a deixar bastante receita no país: há despesas adicionais associadas, como o aluguer de instalações desportivas, de equipamentos, que não fazem parte da despesa de um turista comum. Não existem números específicos para o turismo desportivo em Portugal, mas em Espanha estima-se que tenha contribuído com 15% da receita total do turismo espanhol em 2017.

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