Meteorologia

  • 09 DEZEMBRO 2019
Tempo
16º
MIN 10º MÁX 17º

Edição

Hannover e Lisboa, dois anos e um mundo de diferenças

Lisboa e Hannover, na Alemanha, organizaram com dois anos de intervalo as exposições universais de 1998 e 2000, mas a diferença vai muito mais além do período de tempo que mediou entre os dois eventos.

Hannover e Lisboa, dois anos e um mundo de diferenças
Notícias ao Minuto

10:24 - 17/11/19 por Lusa

Economia Expo 98

Em Hannover há hotéis, um polo universitário, alguns comércios e até um pavilhão para concertos, mas a transformação do recinto da antiga Expo 2000, ficou longe da conseguida em Lisboa.

O metro chega vazio à última paragem da linha 6. A estação fica a poucos passos da 'Expo Plaza', o ponto central da que foi a primeira exposição mundial que decorreu na Alemanha. Ao domingo, e apesar do bom tempo, são poucos os ciclistas que passeiam por esta zona de Hannover. Há uma roulotte fechada no centro da praça, alguns panfletos espalhados pelo chão que acusam um concerto de há poucos dias.

A cidade esperava receber, entre 1 de junho e 31 de outubro, 40 milhões de visitantes durante os cinco meses de feira, mas os números ficaram-se pela metade.

Em declarações à Lusa, Gil Koebberling, diretora do Exposeeum, um museu dedicado à Expo 2000 e às restantes exposições mundiais, a "má comunicação" esteve na origem daquela previsão errada que levou muitos a considerar a Expo 2000 um fracasso.

"Como foi a primeira exposição mundial na Alemanha, era impossível prever exatamente qual seria o número de visitantes. Infelizmente a comunicação não foi perfeita (...) Inicialmente temia-se que se instalasse o caos devido às multidões, o que acabou também por condicionar muita gente na altura da compra de ingressos", acrescenta.

Os 500 metros quadrados ocupados por esta associação sem fins lucrativos, com mais de 200 sócios, ficam precisamente no ponto central do antigo recinto da Expo. Fotografias das diferentes edições da Expo cobrem as janelas envidraçadas. Lá dentro recordam-se os vários pavilhões, há filmes, livros, um dragão chinês de 12 metros de comprimento, um templo original do pavilhão tailandês, e o Twipsy, a mascote, em vários modelos e formatos.

"O número de visitantes varia", conta Gil Koebberling à agência Lusa, "às vezes são poucos, outras podemos ter 40 convidados".

Além de organizar eventos, a Exposeeum leva a cabo excursões para grupos, empresas privadas, jornalistas ou delegações internacionais. O objetivo é recordar uma "celebração dos povos" que ajudou Hannover a "florescer" e a "catapultar-se para o futuro".

Se para muitos os gastos na Expo 2000 foram excessivos e injustificados, para a coordenadora desta associação a cidade beneficiou muito, dando os exemplos do desenvolvimento ferroviário urbano, a construção de estradas e várias novas infraestruturas.

"A zona oeste da Expo continua a ser um recinto de feiras e estacionamento, como já acontecia antes do ano 2000. Já do lado leste, construíram-se uma série de pavilhões com o objetivo de serem sustentáveis, desmontáveis e reutilizáveis. A ideia original era construir uma espécie de 'Silicon Valley' alemão, isto é, um centro de ciência, investigação e tecnologia, mas 2001 trouxe muitas mudanças. A crise foi uma delas", explica.

O teleférico já há muito deixou de existir e as marcas dos mais de 150 países que estiveram presentes são poucas. A maioria dos pavilhões foi desmantelada e devolvida aos países de origem, como é o caso do português, desenhado por Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura e que agora está em Coimbra.

Outros reaproveitados, como o pavilhão da Bélgica, usado como estúdio de música, o pavilhão da esperança (um dos mais conhecidos por ter a forma de uma baleia) acolhe eventos religiosos, ou o pavilhão francês, adquirido por uma marca de automóveis.

Caminhando pelo Boulevard de Montreal salta à vista o amarelo do que resta do pavilhão da Lituânia que, só em 2019, já ardeu três vezes. Também o despido pavilhão da Holanda já foi alvo de vários incêndios. Não muito longe, o edifício que representou a Turquia ainda mantém o letreiro que identifica o país, mas o chão é um tapete de vidros partidos.

Muitos terrenos já mudaram de mãos e muitos planos já foram anunciados. "Existem várias ideias para o pavilhão da Holanda, o pavilhão da Lituânia foi recentemente adquirido", assegura Gil Koebberling convencida do futuro deste passado de Hannover. Há uma "nova perspetiva" no horizonte.

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo segundo ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Receba as melhoras dicas de gestão de dinheiro, poupança e investimentos!

Tudo sobre os grandes negócios, finanças e economia.

Obrigado por ter ativado as notificações de Economia ao Minuto.

É um serviço gratuito, que pode sempre desativar.

Notícias ao Minuto Saber mais sobre notificações do browser

Campo obrigatório