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Mulheres vão ter "papel fundamental na mudança" do mundo de língua árabe

As mulheres vão ter "um papel fundamental na mudança" do mundo de língua árabe, afirmou em entrevista à Lusa a diretora-geral da AJ+, Dima Khatib, que considerou que ainda há "um longo caminho a percorrer".

Mulheres vão ter "papel fundamental na mudança" do mundo de língua árabe
Notícias ao Minuto

11:55 - 16/11/19 por Lusa

Mundo Mulheres

Questionada como vê a evolução do mundo árabe no último ano, a jornalista síria afirmou que a situação agravou-se e que ainda "pode piorar".

"As pessoas estão cansadas. Vimos isso na Argélia este ano, no Sudão, no Líbano e no Iraque. As pessoas estão cansadas e assim vão continuar até não terem nada a perder", prosseguiu a diretora-geral da AJ+, projeto detido pela Al Jazeera Media Network.

"Vejo ao longo do caminho luz, mas vai ser um longo caminho a percorrer" e "acho que as mulheres terão um papel muito importante na mudança do mundo de língua árabe", continuou.

Isto porque as mulheres passaram a ter "acesso à educação" e assim que "sentirem o poder do conhecimento vão deixar de aceitar serem submissas", considerou.

"Isso está a chegar. Podes usar maquilhagem e permitir certas coisas" como "conduzir", afirmou, aludindo 'aos direitos' das mulheres na Arábia Saudita.

Mas, "conduzir um automóvel no século XXI? É uma piada! Claro que é algo para celebrar, mas é muito tarde e é preciso fazer mais" e o processo "não para aqui", disse Dima Khatib.

"Tem de ir mais longe que isso e eu acho que as mulheres vão ter um papel fundamental", reiterou, apontando exemplos de figuras femininas, quer no Sudão, quer no Iraque, que se assumem como "verdadeiras líderes" e "são jovens".

"Essas são as pessoas que vão começar o caminho em direção ao futuro", rematou.

Na entrevista à Lusa, em Lisboa, Dima Khatib afirmou que o combate à desigualdade de género não tem uma "resposta universal", defendendo que é preciso encontrar a "solução adequada" para cada comunidade e culturas diferentes.

A jornalista considera que o combate à desigualdade de género é um desafio para todos, e não há uma "resposta universal" para o problema.

"Precisamos de mergulhar em todas as situações para procurar a solução adequada para a desigualdade de género em diferentes comunidades e diferentes partes do mundo e culturas", afirmou.

Para Dima Khatib, não basta aparecer com uma "quota 50%/50%" [metade homens, metade mulheres] e o mundo "fica feliz".

Isto porque a medida "não vai funcionar num lugar onde a mulher não está preparada para os 50%/50%", destacou a jornalista nascida em Damasco.

"Até pode funcionar aonde as mulheres são qualificadas" e isso serve de "empurrão", mas se elas não têm qualificações e são "colocadas no lugar errado", numa situação em que não aptas, o efeito será contrário, ou seja, "pior", argumentou.

Mais do que instituir quotas, Khatib defende a aposta no aumento das capacidades ('empowerment') das mulheres.

Por exemplo, no mundo árabe, onde Dima Khatib vive, os desafios são diferentes de outras regiões.

"Há a questão óbvia de falta de diversidade, mas também preconceito contra as mulheres", apontou, acrescentando ainda a questão educação e de falta de oportunidades.

"Mas também há guerras, desastres, situações extraordinariamente difíceis para homens e mulheres", mas normalmente são as mulheres que mais sofrem, continuou. Porque têm menos acesso à educação, ao emprego ou a uma evolução da carreira profissional.

E, em alguns destes lugares do mundo árabe, à semelhança de outras regiões do mundo, a tecnologia, que também é uma ferramenta para combater as desigualdades, está muito longe de poder resolver os problemas.

"Quando se tem uma situação como a Síria ou Iémen, quando as mulheres ficam" com o papel de serem a principal fonte de rendimento de uma família, uma vez que os homens morreram, "não têm qualificações porque nunca tiveram acesso a isso, o que é que a tecnologia vai fazer", questionou.

"A tecnologia é apenas uma ferramenta. Podemos usá-la para combater ou melhorar as coisas. Ou resolver e arruinar", afirmou, concluindo que não é "a solução".

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