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Equilíbrio dos preços do azeite deve fazer-se através do consumo

A Casa do Azeite assegurou hoje que a armazenagem do azeite, adotada por Bruxelas, para equilibrar o mercado não deixa de ser uma "medida artificial", embora espere resultados, e defendeu que o equilíbrio deve fazer-se através do consumo.

Equilíbrio dos preços do azeite deve fazer-se através do consumo
Notícias ao Minuto

14:04 - 12/11/19 por Lusa

Economia Azeite

"A fim de equilibrar o mercado e estabilizar os preços, a Comissão Europeia aprovou o armazenamento privado de azeite. No fundo, trata-se de retirar uma certa quantidade de azeite do mercado, temporariamente, e esperar que dessa forma o preço na origem se eleve, o que não deixa de ser uma medida artificial, porque esse azeite voltará ao mercado ao fim de seis meses", indicou, em resposta à Lusa, a direção da Casa do Azeite.

Esta associação patronal espera assim que a medida em causa possa contribuir para "estabilizar os preços do azeite e para o normal funcionamento do mercado", embora defenda que esse equilíbrio "se deve fazer essencialmente e através do aumento do consumo mundial".

Segundo a Casa do Azeite, as grandes oscilações de preço neste produto "são bastante nefastas" para o funcionamento do mercado, tendo em conta que se torna "muito difícil remunerar corretamente os produtores, quando os preços são muito baixos".

Por outro lado, quando os preços estão muito elevados, "é difícil garantir um abastecimento normal do mercado, sobretudo ao nível das exportações, originando quebras de consumo", defendeu.

Conforme referiu a associação, a produção de azeite costuma sofrer oscilações decorrentes de fatores como a chuva ou as temperaturas, sendo que, em circunstâncias normais, verifica-se uma certa alternância de produção entre dois ciclos produtivos e a formação dos preços do azeite segue a lei da oferta e da procura.

Porém, a produção recorde de Espanha em 2018/2019 e a perspetiva de uma próxima campanha "média em Espanha e muito boa nos outros países da bacia mediterrânea", a que se junta uma diminuição do consumo devido aos preços elevados das campanhas anteriores "provocaram um desequilíbrio no mercado", que se traduz em 'stocks' altos.

"Assim, e apesar de as projeções de produção na presente campanha em Espanha (maior produtor mundial) serem relativamente baixas, as disponibilidades mundiais são elevadas. Esse facto tem pressionado os preços do azeite, o que se tem vindo a verificar nos últimos meses. Sendo que a situação está relativamente estável agora", concluiu.

Com atividade desde 1976, a Casa do Azeite é uma associação patronal de direito privado, que representa a quase totalidade das associações de azeite de marca embalado em Portugal.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia adotou uma ajuda excecional para o armazenamento privado de azeite virgem, para equilibrar os mercados devido à quebra dos preços deste produto, nomeadamente, em Portugal e Espanha.

Em abril, o preço médio do azeite virgem na União Europeia (UE) era o mais baixo desde outubro de 2014, fixando-se nos 265 euros por 100 quilos, menos 14% do que no mês homólogo.

Os contratos para auxílio ao armazenamento privado cobrem um período de 180 dias e as candidaturas podem começar a ser apresentadas no próximo dia 21.

Portugal, Espanha, França, Grécia, Itália, Croácia, Chipre, Malta e Eslovénia são os países cujos produtores de azeite virgem podem candidatar-se.

Também a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu que a ajuda excecional para o armazenamento privado de azeite, adotada por Bruxelas, para equilibrar os preços, é uma medida "positiva" e necessária.

"Esta medida, embora temporária, poderá aliviar a pressão sobre a os preços, ainda que, dado que se trata de uma intervenção temporária, o seu efeito esteja dependente do comportamento que os mercados irão ter, nomeadamente ao nível da exportação", defendeu, em resposta à Lusa, o secretário-geral da CAP, Luís Mira.

Para a CAP, esta é "uma medida positiva, que se impunha pôr em execução", tendo em conta a conjuntura europeia.

A Lusa tentou contactar o Ministério da Agricultura, mas, até ao momento, não obteve resposta.

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