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Estado brasileiro do Espírito Santo aposta em fundo soberano

O Governador do estado do Espírito Santo, importante produtor de petróleo e gás do Brasil, disse que o fundo soberano que criou já conta com cerca de 87 milhões de euros, que proveem das receitas petrolíferas.

Estado brasileiro do Espírito Santo aposta em fundo soberano
Notícias ao Minuto

06:44 - 11/11/19 por Lusa

Economia Brasil

"Mandei o projeto à assembleia, a assembleia aprovou uma decisão nossa de reservamos parte da nossa receita, da nossa riqueza para o futuro e nós estamos reservando em torno de 350 a 400 milhões de reais por ano, cerca de 100 milhões de euros por ano aproximadamente, depositando neste fundo", afirmou Renato Casagrande em entrevista à Lusa em Lisboa.

Para o governador daquele que é um dos estados mais produtivos do Brasil em termos de petróleo e gás, o território onde lidera não deve viver dependente desses recursos, porque estes não duram sempre, e o fundo soberano é, não só uma forma de reservar parte daquela receita para as gerações futuras, mas também uma forma de incentivar e apoiar novos investimento de empresas na região, para a diversificação da economia.

Hoje, segundo Casagrande, o Governo do Estado recebe entre 330 e 350 milhões de euros das receitas de royalties do petróleo, dependendo do valor do barril.

"Então estou reservando aí 25 por cento, mais ou menos, da riqueza do petróleo que eu recebo, para capitalizar esse fundo", afirmou.

O fundo foi criado "primeiro para que a gente não crie dependência do petróleo. Os países como Venezuela e os estados como Rio de Janeiro, que criaram dependência do petróleo, estão numa situação de muita fragilidade", apontou Renato Casagrande.

"Em segundo lugar, nós queremos diversificar nossa economia. Então é um fundo que vai receber recurso público (...) e fará investimento em empresas privadas que não sejam da área de petróleo e gás", explicou.

Em terceiro lugar, explicou o governador do Espírito Santo, este fundo também serve para implementar uma certa "cultura que a gente quer estabelecer (...) de que um governante não pode pensar só nos seus quatro anos [de mandato] tem que pensar para frente".

O governador do estado do Espírito Santo que, desde 2012, tem nota máxima na gestão fiscal, diz que fundos soberanos como os da Noruega, de Singapura e de alguns países árabes têm o objetivo de investir fora dos seus países, porque "já são muito desenvolvidos".

Mas o fundo soberano do Espírito Santo tem "o objetivo de investir no estado do Espírito Santo. Então é um recurso, mas que vai ser alocado para se associar a empresas", para que possa também ser "instrumento de atração de empresas" para aquele estado do Brasil.

"Vinte por cento desse fundo vai para a poupança intergeracional, uma poupança que vai ficar para sempre, até daqui a 30, 40, 50 anos os futuros governantes decidirem o que fazer com esse dinheiro", explicou, dando assim confiança no futuro para os habitantes da região.

Mas, para os investidores também é importante ver um estado que "tem uma boa gestão fiscal e tem um fundo soberano que ainda é ativo no futuro. Isso transmite confiança em qualquer relação, que é a base para que a gente possa ter sucesso", considerou.

"Mas ainda não estamos em busca de investidores para o Estado", esclareceu.

"Estamos ainda capitalizando o fundo. A partir do ano que vem ele já começa a estar na praça, no mercado, para poder se associar a alguns empreendimentos também", avançou.

O fundo vai ainda poder incentivar e apoiar 'startups' com resultados e que numa determinada fase das suas vidas precisam de uma injeção de capital para se colocarem no mercado.

"Esse recurso, apesar de ser do governo, mantém a visão empreendedora de resultado para capitalizar ainda mais do fundo", sublinhou o governador.

Ainda segundo o Casagrande o fundo "vai ser também um incentivo às empresas de alta tecnologia que precisam do primeiro aporte financeiro e não empresta à sociedade. Depois o Estado sai, vende a sua parte, capitaliza o fundo, e deixa a empresa seguir em frente sozinha".

"Lógico que o Estado precisa dinheiro. Seria melhor eu investir em estradas, em saúde e educação, mas também eu acho que nós temos que pensar para frente, fazemos isso com as nossas famílias quando a gente tem responsabilidade", rematou

E continuou: "A riqueza do petróleo nos ajuda. Mas nós não somos um estado dependente do petróleo. A gente arrecada 1 bilhão e 600 por ano. Isso significa em torno de 12 por cento da nossa receita corrente líquida própria. Então nós não temos uma dependência. E não queremos ficar dependentes", concluiu.

O governador defendeu que este exemplo deveria ser seguido por outros estados e municípios brasileiros.

Para isso, precisam, porém, de chegar primeiro a um nível de equilíbrio financeiro. "Ninguém consegue reservar dinheiro se tiver devendo de mais", rematou.

O Governador do estado do Espírito Santo esteve em Lisboa durante a última semana, em contactos com várias entidades regionais, privadas e públicas, e membros do governo português e marcou presença na Web Summit.

"A nossa delegação, do governo e de empresários, está apoiada e alicerçada num tema, o da inovação, e desde segunda feira nós estamos debatendo com instituições portuguesas e com o Governo português o tema da inovação", afirmou em entrevista à Lusa.

De Portugal leva parcerias com universidades, institutos e municípios, para várias ações, adiantou, mas também promessas de um intercâmbio mais intenso entre um país e um estado do Brasil.

Porque "Portugal deu passos adiante, mesmo sendo um país pequeno e com população pequena" e o Estado do Espírito Santo é uma região que quer avançar na área das tecnologias e da inovação, frisou

Para isso, as conexões com o Governo português, com as instituições de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico de Portugal "cumprem um papel importante para nós", adiantou Renato Casagrande.

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