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Setor agropecuário brasileiro vai à Europa tentar reverter danos

A bancada ruralista brasileira, frente parlamentar que atua em defesa dos produtores rurais, irá viajar à Europa para tentar recuperar a imagem do setor agropecuário, afetada pelos incêndios na Amazónia, afirmou à Lusa o deputado Alceu Moreira.

Setor agropecuário brasileiro vai à Europa tentar reverter danos
Notícias ao Minuto

07:22 - 11/09/19 por Lusa

Economia Amazónia

O deputado brasileiro, que é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), declarou, em entrevista à agência Lusa, que Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal são alguns dos Estados que pretende visitar, acompanhado da ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina, e de outros parlamentares que integram o setor do agronegócio.

"Inicialmente, a visita seria apenas ao parlamento inglês. Mas, acontecendo este facto (críticas internacionais aos incêndios na Amazónia) estamos a ampliar as visitas à Europa. Primeiro vamos visitar as embaixadas estrangeiras em Brasília, inclusive a portuguesa, para mostrar os nossos dados. (...) Depois vamos visitar os países mais importantes do processo e levar a mensagem do que é falso e do que é facto", disse o deputado.

A ida ao Reino Unido terá como base o 'Brexit', e os acordos que o setor manterá, modificará ou criará com aquela nação, após a sua saída da União Europeia.

Neste processo de comunicação e imagem do Brasil, Alceu Moreira referiu que se valerá de uma ferramenta, denominada "Observatório da Agropecuária Brasileira", apresentada na quinta-feira por Tereza Cristina, e que, segundo o próprio, estará disponível nas embaixadas, permitindo um cruzamento de diferentes bases de dados sobre a atividade do setor.

"Qualquer instituição que queira saber a verdade sobre o Brasil, vai ter todas as ferramentas disponíveis para visitar qualquer canto do país em relação ao respeito ambiental", explicou o presidente da FPA.

O executivo brasileiro, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro, tem sido fortemente criticado, nacional e internacionalmente, pela forma como tem gerido os incêndios e a desflorestação na Amazónia, o que provocou uma crise ambiental e diplomática.

De janeiro até ao primeiro dia de setembro deste ano, o bioma Amazónia (conjunto de ecossistemas) acumulou 47.804 focos de incêndio apenas no Brasil, de acordo com o sistema de monitorização do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Agosto foi o pior mês para a Amazónia desde 2010, com o número de incêndios na região a triplicar em relação a agosto do ano passado, passando de 10.421 em 2018 para 30.901 em 2019.

Contudo, o líder ruralista responsabiliza a imprensa estrangeira por denegrir a imagem do país, acrescentando que há incêndios noutros Estados que compõem a Amazónia, mas que só o Brasil está a ser visado pela opinião pública.

"Porque é que ninguém está preocupado com todo o lixo que São Paulo deita nos rios? Porque é que isso nunca veio a debate? Interessa é uma árvore queimada na Amazónia, e só na Amazónia brasileira, na boliviana não, na Guiana Francesa não, é só na brasileira", argumentou Alceu.

"Então, quero dizer que nós temos toda a responsabilidade por isto, mas não vamos tolerar o jornalismo mau caráter, o jornalismo feito de propósito para reduzir o valor dos produtos produzidos no Brasil, porque coloca no país a faixa de irresponsabilidade ambiental", acrescentou o deputado.

Porém, segundo dados da organização não-governamental (ONG) Greenpeace, mais de 65% da área da Amazónia desflorestada é hoje ocupada por pastos, para criação de gado bovino.

De acordo com o que a ONG disse à Lusa, "a pecuária é a atividade que mais promove a desflorestação da Amazónia brasileira".

Confrontado com estes dados, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária caracterizou-os de "falsos", acrescentando que a Greenpeace, ONG que atua internacionalmente em questões relacionadas à preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, "não merece crédito, porque tem claramente um viés ideológico".

A Greenpeace "faz política ambientalista ideológica, que normalmente serve aos interesses do capital internacional para coibir a nossa capacidade produtiva, para ser referência de informação. A Greenpeace simplesmente não tem direito de fazer isso porque não trabalha com a verdade", afirmou Alceu, acrescentando "não tem um centímetro do agronegócio" na área desflorestada daquela região.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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