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Rede propõe "decrescimento" à sociedade e quer "fazer pensar" no futuro

A Rede para o Decrescimento propõe "fazer pensar" as sociedades sobre o crescimento económico, considerando que esse "objetivo" é "um modo de as prender", disse à Lusa um dos seus coordenadores.

Rede propõe "decrescimento" à sociedade e quer "fazer pensar" no futuro
Notícias ao Minuto

12:31 - 17/08/19 por Lusa

Economia Rede Decrescimento

"O decrescimento é sobretudo uma proposta que é feita às nossas sociedades", cujo "pano de fundo" é que o "crescimento não é já tanto uma alavanca para as nossas sociedades mas é muito mais um modo de as prender por objetivos sociais e económicos que não são pensados", afirmou Jorge Leandro Rosa em declarações à Lusa.

O responsável da Rede para o Decrescimento disse que a ideia do crescimento a todo o custo é "uma espécie de automatismo em que a sociedade caiu", algo que o decrescimento "visa fazer pensar" e "colocar as sociedades perante esta espécie de obrigação que mobiliza toda a sociedade para crescer".

A nível internacional, de acordo com o 'site' da rede internacional degrowth.org, "o decrescimento sustentável" define-se como uma "diminuição da escala de produção e de consumo, que aumenta o bem-estar humano e permite condições ecológicas e equidade no planeta".

Segundo o mesmo 'site', a teoria teve origem académica nos anos 70, em França, e começou a ter impacto ativista a partir do século XXI em França, Itália e na Catalunha.

Em Portugal, a Rede para o Decrescimento é "uma rede de pessoas que estão inquietas", provenientes "de vários horizontes, políticos até", mas que encontram "o ponto comum" de não ver, "no espaço político de hoje, da esquerda à direita, (...) ninguém discutir as questões que nos parecem fulcrais", explicou à Lusa Jorge Leandro Rosa.

O responsável fala de "escolhas civilizacionais (...) da sociedade portuguesa", cujas "pessoas certamente gostariam (...) de discutir o modelo de vida que existe".

Como primeira medida, os 'decrescentistas', como se apelidam, propõem "debater" a sua proposta.

"As sociedades não estão a debater o seu modelo económico, em geral. Não há um debate social, político, ou económico sobre essas questões. Esse seria o primeiro passo", partilhou Jorge Leandro Rosa.

"Teremos que pensar a nossa integração quer na economia mundial, quer a nossa relação com a economia mais local", afirmou, acrescentando que "uma sociedade de decrescimento (...) tem que reavaliar as suas prioridades".

O responsável considerou que, "nas últimas décadas", as sociedades estão organizadas num "circuito económico em macroescala, a escala daquilo que se chamava a globalização", e que hoje se começam a "ver as fragilidades desse modelo".

Jorge Leandro Rosa advogou que Portugal deve "repensar o seu circuito produtivo" e "de consumo", para não estar tão dependente "dos modelos globalizados".

Questionado sobre se a reflexão implica uma mudança de sistema económico, Jorge Leandro Rosa afirmou que a rede não tem "aquele discurso anticapitalista ideológico tradicional", por pensar "que muitas vezes ele esconde um pouco a base do problema", estando mais relacionado com a "posse dos meios de produção (...) e não com a transformação destes modelos".

"Nós somos céticos em relação àquela noção de que pode haver um capitalismo 'verde', que como sabemos está também no horizonte de muitas pessoas", assegurou, no entanto, Jorge Leandro Rosa.

O responsável considerou que "o capitalismo necessita de crescimento" e "tem momentos em que se transforma", por ser "muito adaptável" e "plástico", sem deixar de ir "acumulando a sua potencialidade, a sua capacidade produtiva, e não tanto substituindo-a integralmente".

"Eu diria que nós precisamos de um modelo que, na verdade, não será o do capitalismo", concluiu Jorge Leandro Rosa.

O membro da rede adiantou que está a ser preparado "um encontro nacional do decrescimento em Portugal" que deverá ocorrer no início de 2020, depois de encontros no ano passado em Lisboa e Porto, de forma a dar uma "orgânica mais definitiva" à rede.

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