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Dotação do fundo de pensões da CGD "não é sustentável"

O presidente da CGD disse esta terça-feira que o banco teve de dotar o fundo de pensões com 500 milhões de euros nos últimos três anos, devido às baixas taxas de juro, considerando que isso não é sustentável.

Dotação do fundo de pensões da CGD "não é sustentável"

Em Lisboa, na apresentação dos resultados do primeiro semestre (aumento dos lucros em 46% para 282,5 milhões de euros), Paulo Macedo foi questionado sobre as negociações com os sindicatos para o Acordo de Empresa e afirmou que "parece possível chegar a um acordo" para ter uma Caixa Geral de Depósitos (CGD) "sustentável".

Contudo, Paulo Macedo disse que o que o banco "não pode é ter contribuições para o fundo de pensões de 500 milhões de euros em três anos", considerando que a "dotação do fundo de pensões não é sustentável".

Questionado sobre o que justificou essa dotação extra e se está relacionada com os milhares de saídas de trabalhadores que promoveu, Macedo disse que se deveu sobretudo ao baixo nível das taxas de juro que põe em causa a rentabilidade do fundo e obriga a reforçar a sua dotação.

O presidente do banco público considerou mesmo que este era o tema principal da apresentação de resultados.

À pergunta sobre se uma solução passaria pela passagem do fundo de pensões para o Estado, Paulo Macedo não respondeu.

"O que estamos a fazer é gerir o fundo, esperar que a sociedade gestora tenha a máxima rentabilidade, é isso que estamos a fazer", declarou.

Em causa está ainda a possibilidade de serem necessários mais investimentos no fundo de pensões, além dos já feitos, tendo em conta que se perspetiva um afundar ainda maior das taxas de juro.

Macedo apelidou ainda de "difícil" o contexto da banca europeia face às baixas taxas de juro e à probabilidade de voltarem a descer, considerando que perante isso os bancos terão de continuar a "reduzir custos, melhorar eficiência, limpar folha de balanço".

"É isso que a Caixa está a fazer há uns anos e é isso que é necessário continuar a fazer, sem abdicar de aumento de proveitos com aumento comissões, aumento da atividade de crédito, mais em volume do que em preços", afirmou.

O gestor adiantou que o aumento das comissões será mais em "gestão de ativos, seguros e operações de pagamento", uma vez que é onde está a haver crescimento de volume de negócios, do que em comissões bancárias.

Sobre se haverá uma atualização do plano estratégico para fazer face ao novo contexto do setor financeiro, nomeadamente na rentabilidade, Paulo Macedo afirmou que é normal haver ajustes num plano a prazo, como aconteceu com a não venda da sucursal em França, mas sem se comprometer.

"É natural que num plano a quatro anos haja estas alterações, isso é normal, não há planos em que não haja desvios e não se vá negociando, sobretudo sobre os interesses da Caixa", referiu, sem dar mais detalhes.

A semana passada, vários bancos europeus foram penalizados em bolsa, após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ter anunciado a manutenção das taxas de juro e que pretende que continuem a este nível ou "mais baixas" durante um período alargado, o que pressiona as receitas dos bancos na margem financeira (diferença entre os juros que bancos cobram no crédito e juros que oferecem nos depósitos).

Na segunda-feira, o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, considerou que o banco tem condições de acomodar as pressões nas receitas e que não irá fazer alterações aos objetivos do plano estratégico.

O BCP falou também, na apresentação dos resultados, que houve custos no primeiro semestre com o fundo de pensões pela manutenção prolongada do regime de taxas de juro baixas.

Já o presidente do BPI, Pablo Forero, afirmou que "será muito difícil continuar a aumentar a margem financeira com taxas de juro negativas durante mais tempo", admitindo que os bancos poderão ter de ajustar os seus objetivos de negócio, nomeadamente na rentabilidade.

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