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Brexit: Quem ganha e quem perde com a desvalorização da libra

A possibilidade do Brexit - saída do Reino Unido da União Europeia - está a provocar a desvalorização da libra, o que aproveita aos turistas estrangeiros e multinacionais, mas é negativo para o poder de compra das famílias britânicas.

Brexit: Quem ganha e quem perde com a desvalorização da libra
Notícias ao Minuto

20:26 - 30/07/19 por Lusa

Economia Moeda

Caída hoje para o nível mais baixo desde 2017 face ao euro e ao dólar, a divisa britânica está perante uma conjuntura difícil, agravada pelo reforço da perspetiva de um Brexit sem acordo, em particular com a chegada de Boris Johnson à chefia do governo.

As consequências de uma libra mais fraca para o Reino Unido desmultiplicam-se em vários aspetos, desde o aumento da competitividade externa dos produtos e serviços, como turismo, ao agravamento das condições de vida dos residentes, passando pelo favorecimento dos investimentos estrangeiros.

Quando o valor de uma moeda baixa, os produtos designados nessa divisa veem o seu preço diminuir para os possuidores de outras. A queda da libra aproveita pois aos exportadores britânicos - cujos produtos custam mais barato além-fronteiras - e consumidores estrangeiros.

Por outro lado, esta desvalorização cambial aumenta os lucros dos exportadores britânicos, uma vez que as receitas das vendas em divisa estrangeira aumentam os seus ativos em libras quando são convertidas. Consequência direta: as cotações bolsistas das multinacionais britânicas têm tendência a subir quando a libra desce.

Ao contrário, a desvalorização da libra provoca o aumento dos produtos importados pelo Reino Unido e, portanto, da inflação. Petróleo, matérias-primas e produtos frescos, como frutos e legumes tornam-se mais onerosos - e isto quando cerca de um terço da alimentação consumida no país vem do continente europeu.

Esta subida de preços, se se consolidar, pode reduzir o poder de compra das famílias. Depois do voto dos britânicos para saírem da União Europeia em junho de 2016, o Reino Unido tem conhecido um período de aceleração da taxa de inflação anual, que já superava os 3,0% no final de 2017.

Os turistas estrangeiros que se desloquem ao Reino Unido estão entre os beneficiários, uma vez que gastam mais junto dos comerciantes britânicos quando a libra desce em relação ao dólar.

Por exemplo, em janeiro de 2017, os norte-americanos gastaram mais 77% que no ano anterior, depois de o dólar ter valorizado 17% anuais face à libra.

As empresas britânicas, se, por um lado, exportam mais, por outro lado, veem-se mais vulneráveis a eventuais intenções de compra por parte de empresas europeias ou norte-americanas, cujo poder de compra em euros ou dólares está reforçado.

Os analistas evocaram recentemente este fenómeno com a compra do grupo de defesa Cobham pplo fundo de investimento Advent International ou ainda a aquisição da Merlin Entertainments, conhecida pelo museu de cera Madame Tussauds e a grande roda de Londres pelo conglomerado dinamarquês de brinquedos Lego e vários fundos.

Se a compra de empresas pode permitir salvar empregos, ao mantê-las em atividade, por outro lado, pode ser considerada como uma perda de soberania económica do país da empresa vendida.

Uma espécie particular de investimento direto estrangeiro é o que se está a assistir no imobiliário.

Na realidade, os projetos de grandes grupos financeiros internacionais prontos a fazer as malas para se mudarem para o continente por causa do 'Brexit' dão azo a notícias frequentes. Mas algumas empresas estrangeiras, pelo contrário, estão a implantar-se em Londres para aproveitarem um custo de vida reduzido pela desvalorização da libra, seja na vertente do preço dos alugueres dos escritórios, seja mesmo no dos salários pagos.

Um dos fundos especulativos norte-americanos mais conhecidos, o Caxton Associates, vai mesmo mudar a sua sede de Nova Iorque para Londres, segundo o Financial Times.

Outra consequência é a entrada da 'city' londrina, o bairro dos negócios, no radar dos investidores asiáticos com apetite por arranha-céus, o que tem motivado transações imobiliárias recorde, como a compra pelo magnata chinês Cheung Chung Kiu de um dos mais altos edifícios de Londres, o designado 'ralador de queijo'.

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