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Portugal entre os países europeus que se endividam na China

Polónia, Hungria e Portugal endividaram-se na China através das 'Panda Bonds', em breve será Áustria e Itália, e os especialistas indicam que é uma forma de demonstrar os laços com Pequim em plena crise com os Estados Unidos.

Portugal entre os países europeus que se endividam na China
Notícias ao Minuto

21:43 - 05/06/19 por Lusa

Economia Crise

Portugal tornou-se na semana passada, em 30 de maio, no primeiro país da zona euro a emitir 'Panda Bonds', ou seja, títulos de dívida pública em moeda chinesa.

No total, Portugal colocou dois mil milhões de renmimbi (o equivalente a 260 milhões de euros) em obrigações a três anos com um juro anual de 4,09%.

Foi a primeira emissão em moeda chinesa de um país da zona euro e a terceira de um país europeu, depois da Polónia, em 2016, e da Hungria, em 2017.

O mercado das 'Panda Bonds' existe desde 2005, mas o verdadeiro 'pontapé de saída' foi há quatro anos quando o banco central da China decidiu facilitar o acesso a este tipo de financiamento, escreve a AFP.

E tudo tendo como pano de fundo as designadas "novas rotas da seda", projeto de investimento no qual a China procura expandir a sua influência económica e tecnológica.

"Pouco a pouco, a China está a tentar atrair investidores para o seu mercado e transformar a sua moeda numa moeda de referência", afirmou Frédéric Rollin, assessor de estratégias de investimentos da Pictet AM, em declarações à AFP.

"Existem poucos emissores estrangeiros que chegam ao mercado do yuan [moeda chinesa]" porque "não é particularmente atrativa", referiu Frédéric Gabizon, responsável para o mercado de obrigações do HSBC, um dos bancos que orientou a emissão portuguesa.

Os peritos frisam que o interesse puramente financeiro é limitado para um país europeu, que beneficia de melhores condições no seu mercado doméstico.

De recordar que Portugal vai pagar um juro de 4,09% ao longo de três anos pelas 'Panda Bonds', enquanto numa emissão em euros paga menos de 1% a 10 anos.

No mercado das 'Panda Bonds', "67% das emissões são feitas com maturidades entre zero e três anos e apenas 5% têm maturidades acima de cinco anos", o que é "sinal de um mercado bastante jovem", comentou Pierre-Yves Bareau, responsável pela gestão de dívida emergente no J.P. Morgan AM.

No entanto, se a atratividade financeira permanece limitada, "existem importantes interesses políticos ou de reputação: emitir em 'Panda Bonds' pode ser visto como um gesto político positivo para desenvolver os laços com a China" num contexto de escalada das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, afirmou Liang Si, responsável para a Ásia das emissões de dívida no BNP Paribas.

A Itália também anunciou a sua intenção de emitir 'Panda Bonds', assim como a Áustria, que comunicou no final de abril que também se quer lançar naquele mercado.

"Desde 2009/2010 que a China começou uma política para encontrar 'cavalos de Tróia' na Europa", explicou Christopher Dembik, chefe do departamento de pesquisa económica no Saxo Bank.

O mesmo especialista adiantou que Pequim tem como alvos "países que muitas vezes têm uma maior necessidade de investimentos e aceitam em troca um acordo implícito" de passar pelo mercado das 'Panda Bonds'.

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