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"Fazer bem o nosso produto e crescer vai dar-nos opções. Uma é o IPO"

Recentemente, a Talkdesk inaugurou dois escritórios, um em Coimbra e outro no Porto, e quer continuar a crescer. Prevê ter cinco centenas de engenheiros até ao final do ano, engenheiros que gostem de fazer tecnologia, e por isso quer estar 'perto' do talento.

"Fazer bem o nosso produto e crescer vai dar-nos opções. Uma é o IPO"

Em pouco mais de dois meses, duas inaugurações. A Talkdesk é um dos três 'unicórnios' portugueses - startups avaliadas em mais de mil milhões de dólares - e é também uma empresa em expansão: tem três escritórios em Portugal, cerca de 1.400 clientes em mais de 50 países.

Atualmente, conta com uma equipa de 300 engenheiros em Portugal, mas o objetivo é chegar às cinco centenas até ao final do ano. Em 2020, a perspetiva é de duplicar o número de funcionários para mil. Não é fácil entrar para a Talkdesk, mas o fundamental é que os candidatos gostem (muito) de fazer tecnologia. 

O Notícias ao Minuto falou com o diretor-geral da Talkdesk para a região EMEA, Marco Costa, sobre o que distingue o trabalho da tecnológica portuguesa face às restantes inseridas num mercado também em crescimento. Numa conversa curta, tivemos ainda a oportunidade de falar sobre a possibilidade de a Talkdesk entrar para a bolsa, uma porta que esperam um dia ver aberta. 

Em pouco mais de dois meses a Talkdesk conta com duas inaugurações, uma no Porto e outra em Coimbra. Como é que caracteriza esta expansão?

Esta expansão é o resultado natural de um investimento que estamos a fazer no nosso produto. A Talkdesk continua a distinguir-se pela tecnologia que tem, pela inovação que deposita no produto, e para isso precisamos de engenheiros. Decidimos manter toda a engenharia aqui em Portugal e para conseguir crescer ao ritmo que queremos, temos de estar perto dos principais centros de engenharia do país. Temos presença no Porto, em Coimbra e Lisboa e isso permite-nos, neste momento, ter mais de 300 engenheiros, sendo que até ao final do ano queríamos ter 500. No final do próximo ano tencionamos ter 1.000.

Uma empresa que faz o que a Talkdesk faz, que é um produto à escala mundial, precisa de engenheiros que queiram fazer engenharia com grande profundidadeO que é que motiva esta aposta no Norte e Centro do país?

Portugal, apesar de ser um país pequeno, tem muitas oportunidades. O mercado está muito quente na área das tecnológicas e as pessoas têm oportunidade de trabalhar nas suas cidades e não querem sair de lá. Sentimos que temos de estar onde está o talento.

Lisboa tem sido apontada como um 'hub' tecnológico. O facto de a Taldesk 'fugir' a esta tendência e apostar noutros locais fora da capital significa alguma coisa?

Não diria que estamos a fugir [de Lisboa], bem pelo contrário. Ampliamos a nossa presença em Lisboa, passamos a ter dois pisos nas Amoreiras, duplicamos o nosso espaço. A tendência prende-se com o talento disponível. Uma empresa que faz o que a Talkdesk faz, que é um produto à escala mundial, precisa de engenheiros que queiram fazer engenharia com grande profundidade. 

Vamos exatamente por aí. Como é que se explica o que é que a Talkdesk faz?

A Talkdesk é uma empresa que faz software de 'contact center' [centros de contacto, na tradução em português] na 'cloud'. Quando se liga para para um 'contact center' tipicamente aparecem as operações: 'para dealing carregue no número 1, se quer falar sobre produto específico carregue no 2’, esse tipo de coisas tem um sistema por trás. O que a Talkdesk faz é substituir esses sistemas. O que fazemos de diferente é que fazemos tudo na 'cloud', o que significa que o nosso cliente não precisa de ter nenhum 'hardware', só precisa de ter os agentes, com ligação à Internet e um computador. Nós tratamos de tudo o resto. Não é preciso instalar servidores, não é preciso ter telefones. Toda essa complexidade desaparece.

 O 'contact center' é, muitas vezes, a única forma que as empresas têm de contactar com os clientes, porque há cada vez mais negócios completamente online

Trazemos muita inovação a esta área. Hoje sabemos muito mais sobre o cliente que está a ligar. Usamos toda a informação, o histórico da relação com o cliente para conseguir tomar decisões. Esta pessoa ligou 10 vezes no último mês, nas últimas cinco ligou porque tem um problema em casa que não está resolvido, se eu sei esta informação escuso de perguntar porque que está a ligar. E também já sei com quem é que falou nas últimas interações. 

Isso vem facilitar o trabalho das empresas no atendimento ao cliente…

Exatamente. No passado achava-se que o 'contact center' era aquela coisa chata em que os clientes reclamavam, mas a verdade é que o 'contact center' é, muitas vezes, a única forma que as empresas têm de contactar com os clientes, porque há cada vez mais negócios completamente online e o 'contact center' é uma forma de manter o cliente fiel por mais tempo. Se os nossos clientes perdem a oportunidade de quando têm os seus clientes ao telefone lhes dar uma boa experiência estão a deixar muito dinheiro em cima da mesa.

Quais são os planos para os próximos meses, pensando no curto prazo?

Temos duas coisas com as quais estamos sempre preocupados: uma é melhorar o nosso produto, temos uma equipa muito grande de gestão de produto, estamos sempre a olhar para o mercado e a perceber quais os novos produtos que temos de lançar. Sentimos que enquanto empresa tecnológica, a inovação que colocamos no nosso produto é fundamental para o nosso sucesso.

Não é fácil, não vou negar, porque a entrada na Taldesk é complicada, mas temos de estar nos diferentes sítios onde o talento estáÉ fácil encontrar essa mão-de-obra em Portugal?

Procuramos pessoas que queiram fazer engenharia de software e tecnologia à escala mundial. Temos um produto, que está na 'cloud' e tem milhares de clientes e quase 100 mil agentes a usar todos os dias, são milhões de chamadas. Se o Talkdesk tem um pequeno problema temos milhares de pessoas afetadas. Por isso, fazer este tipo de engenharia requer que as pessoas gostem muito de tecnologia, gostem muito de fazer tecnologia com muita profundidade.

Encontramos esse talento em Portugal, há pessoas que querem fazer isso e cada vez mais pessoas que querem trabalhar em empresas de produto e não em empresas de serviços, mas também há lá fora. Por isso, estamos a fazer programas de mobilidade internacional e programas de relações com universidades para recrutar os melhores, que acabaram agora o curso, que gostam de tecnologia e que querem fazer produto. Não é fácil, não vou negar, porque a entrada na Taldesk é complicada, mas temos de estar nos diferentes sítios onde o talento está.

Fazer estas duas coisas bem feitas, fazer bem o nosso produto e continuarmos a crescer em termos de números de clientes, isso vai-nos dar opções. E uma delas é o IPOA entrada para a bolsa é um sonho ainda distante?

[Risos] Estamos preocupados em fazer duas coisas: uma é o produto, como disse, e a outra é o mercado. Estamos a expandir bastante a nossa presença comercial, recrutamos imensa gente nos EUA, recrutamos imensa gente na Europa, abrimos escritórios em Londres... Estamos muito empenhados em fazer crescer a nossa presença no mercado.

Fazer estas duas coisas bem feitas, fazer bem o nosso produto e continuarmos a crescer em termos de números de clientes, vai dar-nos opções. E uma delas é o IPO [oferta pública inicial, na tradução em português, que é o processo de admissão de uma empresa em bolsa]. Não estamos obcecados. Claro que é uma saída possível e para nós era fantástico, daqui a não muitos anos, estarmos em condições de poder tomar essa decisão. Se a tomamos é outra questão, mas estar em condições de poder fazer o IPO ou manter a empresa a crescer é ótimo. Não ter opções é que é um problema. Estamos focados em fazer o nosso trabalho no nosso dia a dia e se o fizermos bem teremos essa opção.

A Taldesk é um dos três unicórnios portugueses, juntamente com a Farfetch e a OutSystems. Qual foi a chave principal para traçar este caminho?

Desde o primeiro dia que tentamos ter tecnologia que fosse útil para os nossos clientes. Sermos fiéis a isso. Às vezes, as empresas de engenharia tentam fazer o melhor produto do mundo sem falar com os clientes e depois percebem que os clientes queriam uma coisa diferente. Esta proximidade com o cliente é muito importante. E depois também uma ambição muito grande de entrar neste mundo e liderar este mercado.

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