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Garantias que Berardo deu a bancos perderam valor com aumento de capital

Os títulos da Associação Coleção Berardo que foram entregues aos bancos como garantia de empréstimos, que valiam 75% da associação, perderam valor num aumento de capital feito posteriormente, segundo informações hoje dadas por Berardo no parlamento.

Garantias que Berardo deu a bancos perderam valor com aumento de capital
Notícias ao Minuto

20:13 - 10/05/19 por Lusa

Economia Berardo

As informações foram dadas após a inquirição a Berardo pela deputada do BE Mariana Mortágua, na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD), o que levou a bloquista a dizer que quem o ouve pode considerar que foi uma "golpada".

A deputada questionou Joe Berardo sobre se os bancos, por serem credores da Associação Coleção Berardo, têm direito de voto em assembleia-geral, pelos estatutos, ao que Berardo apenas respondeu que não é culpa sua "se não exercerem os seus direitos".

A deputada questionou se caso os bancos vierem a exercer os seus direitos e ficarem em maioria (uma vez que aquando da garantia ficaram com 75% dos títulos) se podem destituir a administração da Associação Coleção Berardo. O empresário não respondeu diretamente a isto ao longo de várias questões, mas deu a entender de que não seria bem assim.

"Só quando vierem para executar os direitos que eles têm, se há de ver aí o que há", afirmou.

Apenas quando Mariana Mortágua perguntou se a posição dos bancos na associação foi diluída, entretanto, o empresário respondeu que "houve aumento de capital".

"Foi dado um golpe, portanto", disse Mariana, referindo-se à operação que fez diminuir os direitos dos bancos na Associação Coleção Berardo.

"Um golpe são as pessoas que estão a dirigir estas instituições que não sabem o que fazem", afirmou Berardo, acrescentando que se no aumento de capital os bancos não quiseram participar "é problema deles".

Da audição não se compreende quanto é que, de momento, os bancos credores detêm na Associação Coleção Berardo.

Ainda questionado pela deputada bloquista, Berardo disse não saber quem atualmente faz parte do Conselho de Administração da Associação Fundação Berardo, quem foram as pessoas que reforçaram a sua posição no aumento de capital e quem são as pessoas ou entidades que têm a maioria do capital da associação.

"Acho que sabe", disse Mortágua. "Não sei", respondeu Berardo.

A deputada do BE terminou a sua intervenção a considerar que Berardo deve achar que deu "um golpe de génio" e criticou a postura de Berardo e o facto de se eximir de responsabilidades dizendo não ter bens em seu nome.

"Fez negócios, controlou um banco privado, vive numa 'penthouse', celebra as vindimas na quinta da Bacalhoa, leva os seus amigos, isto tudo a partir de uma fundação que não lhe pertence, que não paga impostos, que detém um império que no limite não pode ser ligado a si, e que, portanto, pode ter créditos a apodrecer", afirmou a bloquista.

Já confrontado por Cecília Meireles, do CDS-PP, com a informação de que houve uma assembleia-geral em 2016 da Associação Coleção Berardo para alteração de estatutos e questionado por que não convocou para essa reunião os bancos credores, Berardo disse, então, que não tinha de o fazer e remeteu para uma ordem do tribunal de Lisboa.

Cecília Meireles considerou então que o empresário deu uma garantia pelos empréstimos, mas depois usou estratégias para que a garantia não pudesse ser usada.

"O meu dever é proteger a coleção", respondeu Berardo.

O empresário Joe Berardo tem sido dos clientes bancários mais falados na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, pelo incumprimento nos elevados empréstimos que lhe concedeu o banco público.

Segundo a auditoria da EY à gestão da CGD entre 2000 e 2015, o banco público tinha neste último ano uma exposição a entidades de Joe Berardo (Metalgest e Fundação Berardo) na ordem dos 321 milhões de euros.

Os empréstimos a Joe Berardo serviram para financiar a compra de ações do BCP, cuja garantia eram as próprias ações, que depois desvalorizaram praticamente na totalidade, gerando grandes perdas para o banco público, o que levou Berardo a negociar com o banco a entrega de garantias, no caso título da Associação Coleção Berardo.

Também no caso de empréstimos a incumprimento a outros bancos, Berardo deu títulos da Associação Coleção Berardo, mas também outras garantias (ações da Bacalhoa e da Madeirense Tabacos no BCP e prédios no Funchal ao BES).

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