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Ela piloto de aviões, ele educador de infância num país (ainda) desigual

Campanha da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego pretende sensibilizar para o facto de as profissões serem para pessoas e não estereotipadas para géneros.

Ela piloto de aviões, ele educador de infância num país (ainda) desigual

Uma mulher que é comandante de aviões, Joana Guerreiro, e um homem que é educador de infância, José Bagulho. Num mundo 'igual' esta dupla não causaria estranheza, mas num cenário onde as desigualdades ainda persistem os dois são os protagonistas de uma campanha da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), a propósito do Dia do Trabalhador. 

E será que os dois se sentem 'estranhos' no trabalho que desempenham? Apesar de serem realidades diferentes, a resposta é a mesma: não, porque acreditam que as profissões são para as pessoas, independentemente do sexo. No entanto, ambos admitem que as duas profissões ainda são estereotipadas. 

"A ideia é que todas as profissões são para pessoas, o que significa que qualquer homem ou qualquer mulher deve ser livre de decidir e de poder aceder a qualquer profissão e sentir-se realizado ou realizada na atividade que escolha", explica ao Notícias ao Minuto a presidente da CITE, Joana Gíria, acrescentando que o objetivo é "passar a mensagem de liberdade de escolha, da capacidade que cada homem e mulher tem de poder concretizar o seu talento na área que pretende", refere. 

Há assim uma espécie de incómodo quando apareço na primeira reunião do ano. Estão à espera de ver uma Maria Celeste ou uma Margarida e aparece um Zé, gordo e mais velho Na educação as diferenças ainda são bem visíveis. "O ensino ainda é muito feminino e muito pouco masculino", conta-nos o educador de infância José Bagulho, acrescentando que na escola onde trabalha existem 40 funcionários, entre auxiliares e professores, dos quais apenas dois são homens

José acredita, por isso, que tem de haver "vontade e coragem política" porque a paridade não é só uma luta das mulheres. "De repente, fala-se na paridade como uma luta também dos homens. E o Governo tem de lutar pela paridade dentro do próprio Governo, nas empresas, mas não se fala no ensino. Tem de haver coragem política para abordar este assunto", adianta. 

Além disso, José considera que há ainda uma outra questão - e que é delicada, diga-se. "Há um fantasma que paira que é o da pedofilia". Por isso, o educador de infância refere que é necessário ter muitos cuidados, porque diz tratar-se de uma "profissão que exige muito carinho, muito contacto". Um dos quais, detalha, é o facto de o seu "colo ser nos joelhos", precisamente para não suscitar outras interpretações. 

Voar com uma mulher aos comandos é a primeira experiência para a maioria dos passageiros Na aviação o cenário inverte-se. De uma área maioritariamente frequentada por mulheres, 'voamos' para um segmento que é maioritariamente composto por homens. Porém, Joana Guerreiro considera que hoje em dia é mais uma questão de gosto pessoal, quando comparado com as dificuldades que as mulheres enfrentavam na profissão há uns anos.  

"Acho que só não há mais mulheres a pilotar aviões porque não gostam e não se imaginam a ter esta função. (...) Já houve um tempo em que era complicado, há mais de 20 anos era realmente complicado", relatou-nos a comandante, justificando que nem sequer existiam balneários femininos. "Nada estava preparado para acolher as mulheres nesta profissão", adianta. 

O comentário mais negativo que Joana recebeu foi de um passageiro: "O pior vai ser estacionar", comentou a pessoa em causa. Aliás, são normalmente os passageiros que ficam mais espantados com a profissão de Joana, mas ela própria vê uma explicação para isso: "Voar com uma mulher aos comandos é a primeira experiência para a maioria dos passageiros"

Por isso, Joana diz que a melhor forma de lidar com a situação é "olhar para as coisas com mais naturalidade" e aceitar que homens e mulheres estão igualmente habilitados a exercer uma determinada profissão. 

Diferença salarial (ainda) é uma realidade

Não é o caso de Joana nem de José, mas a verdade é que a diferença salarial ainda é uma realidade. De acordo com os dados mais recentes, as mulheres ganham menos 14,9% do que os homens, uma taxa que tem vindo a reduzir-se mas que ainda traduz discrepância. 

"A diferença não justificada na remuneração entre homens e mulheres é uma preocupação em todo o mundo, na Europa e em Portugal, obviamente que sim. Tem vindo a reduzir-se, mas entendeu-se que deveria haver um mecanismo de aceleração para que haja um equilíbrio", faz sobressair a presidente do CITE, reportando-se à lei de promoção da igualdade remuneratória, que está em vigor desde fevereiro. 

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