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Mundo disputa liderança tecnológica, EUA precisam de "um novo Kennedy"

O presidente da petrolífera Partex considera que a disputa pela liderança tecnológica no mundo aumentou a tensão entre os Estados Unidos e a China à volta da Huawei e defendeu que Washington precisa de um novo Kennedy.

Mundo disputa liderança tecnológica, EUA precisam de "um novo Kennedy"
Notícias ao Minuto

09:48 - 24/03/19 por Lusa

Economia Empresário

O 5G (quinta geração móvel) ainda não arrancou, mas o seu impacto já se faz sentir, nomeadamente através da 'guerra' entre os Estados Unidos e a China à volta da tecnológica Huawei, a qual está banida no mercado norte-americano.

Portugal tem uma relação estreita com a China e, em dezembro último, por ocasião da visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado um acordo entre a Altice Portugal e a Huawei para o desenvolvimento da rede 5G.

"O que está aqui realmente em causa é quem é que vai liderar as tecnologias de ponta nestas áreas que vão formatar a nossa vida neste século", disse, em entrevista à Lusa, o presidente executivo da petrolífera Partex (detida pela Fundação Gulbenkian), António Costa e Silva.

"E é muito importante que as democracias defendam os seus valores, mas não se atrasem em tudo aquilo que é o desenvolvimento da tecnologia", acrescentou o gestor.

Também "não precisamos de guerras neste século. Sobretudo entre as duas grandes potências mundiais. Acho que temos, de um lado, a política imprevisível e errática dos Estados Unidos. Do outro lado, os planos, a longo prazo, do Presidente Xi Jinping -- e atenção, a China pensa a longo prazo --, o que incomoda sobremaneira os Estados Unidos", considerou o responsável.

"Não queremos mais guerras comerciais e a construção de muros", insistiu, argumentando que tal agrava "continuamente a situação internacional", além de "antagonizar um país que tem as suas características -- é evidente que [a China] é um regime autoritário --, mas ao nível das relações comerciais, energéticas, financeiras, tecnológicas é importante manter esse tipo de ligações".

António Costa e Silva manifestou-se, no entanto, otimista relativamente ao futuro: "Acho que, no fundo, vai haver um equilíbrio entre as duas grandes potências. Esperemos que a liderança americana, no futuro, seja mais sábia".

"Precisamos não de um Trump, mas de um Kennedy", defendeu, salientando que este ilustra de forma clara como se defronta a liderança tecnológica, aludindo à sua posição relativamente à União Soviética, na altura.

"E a resposta não foi um anátema no que os outros estavam a fazer [como o Trump faz], é nós fazermos melhor do que os outros. Acho que as democracias precisam de um abanão, precisam de uma nova liderança política, de uma nova visão que as abra exatamente para fazerem a médio e longo prazo aquilo que é mais consistente de fazer", apontou.

"Depois do fim da Guerra Fria, não podemos regressar àquele grande paradigma dos dois grandes blocos, os Estados Unidos, com a Europa e a NATO, e a União Soviética e o Pacto de Varsóvia, tendo agora um pacto de Varsóvia tecnológico e uma NATO tecnológica para se combaterem uma à outra", prosseguiu.

António Costa e Silva disse que a grande questão é a segurança, mas afirmou isso é "facilmente" resolvido, "sobretudo nos sistemas de defesa", que são a grande preocupação de Washington.

"Agora, não se combate o modelo chinês construindo muros e lançando anátemas, mas é exatamente a atacar onde o modelo chinês é mais frágil. Eu acho que uma Internet nacional censurada não vai funcionar, mas não há dúvida de que as regras da Internet no futuro vão ser mais escritas na Ásia do que na Europa e nos Estados Unidos, pela simples razão de que os chineses têm 800 milhões de utilizadores e a Índia tem 400 milhões", disse.

Na opinião do gestor, "o modelo chinês tem fragilidades imensas": "Eles falam na construção de uma Internet harmoniosa. O que é uma Internet harmoniosa? Que contribui para as notícias, para a boa 'governance', mas sanciona os cidadãos que propagam rumores contra o regime, que tem atitudes que eles consideram erradas, estão a construir uma coisa que é muito perigosa, que é um sistema de crédito social na China".

"No fundo, os cidadãos são recompensados se conservam energia, se poupam energia, por exemplo, e são penalizados se espalham rumores contra o regime. Isto é algo que não vai funcionar. Neste século, com todas as tecnologias que existem, é impossível que estas regras triunfem a médio e longo prazo", rematou.

Fundada em 1939 por Calouste Gulbenkian, a Partex detém participações minoritárias em projetos de gás em Abu Dhabi e em Omã e posições no campo petrolífero de Dunga, no Cazaquistão, no bloco 17/06, em Angola, e nas bacias de Potiguar e Sergipe-Alagoas, no Brasil, tendo em 2018 registado receitas de 423 milhões de dólares (mais de 370 milhões de euros).

Em meados de fevereiro de 2018, a venda da Partex ao grupo chinês CEFC Energy chegou a ser avançada, num negócio que poderia ascender a 500 milhões de euros, mas cerca de dois meses depois a Fundação decidiu pôr termo às negociações em curso devido às suspeitas entretanto surgidas em torno da empresa chinesa.

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