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Empresários lusos relatam drama no dia do ciclone Idai e perdas avultadas

O empresário português Manuel Guimarães levou 25 anos a criar as três empresas que tem em atividade nos arredores da Beira, centro de Moçambique e uma semana depois do ciclone que as arrasou, ainda tenta apurar os prejuízos.

Empresários lusos relatam drama no dia do ciclone Idai e perdas avultadas
Notícias ao Minuto

13:26 - 22/03/19 por Lusa

Economia Moçambique

"Não se preocupem, os crocodilos não fugiram. Mas a quinta foi totalmente destruída", referiu, num encontro entre portugueses e o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, na quinta-feira, na Beira.

A criação de répteis é um dos seus negócios, além da pesca e pecuária.

"Não fugiram porque 40 homens bravios, moçambicanos, ficaram noite e dia a guardá-los", descreveu, com voz emocionada.

Os muros que delimitam a zona onde se guardam os crocodilos "ainda caíram, mas imediatamente foram repostos e os animais não fugiram.

No entanto, Manuel Guimarães disse que a sua quinta "nunca mais será a mesma", um espaço que já era visitado por turistas, atraídos pela curiosidade acerca da criação de répteis.

O empresário interrompe a intervenção, senta-se, emocionado.

Só passado um pouco consegue contar o que as cheias e a forças das correntes lhe fizeram ao gado e ao pastor que o guardava.

"Cheguei a dois quilómetros do curral. O pastor ficou lá e disse-me que devíamos ter perdido 500 cabeças [de gado]. Mas não se lembrou que ele tinha perdido quatro filhos. Eu trocava-os pelas cabeças que tínhamos perdido", contou, com a voz trémula.

O ambiente na sala do consulado da Beira fica carregado, há quem acene com a cabeça, como quem confirma que a passagem do ciclone foi dolorosa, e chore discretamente.

Rodrigo Sebastião vive drama semelhante.

"Tenho mil animais em cima da linha férrea, porque é o único sítio onde podem estar a salvo", referiu o jovem empresário, que segue com o negócio do pai, Américo Sebastião, desaparecido desde julho de 2016 - um caso que continua por apurar pelas autoridades.

Hoje, o drama diz respeito à incapacidade de trazer de volta as cabeças de gado.

"Temos homens a carregar farinha para lhes ir dar alimento, porque não têm onde pastar", enquanto a companhia de caminhos-de-ferro alerta para a possibilidade de voltarem a passar comboios.

Rodrigo queixa-se de não estar a conseguir concertar uma posição com a companhia e é neste tipo de situação que acha relevante um apoio do Estado português.

Pede intervenção para resolver este problema, com os contactos privilegiados entre Estados, para que os comboios não lhe aumentem os prejuízos.

Se for caso disso, contou, tem homens preparados "para cortarem a linha férrea com maçaricos".

Um primeiro avião C-130 com apoio do Estado português chega hoje à cidade da Beira, enquanto o secretário de Estado das Comunidades prometeu no encontro com a comunidade o reforço da presença consular.

No centro e norte de Moçambique há mais de 6.000 portugueses inscritos nos serviços consulares, estimando-se que 2.500 residam na Beira, a zona mais afetada, segundo os serviços consulares.

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