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Startup do Porto ajuda restaurantes a combaterem o desperdício alimentar

Uma startup instalada no Parque da Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, criou uma plataforma que permite a restaurantes e padarias venderem o excesso de fabrico e contribuírem para o "combate ao desperdício alimentar", revelou o responsável.

Startup do Porto ajuda restaurantes a combaterem o desperdício alimentar
Notícias ao Minuto

08:10 - 21/02/19 por Lusa

Economia FairMeals

Em entrevista à Lusa, Carlos Pereira, coordenador em Portugal da empresa de base tecnológica em fase de desenvolvimento FairMeals, explicou que o projeto, iniciado em 2016, tem como propósito "ajudar os serviços de alimentação a venderem o excesso produzido", permitindo a redução do prejuízo financeiro, assim como do desperdício alimentar.

"Existem algumas organizações não governamentais que já enfrentam a batalha do desperdício alimentar, só que normalmente focam-se apenas no desperdício. Nós queríamos que a FairMeals fosse além disso, unindo não só a sustentabilidade com a redução do desperdício, mas também considerando o lado do empreendedor, que ao mesmo tempo consegue obter algum retorno financeiro", contou Carlos Pereira.

A 'startup', que surge da "indignação face ao desperdício alimentar" de dois colegas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Christian Wimmler e Tiago Fernandes, opera na Alemanha e em Portugal.

A nível nacional, a 'startup' conta com a parceria de 34 serviços alimentares, desde padarias, pastelarias e restaurantes, sendo que 32 parceiros se localizam no Porto, um em Lisboa e outro em Coimbra.

Desenvolvida em janeiro de 2018, a plataforma, que é gratuita tanto para consumidores como para estabelecimentos, funciona através de "ofertas de excedente" de alimentos, onde o proprietário do estabelecimento define o produto, a quantidade e o horário em que se encontra disponível para levantamento.

"Todas as ofertas que são colocadas na plataforma tem um desconto mínimo obrigatório de 20%. Definimos esse desconto porque não são refeições frescas, ou seja, produzidas na hora e porque o consumo não é feito no estabelecimento", esclareceu.

Para os consumidores, o 'site' funciona como um sistema de "reserva de produtos", que, ao gerar um código, permite o pagamento e a recolha dos alimentos no estabelecimento.

Segundo Carlos Pereira, atualmente, a plataforma conta com cerca de 700 utilizadores registados em Portugal e na Alemanha.

A equipa da FairMeals, que lançou em outubro de 2018 a aplicação para o sistema operacional da Android e está agora a trabalhar na adaptação da mesma ao sistema operacional da Apple (iOS), contabiliza, diariamente, uma média de 19 ofertas.

Neste momento, a equipa encontra-se a "melhorar o 'site'" e em negociações com uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), que opera a nível nacional, e com uma empresa de tratamento de resíduos com o objetivo de "aproveitar os alimentos" que não são vendidos através da plataforma.

"O que não for vendido pode ser doado a instituições de cariz social. Caso não seja vendido, nem possa ser doado, queremos dar o tratamento adequado a esses produtos, como para a produção de energia ou até alimentação animal", frisou Carlos Pereira.

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