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Ano 2019 vai ser "difícil" e "desafiante" para o calçado português

Depois de em 2018 o calçado português ter interrompido um ciclo de oito anos consecutivos de crescimento das exportações, a associação setorial prevê que 2019 será novamente "um ano difícil" face aos "muitos fatores macroeconómicos" adversos.

Ano 2019 vai ser "difícil" e "desafiante" para o calçado português
Notícias ao Minuto

15:55 - 10/02/19 por Lusa

Economia Luís Onofre

"2019 não se prevê um ano de muitas facilidades, penso que será ainda um ano desafiante para os nossos industriais", afirmou o presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes e Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) em declarações aos jornalistas no primeiro dia da Micam, a maior feira internacional de calçado, que decorre até quarta-feira em Milão, Itália.

Face ao "ano difícil" em perspetiva, Luís Onofre deixa "um conselho" aos industriais portugueses de calçado, dos quais cerca de nove dezenas estão presentes na Micam: "Que sejam o mais resilientes possível a este problema das políticas internacionais e europeias e dos protecionismos de que não têm culpa, mas que afetaram o desempenho" do setor em 2018.

Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano passado as exportações da indústria portuguesa de calçado aumentaram 1,54% (para 84,296 milhões de pares), mas recuaram 2,65% em valor (para 1.904 milhões de euros), interrompendo um ciclo virtuoso de oito anos consecutivos de crescimento.

Recordando que o setor "já lidou no passado com situações piores e soube ultrapassá-las", o presidente da APICCAPS atribuiu este desempenho a "muitos fatores macroeconómicos maléficos", desde as incertezas em torno do 'Brexit', que têm penalizado as exportações portuguesas de calçado para a Europa (que em 2018 caíram 3%), ao protecionismo dos EUA (para onde as vendas recuaram 2%), aos efeitos da crise político-institucional da Crimeia nas vendas para a Rússia e ao arrefecimento de economias europeias como a Alemanha.

De acordo com os números da APICCAPS, só a Alemanha e a França, os dois principais mercados das vendas do setor e para onde as exportações portuguesas caíram respetivamente 6% e 3% em valor em 2018, representaram 50 milhões da quebra total de 55,9 milhões de euros registada em 2018, a que se somaram recuos de mais de cinco milhões de euros em Angola e de quatro milhões de euros na Rússia.

Conforme salientou Luís Onofre, também os principais concorrentes de Portugal -- Itália e Espanha -- estão "a ressentir-se" deste cenário internacional: Se até agosto as exportações italianas de calçado aumentaram 37% em valor (para 6,5 mil milhões de euros), o facto é que recuaram 3,1% em volume (para 143,6 milhões de pares), enquanto Espanha registou até setembro quebras de 3,6% em valor e de 1% em volume (para 2.018 milhões de euros e 122,7 milhões de pares).

Neste contexto, o dirigente associativo destacou a importância do aprofundamento da estratégia de diversificação de mercados que a APICCAPS vem já desenvolvendo há alguns anos no sentido de diminuir a dependência do setor dos mercados europeus, para onde canaliza atualmente 85% das vendas.

"A nossa ambição é que dentro de três ou quatro anos não ultrapassemos os 80% de vendas para a Europa", afirmou o porta-voz da associação, Paulo Gonçalves, em declarações à agência Lusa.

Neste contexto, garantiu que a aposta no mercado dos EUA "é para dez anos" e "é para manter", apesar da quebra registada no ano passado, e destacou o desempenho das vendas portuguesas do setor para a China, que em 2018 aumentaram 71%, para 23 milhões de euros.

"Já somos o quarto maior fornecedor de calçado da China e em três anos, se tudo correr bem, vamos ser o terceiro", sublinhou Paulo Gonçalves, notando que "as exportações para a China já são o dobro das de Angola" e, "fora da Europa, a China é o terceiro principal mercado" das exportações portuguesas de calçado, depois dos EUA e do Canadá.

Assim, e apesar de também convicto que 2019 "vai ser, de novo, difícil para a generalidade das empresas", Paulo Gonçalves acredita que o novo ciclo de investimentos em promoção externa (num total de 18 milhões de euros) vai fazer deste ano "um ano de afirmação do calçado português nos mercados externos".

Segundo o responsável, para este objetivo irá também contribuir a capacidade de adaptação da indústria portuguesa às novas tendências do mercado, nomeadamente nos produtos alternativos ao couro, ligadas a questões ambientais.

"Continuamos a achar que o couro é um segmento nobre e vamos continuar a fazer aí a nossa aposta, até porque está por provar que não é um produto ecologicamente válido, já que é um subproduto da carne que nós aproveitamos e reciclamos".

Contudo, sustentou, "há todo um conjunto de novos desenvolvimentos na área dos sintéticos e dos plásticos que levaram a que a indústria do calçado diversificasse a sua oferta", nomeadamente com o surgimento de novos produtos de cariz mais desportivo e semidesportivo, sendo que a indústria nacional "soube, num curtíssimo espaço de tempo, adaptar-se às necessidades do mercado".

Paralelamente, rematou, a indústria portuguesa de calçado está "a procurar criar uma nova relação com o consumidor, tornando-se mais rápida e flexível e capaz de produzir calçado par a par".

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