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Costa admite aumentos salariais, mas sem perder foco nas "contas certas"

O primeiro-ministro não descarta novos aumentos na Função Pública já em 2020, mas avisa que tal é um "compromisso" que só pode ser assumido quando estiver desenhado o "cenário macroeconómico para os próximos quatro anos". O importante, sublinha, é manter o "foco" nos objetivos, entre os quais se contam a redução de desigualdades, o crescimento da economia e ter "contas certas".

Costa admite aumentos salariais, mas sem perder foco nas "contas certas"
Notícias ao Minuto

23:40 - 05/02/19 por Patrícia Martins Carvalho 

Economia António Costa

Na entrevista concedida na noite desta terça-feira à SIC, António Costa afirmou que o aumento salarial pode chegar a mais funcionários públicos já em 2020.

Depois de, este ano, os trabalhadores da Função Pública com salários mais baixos terem beneficiado de um aumento, o chefe do Governo não exclui a possibilidade de alargar esse aumento, no próximo ano, a mais funcionários públicos até porque, confessou, é o primeiro a “compreender o sentimento que existe na administração pública, tendo em conta todo o esforço feito entre 2009 e 2015”.

“Este ano conseguimos que houvesse uma margem de 50 milhões [e] a opção que tínhamos era distribuí-los entre os salários mais baixos até ao do Presidente da República ou concentrá-los numa valorização salarial de quem ganhava menos. Foi [esta última] a opção que fizemos”, lembrou, admitindo que a sua “expetativa é a de que se o país mantiver a trajetória de crescimento e de consolidação das finanças públicas - que tem tido - para o ano possamos retomar a normalidade”.

Mas, sublinhou Costa, “é um compromisso que só poderemos assumir quando tivermos o cenário macroeconómico para os próximos quatro anos definido”. Isso acontecerá quando, em abril, for apresentado “o programa de estabilidade”. Aí “poderemos perspetivar o que podemos contar para 2020, 21, 22, 23. Este ano, a margem que há é esta e julgamos que a utilizámos bem, valorizando salários mais baixos”.

Quanto ao abrandamento da economia, o primeiro-ministro disse que tal tendência não o surpreendeu, até porque era algo que já tinha previsto no início da legislatura. “O abrandamento da economia não nos surpreende. Já prevíamos que em 2018 houvesse um abrandamento em relação a 2017 e em 2019 relativamente a 2018. Essa desaceleração não nos apanha desprevenidos”.

Preferindo salientar os pontos “positivos”, António Costa apontou os “sinais de grande confiança” que vê no “futuro da economia portuguesa” que se têm “traduzido num elevado nível de investimento”.

Não obstante o que acontece lá fora temos vindo a manter um ritmo de crescimento positivo”, frisou, admitindo, contudo, que as “exportações tiveram agora uma contração, mas ainda assim continuam a crescer

E positivo é também o percurso do investimento, uma vez que “no ano passado tivemos o melhor ano de sempre de investimento direto contratualizado” – 110 milhões de euros – sendo que este ano o que está em apreciação pela AICEP é um valor na ordem dos “2 mil milhões de euros de novos investimentos”.

Percurso semelhante tem tido também a “execução do Portugal2020”, tal como o emprego e as contribuições para a Segurança Social que “continuam a crescer”. Aliás, relativamente a estas últimas, o primeiro-ministro revelou que cresceram 7% em janeiro deste ano quando comparado com o mesmo período do ano passado.

Embora a crescer esteja também a agricultura, a indústria e os novos investimentos, António Costa admite que “ninguém está a abrigo de uma crise internacional”, mas a perspetiva é, ainda assim, positiva.

“Infelizmente, a nossa banca está mal preparada para as necessidades da nossa economia”

Quanto à banca e mais precisamente a propósito do crédito bancário, o Chefe do Executivo diz que houve uma “diminuição da dívida privada de cerca de 40% entre 2012 e 2017, quer nas famílias, quer nas empresas”.

Ainda assim, admite que a “banca continua excessivamente dependente do crédito ao consumo e do crédito imobiliário”.

“Sim, infelizmente a nossa banca está mal preparada para aquilo que são as necessidades da nossa economia e devia ser mais amiga do investimento. O que temos feito é encontrar mecanismos alternativos, outras fontes de financiamento para além dos fundos comunitários”, referiu, dando como exemplo o “sistema fiscal particularmente amigo do investimento das empresas” que, aliás, a “União Europeia sinalizou como sendo o segundo mais vantajoso de toda a União Europeia”.

Quanto às ‘nuvens no horizonte’, parafraseando José Gomes Ferreira, António Costa está ciente de que as mesmas existem, mas defende que “todos devemos estar conscientes de que a economia tem ciclos e que não existe o elixir do crescimento permanente”.

Mas temos que ter em conta que o abrandamento que está a existir é o abrandamento que há cinco anos tínhamos previsto e que foi incorporado na nossa política económica e financeira"Neste momento os sinais de confiança da nossa economia por via do investimento, do crescimento do emprego e dos salários indiciam que as nossas empresas estão confiantes em poderem continuar a sua trajetória de crescimento, em encontrarem um mercado interno e nos mercados externos”, explicou para terminar com uma mensagem de confiança: “Vamos manter-nos serenos, focados no nosso objetivo de continuar a ter um bom crescimento, emprego, reduzir desigualdades e ter contas certas”.

[pode ler a entrevista completa ao primeiro-ministro aqui]

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