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No meio da tempestade, CGD entrega auditoria e apresenta lucros

A Caixa Geral de Depósitos voltou hoje a estar no centro das atenções, com o seu presidente executivo a entregar no parlamento a auditoria à gestão do banco e a dar a conhecer lucros de 496 milhões de euros.

No meio da tempestade, CGD entrega auditoria e apresenta lucros
Notícias ao Minuto

21:53 - 01/02/19 por Lusa

Economia Banca

No dia em que cumpriu dois anos na liderança da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo teve uma agenda preenchida: foi ao parlamento entregar uma versão da auditoria à gestão do banco público no período 2000-2015, elaborada pela consultora EY, e apresentou os resultados de 2018.

Na semana passada, a divulgação de uma versão preliminar desta auditoria, datada de dezembro de 2017, fez estalar a polémica devido à concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e aprovação de empréstimos com parecer desfavorável ou condicionado da direção de risco da CGD.

Uma versão final foi entregue esta tarde na Assembleia da República, mas o documento omite o nome dos devedores, os valores dos créditos concedidos e a exposição do banco público a estes empréstimos devido ao sigilo bancário.

Segundo o documento, foram contabilizadas apenas 14 operações de concessão inicial de crédito que receberam parecer de risco favorável, num total de 170.

Ainda assim, as perdas deste tipo de operações incluídas no 'top 25' que a auditora compilou, como sendo as mais problemáticas, "totalizaram 238 milhões de euros, o que corresponde a 13,5% das perdas totais da amostra".

A análise da consultora concluiu que a maioria dos casos analisados, ou seja, 80 operações, que representam perdas, no 'top 25', de 769 milhões de euros (43,7% do total), receberam um parecer de risco "condicionado ao acolhimento de um conjunto de requisitos prévios à concessão do crédito, e em que o Órgão de Decisão [que tomou a decisão de conceder o crédito], para além de não fazer depender a sua aprovação da concretização das respetivas condicionantes, não deixou evidência escrita que justifique esta decisão".

No período analisado pela consultora, a CGD foi liderada por António Sousa (2000-2004), Carlos Santos Ferreira (2005-2008), Faria de Oliveira (2008-2010) e José Matos (2011-2016).

Após a entrega do documento, Paulo Macedo admitiu a existência de "más práticas" e de "erros", mas sublinhou que a CGD tem hoje "melhor 'governance'" (governança) e gestão de risco do que no passado.

"Sou totalmente contra achar-se que todas as pessoas que passaram pela Caixa são culpadas. De certeza que haverá más práticas, designadamente quando as vemos à luz de hoje, e haverá também erros. Agora achar que qualquer pessoa que tenha passado pela Caixa seja automaticamente culpada e tenha um cadastro, isso não é aceitável", afirmou.

Cerca de duas horas depois de entregar a auditoria à presidente da comissão parlamentar de Orçamento, Teresa Leal Coelho, Paulo Macedo apresentou, em conferência de imprensa, em Lisboa, os resultados de 2018 do banco público.

No ano passado, a CGD teve lucros consolidados de 496 milhões de euros, bem acima dos 51,9 milhões de euros registados em 2017, sendo o segundo ano consecutivo de lucros do banco público, depois de entre 2011 e 2016 os prejuízos acumulados terem superado os 3.800 milhões de euros.

Na conferência de imprensa, a auditoria voltou a ser tema e Paulo Macedo afirmou que o debate em torno do banco público provoca danos na instituição e que mais quatro meses de uma nova comissão de inquérito continuarão a desestabilizar a entidade.

Na ocasião, o presidente não executivo da CGD, Rui Vilar, disse que o banco público está a analisar atos de gestão do passado para, eventualmente, colocar ações de responsabilidade civil sobre ex-gestores.

"Depois de fundamentada em pareceres jurídicos de professores de Direito, a Caixa iniciou, apoiada em advogados, a análise dos casos em que será possível agir para apurar em sede de responsabilidade civil", declarou Rui Vilar.

Na esfera política, CDS-PP, PSD, PS e BE chegaram a acordo para um texto comum sobre o objeto da futura comissão parlamentar de inquérito à CGD, partindo de uma proposta inicial dos democratas-cristãos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu hoje que "os portugueses têm direito a um apuramento daquilo que se passou" na CGD e a saber "se implica ou não responsabilidades".

O primeiro-ministro, por seu turno, disse hoje que o Governo fez o que lhe competia em relação à CGD ao ordenar uma auditoria e considerou que foi "irresponsável" injetar dinheiro no banco público sem apurar a sua situação.

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