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"Não podemos ter a ilusão de que economia a crescer torna tudo possível"

O primeiro-ministro, António Costa, declarou hoje, no debate quinzenal na Assembleia da República, que não se pode ter a "ilusão de que a economia a crescer torna tudo possível", salientando ser necessário "continuar a andar com o passo seguro".

"Não podemos ter a ilusão de que economia a crescer torna tudo possível"

"Não podemos ter esta ilusão de que a economia a crescer torna tudo possível para todos e já. E, é por isso que temos de continuar a andar com o passo seguro que temos feito", disse António Costa, em resposta à coordenadora nacional do BE, Catarina Martins.

O primeiro-ministro considerou ser "verdade que a economia está a crescer, e está a crescer graças à inversão de política" que o Governo levou a cabo desde 2015, e que "foi isso que permitiu relançar a economia em 2016, 2017 e 2018".

"E, apesar de a economia estar a crescer há três anos, apesar de convergirmos pela primeira vez com a União Europeia, a verdade é que o nível do PIB [Produto Interno Bruto], a riqueza nacional, só agora atingiu o nível de 2008", ressalvou.

De qualquer forma, acrescentou o primeiro-ministro, o Governo está a "gastar mais" em saúde e educação, tendo também investido até agora "310 milhões de euros" nos transportes públicos.

Na sua intervenção, a deputada Catarina Martins lembrou que "permanecem estrangulamentos injustificáveis nos serviços públicos" e que "cabe ao Governo dar o passo essencial, ter a humildade de ouvir e a capacidade de dialogar, negociar em vez de empatar, resolver os problemas em vez de os adiar".

A coordenadora nacional disse também ser convicção do partido que o "Governo não adia o problema por incompetência nem por desleixo", mas fá-lo por "estar convicto de que é mais importante a corrida do défice com Bruxelas do que resolver os défices do país, e isso é um erro".

"O problema é quando olhamos para os números do investimento e da despesa em serviços públicos essenciais, vemos que está abaixo em percentagem do PIB [Produto Interno Bruto] do que estava antes", salientou a deputada do BE.

"O que quer dizer que não tem a ver com fazermos já tudo, tudo muito depressa ou de uma vez, [mas] se nós achamos que a educação, a saúde, os transportes precisam ou não dessa fatia da riqueza que produzimos, e cada vez gastamos menos naquilo que é essencial", reforçou.

Alegando que "as tantas negociações de carreiras que não são negociação, são só adiar , que nunca mais chegam ao fim, são uma sombra nesta legislatura", Catarina Martins quis saber também se o Governo tem "um calendário para ter resultados que se vejam em nome destes trabalhadores e dos serviços públicos que deles precisam".

António Costa advogou ser necessário ter em conta o ponto de partida.

"O ponto de partida é que a direita nos tinha levado até ao fundo, e, portanto, nós estamos a vir da terceira subcave e chegámos agora ao nível da rua para podermos continuar e retomar uma trajetória de crescimento que foi interrompida com a crise internacional de 2008", apontou.

Na opinião de Costa, "o problema não é o tratado orçamental", mas sim "continuar a reduzir" a dívida, porque ao reduzir a dívida será possível "libertar recursos para fazer aquilo que faz falta".

Lembrando que na segunda-feira foi liquidada a "última prestação ao FMI [Fundo Monetário Internacional]", o governante referiu que "hoje os juros da dívida felizmente caíram para um nível inferir aos 2%".

"E se esta tendência se mantiver iremos continuar a libertar recursos para podermos fazer mais e melhor investimento", considerou.

O primeiro-ministro considerou também ser necessário "gerir os recursos" disponíveis, mas salientou que o Governo vai "concluir a legislatura repondo os 1.200 milhões de euros que a direita cortou no Serviço Nacional de Saúde" e que atualmente existem "mais nove mil profissionais de saúde".

"E é na mesma base que temos vindo a negociar. E como sabe, aliás, por experiência própria, este Governo negoceia", apontou, afirmando ser assim que tem "feito com a generalidade dos sindicatos" e que "ninguém deseja mais concluir este processo negocial do que o Governo".

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