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Quebra do fluxo de investimento de Portugal para Moçambique desvalorizada

O investimento direto de Portugal em Moçambique começa a dar sinais positivos, apesar da quebra de 152,1% do investimento português até setembro, face a igual período de 2017, defendem responsáveis das duas câmaras de comércio para aquele mercado.

Quebra do fluxo de investimento de Portugal para Moçambique desvalorizada
Notícias ao Minuto

09:51 - 08/12/18 por Lusa

Economia Câmaras de comércio

Rui Moreira de Carvalho, presidente da direção da Câmara de Comércio e Indústria Portugal Moçambique (CCIPM), considera que o importante "é o valor do 'stock', que registou, no mesmo período, um crescimento de 2,1%, face aos primeiros nove meses de 2017, para 981,9 milhões de euros" e estima que o valor possa chegar no final do ano a 1.100 ou 1.200 milhões de euros.

O valor do "stock", o investimento que fica no país de destino, "está a crescer", o que o responsável da CCIPM considera "um bom sinal", ao passo que o fluxo de investimento "não é um bom indicador".

Uma opinião que é partilhada pelos responsáveis, em Maputo, da Câmara de Comércio Moçambique-Portugal (CCMP).

"A CCMP verifica com agrado que nas estatísticas do Banco de Portugal o investimento acumulado de portugueses em Moçambique subiu, quer em 2017, quer em 2018 até ao terceiro trimestre", afirma a CCMP, em resposta por escrito a perguntas colocadas pela Lusa.

Quanto ao fenómeno estatístico de redução pontual de transações, de menos 152,1% nos primeiros nove meses deste ano, apesar do aumento do 'stock' de investimento, a Câmara, em Maputo, remete esclarecimentos para a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal ou o Banco de Portugal. A Lusa contactou estas duas entidades, que não quiseram comentar.

Os dois primeiros trimestres do ano, diz Rui Moreira de Carvalho, caraterizam-se por desinvestimento e por pagamentos de dividendos e, sendo assim, a leitura que faz da quebra do fluxo acumulado de investimento de Portugal em Moçambique é que "até pode ser positiva para ambos os países", porque este dado indica que "há capacidade de repatriar dinheiro em Moçambique".

O fluxo de investimento direto de Portugal em Moçambique no primeiro semestre deste ano caiu ainda mais - 279% face a igual período de 2017 -, o que representou menos 104,4 milhões de euros de capital, segundo os números da AICEP e do Banco de Portugal.

"Um investidor, em qualquer parte do mundo quer ter resultados dos seus investimentos. Ora esse indicador tem de ser mais esmiuçado, porque pode sugerir até um bom estado de ambas as economias, uma que os investidores já estão a retirar dividendos, o que quer dizer que os negócios estão a correr bem. E, por outro lado, que o Estado moçambicano já tem capacidade para deixar sair divisas, o que é um sinal que a economia está a ficar estável", refere o responsável da CCIPM.

O relatório de evolução das economias dos países africanos de língua portuguesa e de Timor-Leste de 2017/2018 do Banco de Portugal, publicado em outubro, citado por Rui Moreira de Carvalho, diz que em Moçambique "um aumento pronunciado da exportação de carvão sustentou a melhoria da posição externa, não obstante a retração de investimento e investidores estrangeiros".

"Porque é que em 2010, 2011, 2012 houve um aumento significativo de investimento direto estrangeiro em Moçambique?", questiona Rui Moreira de Carvalho, para de seguida responder: "Porque havia crise no mercado português e as empresas foram obrigadas a procurar outros mercados".

"Neste momento, como a Europa regista o ritmo de crescimento mais significativo das últimas décadas, qualquer investidor vai tentar consolidar investimentos no seu mercado de origem, onde é mais fácil investir", adianta o presidente da direção da CCIPM.

"Se olharmos para os valores do 'stock', nos dados da AICEP, verificamos que nos primeiros nove meses deste ano tem vindo a aumentar".

Além disso, Portugal tem a quinta posição como investidor externo em Moçambique. Em 2009, ocupava a terceira posição, refere.

O que, na opinião de Rui Moreira de Carvalho, "também é muito bom, porque quer dizer que Moçambique é apelativo e outros países também estão a investir naquele país".

Em 2013, o 'stock' do investimento de Portugal em Moçambique era de 595,5 milhões de euros, enquanto nos primeiros nove meses deste ano atingiu os 981,9, ou seja, um crescimento de 2,1% face a igual perído de 2017. Porém, ainda no primeiro semestre deste ano tinha registado uma quebra de 9,4% comparativamente aos primeiros seis meses do ano passado.

Sobre as dificuldades de acesso ao crédito que as empresas têm no país africano poder constituir um obstáculo ao desenvolvimento de novos negócios, Rui Moreira de Carvalho admite que o problema existe, mas diz haver também "um lado positivo" da leitura desse dado: "É que as empresas que estão em Moçambique têm capacidade para investir com capitais próprios".

A questão cambial também não tem ajudado à concretização de negócios no país, admite a Câmara de Comércio em Maputo.

"Apesar das dificuldades sentidas, com a retração da procura, na sequência da desvalorização cambial, as estatísticas demonstram que "Moçambique continua a ser um destino preferencial do investimento português", adianta, em respostas por escrito enviadas à Lusa.

E "este investimento é particularmente relevante" no país "devido à sua estabilidade, sobrevivendo a ciclos económicos negativos, e à sua diversificação, estando presente em vários setores e contribuindo para a criação de postos de trabalho de longo prazo", acrescenta.

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