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Bancos terão que optar entre escala ou especialização

Os bancos portugueses terão que optar entre escala ou especialização para adequar os seus produtos a um mercado mais segmentado, resultado das alterações tecnológicas e ao aparecimento de novos concorrentes, afirmou hoje o governador do Banco de Portugal (BdP).

Bancos terão que optar entre escala ou especialização
Notícias ao Minuto

11:13 - 29/11/18 por Lusa

Economia BdP

"As instituições financeiras terão que optar entre escala ou especialização, tendo em conta a respetiva capacidade para adequar os produtos a uma segmentação fina do mercado", disse Carlos Costa durante a sua intervenção no Fórum Banca, organizado pelo Jornal Económico e a PwC, que decorre hoje em Lisboa.

"A escala permite a otimização dos custos de produção e a salvaguarda da margem de produtos financeiros destinados ao 'mass market' [mercado em larga escala]. As instituições que não tenham capacidade para atingir a escala requerida terão que equacionar um posicionamento em que vão operar", acrescentou.

Na intervenção, o responsável falou sobre os atuais desafios da banca portuguesa, que enfrenta "um problema de transformação do seu modelo de negócio, de forma a responder às alterações tecnológicas e ao aparecimento de novos tipos de concorrentes".

De acordo com Carlos Costa, a pressão para reduzir custos e acompanhar o desenvolvimento tecnológico deverá conduzir à externalização de funções, criando-se assim um novo paradigma de organização assente na compra de serviços a terceiros (outsourcing).

"Trata-se de uma externalização de funções que decorre da necessidade de comprimir custos e garantir a apropriação dos desenvolvimentos tecnológicos em áreas de suporte, mas determinantes, da prestação de serviços. Essa externalização vai ocorrer tanto com as grandes como com as pequenas instituições financeiras. Todos vão externalizar", disse Carlos Costa, referindo que desta forma, os bancos vão passar a ser dependente de uma rede de servidores que poderão aumentar o risco à estabilidade financeira.

"Os bancos serão a face visível de uma complexa malha de prestadores de serviços", declarou o responsável, sinalizando que a cibersegurança terá aqui um papel fundamental.

Assim, para o governador do BdP, para assegurar níveis adequados e sustentáveis de rendibilidade, os bancos terão de reformular o modelo de negócio para plataformas digitais "com graus de sofisticação elevados", garantindo a atratividade dos produtos e serviços fornecidos e a lealdade dos clientes, aumentando por esta via a capacidade para segmentar o mercado.

As instituições financeiras terão ainda de assegurar investimentos em tecnologia, que em "velocidade cruzeiro" deverão corresponder a 10% a 15% do rendimento, conforme foi sinalizado recentemente pelo Banco Central Europeu.

"Neste novo mundo, qualquer que venha a ser a organização do sistema de pagamentos ou de intermediação da poupança, é fundamental que o funcionamento do sistema financeiro e do mercado de capitais seja guiado por rigorosos critérios de transparência, de tomada e fixação de prémios de risco, de eficiência, de rendibilidade e de sustentabilidade da função de intermediação financeira", concluiu.

Para Carlos Costa, o setor bancário em Portugal apresenta, atualmente, ainda algumas vulnerabilidades, nomeadamente os níveis de ativos não produtivos (NPL), que são ainda elevados tanto em termos absolutos como em termos relativos face a outras jurisdições, e a concentração de exposições a algumas classes de ativos, designadamente a dívida pública, ao mercado imobiliário e a algumas economias em desenvolvimento.

"Estas vulnerabilidades penalizam a rendibilidade e tendem a gerar desconfiança sobre a robustez dos balanços dos bancos", disse.

É por isso "crucial", de acordo com o governador do BdP, que os bancos portugueses continuem a cumprir os planos de redução de ativos não produtivos que oportunamente submeteram às autoridades de supervisão.

"A redução dos ativos não produtivos gerará maior confiança sobre a robustez dos balanços, sobre a rendibilidade e sobre a sustentabilidade das instituições, contribuindo para uma melhoria da sua valorização pelos mercados. Ganham todas as partes interessadas: os acionistas, os colaboradores, os clientes, os depositantes e, acima de tudo, o interesse público", disse.

Cumulativamente, sinalizou, "cria um contexto favorável ao reforço da recuperação da economia portuguesa, à redução do risco de crédito e à melhoria da rendibilidade e saneamento dos balanços".

Tal permitirá aos bancos aumentar a resiliência e responder melhor à progressiva normalização da política monetária e às exigências regulatórias resultantes do ciclo.

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