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Tecnológicas agravam depressão que se vive em Wall Street

A depressão que atinge a bolsa nova-iorquina desde o início do mês de outubro agravou-se hoje, com uma nova queda de empresas tecnológicas e tensões acrescidas no setor da grande distribuição.

Tecnológicas agravam depressão que se vive em Wall Street
Notícias ao Minuto

23:41 - 20/11/18 por Lusa

Economia Bolsa

À hora de fecho da bolsa, o índice seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 1,90%, para 24.542,79 pontos, depois de ter chegado a descer 2,39% alguns minutos antes.

Da mesma forma, o tecnológico Nasdaq recuou 1,36%, para as 6.932,68 unidades, e o alargado S&P500 desvalorizou 1,47%, para as 2.651,29.

No seu conjunto, os índices emblemáticos de Wall Street anularam os seus ganhos no ano de 2018, com exceção do Nasdaq, que limitou alguma perda durante a sessão.

Nesta semana de "Thanksgiving" (Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos da América), em que as variações de mercado se acentuaram devido ao fraco volume de trocas, os índices apresentaram a sua maior volatilidade desde o início do mês.

"As empresas tecnológicas continuam a sofrer, no contexto de diminuição das perspetivas de venda destes grupos que valem muito em bolsa, com as inquietações sobre o seu rumo e a redução da sua produção", comentaram os analistas do Nasdaq.

Símbolo da queda destes gigantes é a Apple.

O fabricante do iPhone já perdeu mais de 22% do valor que atingiu quando fixou um máximo histórico em outubro, após uma série de notas de analistas que reviram em baixa as suas previsões relativas às vendas do telefone emblemático da marca ou sobre a sua cotação bolsista nas próximas semanas ou nos próximos meses.

A mais recente foi uma nota do banco Goldman Sachs, que reviu hoje em baixa a sua perspetiva sobre a cotação da ação, três semanas depois de a empresa ter apresentado, durante a divulgação dos resultados trimestrais, perspetivas de vendas dececionantes de iPhone.

Além da marca da maçã, as outras estrelas tecnológicas das ditas FAANG caíram dos seus recentes máximos: a Facebook 40%, a Amazon 29%, a Netflix 37% e a Alphabet (casa-mãe da Google) 21%.

"Estamos a assistir a uma passagem em revista das empresas tecnológicas no seu conjunto", salientaram os analistas da Charles Schwab.

"Agora, são vítimas de vendas massivas, depois de terem sido objeto de compras massivas", observou, por seu lado, Patrick O'Hare, da Briefing, acrescentando que "as inquietações de uma diminuição generalizada [da atividade económica], de uma valorização demasiada elevada e um contexto regulamentar mais duro pesam".

Depois de terem levado Wall Street a máximos históricos durante este ano, aquelas empresas estão a atravessar agora um outono muito tumultuoso, arrastando o conjunto dos setores, devido ao seu peso.

O setor dos semicondutores, motor da subida dos índices nos últimos meses, também está entre as vítimas desta queda generalizada dos títulos tecnológicos.

A queda mais forte é a da Nvidia, que já caiu 25% desde a publicação de resultados trimestrais considerados dececionantes pelos investidores.

A cotação recuperou hoje bruscamente, depois da divulgação de uma nota de análise de um gabinete seguido em Wall Street, que recomendava a compra do título.

Em todo o caso, a queda contínua do setor tecnológico favorece o relançamento das interrogações sobre um futuro reforço do crescimento.

Estes temores já "franquearam as portas do banco central norte-americano", disse Karl Haeling, da LBBW.

"Comentários recentes sugerem que [o banco central] está a ver numerosos riscos para o crescimento a acumularem-se", acrescentou.

O novo vice-presidente da Reserva Federal, Richard Clarida, assinalou hoje que o crescimento da economia internacional mostrava sinais de enfraquecimento e que isso poderia afetar de forma significativa a economia dos EUA.

Neste clima de receios acrescidos, os grupos da grande distribuição agravaram o contexto, depois de publicarem os seus resultados trimestrais, com o Target a perder 8,58%, o Kohl's 9,29% e o Lowe's 2,77%.

"As razões são diversas, mas incluem o receio de pressões sobre as margens, de acumulação de 'stocks' e de vendas mais fracas do que previsto", estimou Patrick O'Hare, da Briefing.

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