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Situação económica de Portugal não deve impedir investimento em Angola

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal Angola (CCIPA), João Traça, considerou hoje à Lusa que apesar da boa situação económica portuguesa dificultar a aposta em Angola, os empresários não devem desperdiçar as boas oportunidades.

Situação económica de Portugal não deve impedir investimento em Angola
Notícias ao Minuto

06:30 - 15/09/18 por Lusa

Economia Angola/PM

"O facto de em Portugal a economia estar tão boa torna muito difícil investir noutros países; Portugal tornou-se demasiado apetitoso, mas depois virá uma crise e depois vamos dizer que não aprendemos, mas os empresários nacionais têm uma grande ansiedade em investir em Portugal e por isso perdem muitas oportunidades em Angola e noutros países", defendeu o presidente da CCIPA.

Em entrevista à Lusa nas vésperas da visita do primeiro-ministro a Angola, a primeira de um chefe de Governo desde a ida de Passos Coelho, em novembro de 2011, João Traça vincou que a presença de António Costa em Luanda é importante no contexto político, mas também, e principalmente, na vertente económica.

"A visita é importante do ponto de vista político porque houve uma alteração do chefe de Estado, e isso por princípio significa que vai haver uma nova visão para o país; em termos políticos é importante sinalizar-se que é preciso haver boas relações entre os dois países", disse o advogado da Miranda Law Firm.

"Do ponto de vista económico, a visita é mais relevante ainda porque a crise da economia angolana tem obviamente afastado algumas empresas, mas também porque a economia portuguesa tem estado a correr muito bem, e portanto os nossos empresários não estão muito vocacionados, neste momento, para investir no estrangeiro, e apenas as empresas com vocação verdadeiramente internacional continuam a olhar para Angola da mesma maneira", vincou João Traça.

Esta menor apetência pela internacionalização, vincou, deve ser colmatada porque Angola está a entrar num ciclo de acolhimento de investimento externo, encarado como uma das principais armas para relançar a economia e fortalecer a diversificação económica de que o país precisa.

"Neste momento em que Angola vai começar a tomar decisões sobre o seu futuro económico, é muito importante que os empresários portugueses estejam presentes para conseguirem fazer parte da lista de empresas que vão estar presentes nas oportunidades", disse, lembrando as visitas que o Presidente da Angola fez a países como Espanha ou Alemanha para potenciar o investimento das empresas desses países em Angola.

"Esse investimento externo, para a escala de Angola, é bastante maior do que aquilo que as empresas portuguesas poderiam, só por si, acompanhar, po risso é importante olhar para esta nova leva de investimentos estrangeiros que mais tarde ou mais cedo vai entrar na economia angolana", pelo que as empresas portuguesas devem decidir estrategicamente se querem juntar-se a outras internacionais ou se querem continuar a apostar numa relação bilateral.

Questionado sobre a importância do estabelecimento de uma nova linha de crédito e de acordos políticos como a eliminação da dupla tributação, duas medidas cuja divulgação deverá ser feita para a semana, em Luanda, João Traça concordou com ambas, mas disse não saber os montantes nem os contornos das medidas.

Sobre os atrasos nos pagamentos às empresas portuguesas, salientou que esse problema não afeta apenas as empresas portuguesas, sendo "um problema de todas as empresas estrangeiras que investiram em Angola, que ficaram condicionadas por um problema que é a crise da economia angolana".

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