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Bancos saem de África porque é muito caro cumprir regras dos reguladores

O vice-presidente do Afreximbank, Amr Kamel, disse hoje à Lusa que alguns bancos internacionais estão a sair do continente não pelos riscos, mas sim pelo preço do cumprimento das regras e devido à pequena dimensão das economias.

Bancos saem de África porque é muito caro cumprir regras dos reguladores
Notícias ao Minuto

10:04 - 13/07/18 por Lusa

Economia Afreximbank

"Nos anos 90, saíram por causa do risco, mas agora é pelo custo da 'compliance', porque o risco não está em África, mas África é sempre apanhada nos problemas do mundo, disse o vice-presidente executivo como pelouro do desenvolvimento dos negócios e banca corporativa.

Em entrevista à Lusa à margem dos Encontros Anuais do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank), Amr Kamel defendeu que a saída ou diminuição de operações de algumas das maiores instituições financeiras "deve-se, primeiro, à perceção de riscos altos em termos de cumprimentos das regras e regulamentos ['compliance'], e segundo porque o tamanho das pequenas economias não faz sentido para uma filial de um banco que vive de pequenas margens em grandes volumes".

As multas por falhas no cumprimento das regras definidas pelos reguladores internacionais são demasiado caras, argumenta o banqueiro: "A 'compliance' é muito cara, especialmente com o tipo de multas que um banco recebe se for apanhado a, por engano, financiar um cliente que está numa qualquer lista proibida".

Exemplificando com um banco que fatura 10 milhões de dólares num país africano, Kamel vincou que "isso é equivalente a um cliente médio nos Estados Unidos ou na Europa, e por isso não vale a dor de cabeça que traz".

Na entrevista à Lusa, Amr Kamel lembrou que o Afreximbank nasceu nos anos 90 na sequência da crise financeira da América Latina, "quando os bancos ou começaram a sair ou só emprestavam com taxas proibitivas", sendo, por isso, "um filho da necessidade" de encontrar maneiras de garantir o financiamento.

O banco, disse, não se limita a emprestar dinheiro: "Fazemos tudo o que facilita os negócios, não só as exportações, em quatro pilares principais, que são a promoção do comércio intra-africano, a industrialização e o desenvolvimento, o financiamento ao comércio e, do ponto de vista interno, sermos um centro de excelência com finanças fortes".

Questionado sobre a pouca visibilidade do Afreximbank fora de África, Amr Kamel respondeu que o banco é muito conhecido no mundo das finanças, e exemplificou que a Mota Engil é um dos seus clientes.

"Estamos a fazer muito negócio com a Mota-Engil, nos últimos anos cooperámos com eles de forma muito significativa, demos consultoria sobre África e também estamos a procurar fazer financiamentos em muitos negócios, portanto apoiamos qualquer empresa europeia que queira trabalhar em África", disse.

O Afreximbank, cujos Encontros Anuais decorrem até sábado em Abuja, a capital da Nigéria, é um banco de apoio ao comércio, exportações e importações em África e foi criado em Abuja, em 1993. Tem um capital de 5 mil milhões de dólares e está sediado no Cairo.

Os acionistas são entidades públicas e privadas divididas em quatro classes e dele fazem parte governos africanos, bancos centrais, instituições regionais e sub-regionais, investidores privados, instituições financeiras, agências de crédito às exportações e investidores privados, além de instituições financeiras não africanas e de investidores em nome individual.

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