Diogo Salomão: O Sporting, a vida em Espanha e o sonho por cumprir

Em entrevista ao Desporto ao Minuto, o extremo português admite estar a viver um dos melhores momentos da carreira e recorda as temporadas passadas em Alvalade.

© Mallorca
Desporto Entrevista

Aos 28 anos, Diogo Salomão cumpre a sua sexta temporada no futebol espanhol, desta feita no Mallorca, clube que representa desde janeiro, quando deixou Alvalade.

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Em entrevista ao Desporto ao Minuto, o extremo aborda os seis anos passados de ligação ao Sporting, mas também o que ainda lhe falta alcançar na carreira.

“Procuro o meu lugar e ter minutos para me mostrar”

Como têm corrido estes primeiros meses no Mallorca?

Já conhecia bem o campeonato e também tive a sorte de conhecer o treinador, que me treinou no Deportivo, e alguns dos companheiros que estão cá neste momento.

Isso é sempre bom na adaptação a um clube. Vim para ajudar no objetivo de subida de divisão. O Mallorca quer voltar à primeira divisão, onde teve muitos anos seguidos. É algo que pretendia, que buscava para o meu futuro. Estamos na busca desse sonho, que não é fácil pela competitividade que há na Liga espanhola. Das 24 equipas, 18 querem subir. Toda a gente tem essa ambição e lutam por esse objetivo. É muito complicado, mas temos esperança e vamos lutar por isso até ao final.

Notou uma grande diferença em relação ao Deportivo?

Não.Tanto o Deportivo como o Mallorca são clubes históricos em Espanha. Não está em causa aquilo que um ou outro ganhou no passado, são clubes com uma boa estrutura, que têm uma massa adepta importante. Claro que se nota um pouco a situação que o clube tem vivido, já há quatro anos que o Mallorca está na segunda divisão. O objetivo é subir e não têm conseguido. Mas tem havido uma paciência enorme, quer por parte dos dirigentes, quer por parte dos jogadores que têm lutado por esse objetivo.

O início de época não tem sido fácil, com apenas duas vitórias nos nove primeiros jogos...

A segunda Liga aqui é muito complicada, há muitas equipas que querem subir e a competitividade é muito grande. Mas queremos dar a volta ao início de época que tivemos, que não era o desejado. Nas primeiras jornadas estávamos nos lugares de baixo da tabela e, para quem quer subir de divisão, esse não pode ser o caminho a seguir. Estamos a dar a volta aos poucos, já conseguimos uma vitória no último jogo, que foi importantíssima para nós a nível de motivação, e, claro, queremos manter-nos assim.

O Diogo tem lutado por um lugar no onze. O grande golo na Taça do Rei pode ter sido importante nesse sentido?

Sinto-me bem, estou num nível de confiança bastante alto, especialmente depois deste último jogo, em que as coisas saíram bem. A nível coletivo, a equipa está a render, não se pode apontar nada a nível de esforço. Mas a verdade é que os resultados não nos estão a acompanhar. A nível pessoal, estou satisfeito por tudo: pelas condições que o clube oferece, pela maneira como se vive em Maiorca... Quando os resultados derem a volta, toda a gente estará mais feliz. Como todos os jogadores, procuro o meu lugar no onze e ter minutos para me mostrar dentro de campo.

De que foi à procura quando assinou pelo Mallorca?

Tive a mesma ideia do que quando fui para o Deportivo: ter um percurso ascendente, é aquilo que espero aqui no Mallorca. No Deportivo encontrei uma equipa histórica que tinha acabado de descer à segunda divisão e com o objetivo de regressar o mais depressa possível à primeira. Esse é o objetivo aqui, estamos na mesma direção e isso é importante. Espero que se realize esse sonho. Apesar das dificuldades que teremos pelo caminho, acredito que é possível.

A nível pessoal, o objetivo passa por competir com jogadores como Ronaldo ou Messi regularmente?

Sim, é sem dúvida uma das melhores Ligas do mundo. Os grandes talentos do futebol estão aqui em Espanha e, sempre que se tem a oportunidade de jogar contra grandes clubes europeus e grandes jogadores a nível mundial, é o ponto alto da carreira de qualquer jogador. Todos desejam esse tipo de jogos e é isso que procuro, estar ao mais alto nível e ter esse tipo de oportunidades.

“Fui apanhado de surpresa com a saída do Sporting”

Esperava uma ascensão tão rápida quando chegou ao Sporting?

Tive um salto muito grande. Em 2010 estava no Real Massamá, na segunda B, e dei o salto para um clube grande de Portugal, que me deu uma direção na carreira, permitiu-me estar a um grande nível no futebol português, que era o que desejava. Para mim foi muito importante. A nível pessoal, esse ano correu-me muito bem. Tive 17 jogos a titular, marquei golos na Liga Europa e, no ano a seguir, a decisão do Sporting passou por emprestar-me. Dentro das opções que tinha, o Deportivo foi o clube que escolhi para continuar a carreira.

Na altura, quando estava no Real Massamá, sentiu que vinha a ser acompanhado?

Na altura havia um protocolo com o Sporting, havia vários jogadores emprestados, que tinham subido de juniores a seniores. Os jogos eram acompanhados por dirigentes do Sporting, sabia porque também os via na bancada. É uma motivação extra para um jogador jovem, que quer dar nas vistas. Foi por aí que me agarrei. Sabia que saltar da segunda B para um grande português era difícil e algo que poucos jogadores tinham conseguido, mas sempre tive fé no meu trabalho. Nunca desisti, apesar de ter tido vários contratempos enquanto jovem, como ser dispensado de alguns clubes, o que faz parte da carreira de muitos miúdos quando começam. Tive sempre o objetivo de um dia poder chegar a profissional e, se fosse possível, num grande clube. Isso aconteceu logo no ano a seguir e, para mim, foi um orgulho enorme.

O que não correu tão bem para ser emprestado no final da época?

Não sei, sinceramente... A nível pessoal foi uma temporada muito boa. Cumpri aquelas que podiam ser as expetativas para um jogador que acaba de vir da segunda B, que é jovem. Considero que fiz uma boa temporada e fui apanhado um bocado de surpresa. Mas pronto, as decisões são assim, o futebol é assim. Se não funcionou no Sporting naquela altura, tinha que buscar outra solução para a minha carreira.

Sente que foi vítima do momento conturbado pelo qual passava o clube?

Naquela altura, o Sporting encontrava-se numa fase mais indefinida, em que havia alguma turbulência, mas acabámos por conseguir o terceiro lugar na última jornada, frente ao Sporting de Braga.

E essa fase está completamente ultrapassada?

O Sporting é um clube que tem de competir com os outros dois grandes de Portugal. As exigências são grandes e as expetativas também. Sabemos que, nos últimos anos, o Sporting não tem conseguido aquilo que procura há algum tempo. Mas as coisas estão a endireitar-se para que o Sporting esteja mais perto daquilo que ambiciona.

Quando foi cedido pela primeira vez, o presidente era José Eduardo Bettencourt, mas quando voltou, em 2013, já era Bruno de Carvalho. Notou grandes diferenças?

Há coisas que os jogadores não estão a par, que não nos chegam a afetar. São coisas de administração, que são resolvidas por eles, e nós limitamo-nos a fazer o nosso trabalho. Sempre houve organização, grandes condições e isso está à vista de todos. Tem uma das melhores Academias, ninguém pode duvidar do trabalho que ali feito.

E no que toca a treinadores? Trabalhou com Paulo Sérgio, José Couceiro e Leonardo Jardim...

Tive boas relações. Durante o tempo que passei em Alvalade dei-me bem com toda a gente e não tenho nada a apontar. Fiz o meu trabalho, respeitei quando as opções não recaíram sobre mim. Quando estive com o Leonardo Jardim não tive muitas oportunidades, acabei por fazer dois ou três jogos. Em dezembro voltei a procurar uma solução para o meu futuro, é o normal na nossa vida, na nossa carreira de jogador. A solução voltou a passar pelo Deportivo, onde estive mais seis meses.

Quais são as melhores memórias que guarda do Sporting?

Os golos são sempre momentos que marcam a carreira de um jogador, e a oportunidade de fazê-los na Liga Europa também. Foi a única vez em que tive a possibilidade de competir nessa prova e marquei ao Levski e ao Gent, isso ficará sempre na minha memória.

Guarda alguma mágoa?

Não, não tenho nenhum arrependimento nem mágoa. Fiz o meu trabalho enquanto lá estive, fui profissional e nada mais. O meu tempo de contrato chegou ao fim, a vida segue.

“Não vou desistir de cumprir o sonho de chegar à seleção”

Aos 28 anos, sente que está no seu pico de forma?

Costuma dizer-se que o pico de forma de um jogador é entre os 27 e os 28 anos, quando se atinge a maturidade, o conhecimentos e ainda se tem frescura física. Por isso, sim, sinto que estou num bom momento. O objetivo é mantê-lo e, se possível, subir de rendimento. Vamos ver o que futuro reserva.

E ainda pensa em chegar à seleção portuguesa?

É o sonho de qualquer jogador, não vou esconder. Mas sabemos que a concorrência é forte, principalmente na posição em que jogo. Com a qualidade que tenho e o tempo a passar, é uma dificuldade e uma barreira acrescida. Não vou desistir de cumprir esse sonho, mas sabemos que é muito complicado.

Gelson foi recentemente chamado para essa posição. Vai agarrar o lugar?

Sim, há muitos miúdos que estão a aparecer, que têm qualidade e um futuro brilhante pela frente. Agora tudo vai depender do fator sorte. No futebol, conta muito estar numa boa forma no momento certo. Têm todo o caminho pela frente, estão em grandes montras, e podem demonstrar o seu futebol ao mais alto nível.

Apesar de estar feliz em Espanha, pensa voltar a jogar em Portugal?

Neste momento, estou satisfeito aqui. Vamos ver o que o futuro reserva, nunca está fora de questão um regresso a casa. Nunca fica fora de questão regressar a casa e jogar numa Liga onde iniciei a carreira. Vamos ver.

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