Executada ao vivo e com transmissão mundial em direto a partir do Fórum Grimaldi, no Mónaco, a performance constituiu o que o artista considera "uma das suas ilusões mais originais e complexas em termos técnicos" até hoje.
"Artisticamente, também foi um dos momentos mais bonitos da minha carreira, porque envolveu uma grande componente poética, contou uma história e teve ainda o simbolismo da despedida associado ao fim da utilização das bolas", explica Mário Daniel à Lusa.
No seu site institucional, a própria UEFA antecipara a mudança ao anunciar que o sorteio da Liga Europa e o da Liga Conferência passariam a realizar-se em simultâneo, num evento combinado que se propunha garantir maior foco a ambas as competições e respetivas equipas.
"Nenhuma bola será utilizada nestes dois sorteios. O software sorteará os adversários de todas as equipas de uma só vez, de acordo com os princípios do sorteio, incluindo os relativos a quem joga em casa e quem joga fora", adiantava a organização, assinalando assim "uma nova era nas competições masculinas da UEFA".
Hoje, durante a cerimónia, o vice-secretário geral dessa estrutura, Giorgio Marchetti, acrescentou que reunir os dois sorteios "num espetáculo especial" era "um reflexo da evolução observada nas próprias competições" e garantiu: "Duas competições, um palco, uma celebração do futebol europeu. (...) Um novo capítulo será escrito por estes 72 clubes".
A colaboração de Mário Daniel com a UEFA esteve a ser preparada desde maio, com vista ao desenvolvimento de uma performance que permitisse erradicar de modo emblemático o antigo formato de sorteio dos jogos da Liga.
"O conceito foi desenvolvido para fazer desaparecer as bolas de uma forma especial. Na realidade, já há alguns anos que o sorteio era um formato híbrido entre o físico e o digital, mas a UEFA queria marcar este fim de ciclo de uma forma diferente e foi para isso que nos contratou", revela Mário Daniel.
Foi assim que a equipa portuguesa desenvolveu uma ideia que, envolvendo o trabalho de profissionais de várias áreas, "resultou numa tecnologia inédita e original".
"Não podemos revelar muitos detalhes técnicos sobre o que fizemos, mas posso dizer que, quando me ponho a imaginar formas de fazer desaparecer bolas num sorteio, sem olhar a limitações físicas ou de qualquer outra ordem, não consigo encontrar uma ideia que supere a nossa", afirma Mário Daniel.
Adiantando que a tecnologia em causa pode ser aplicada em vários domínios do entretenimento e deverá gerar interesse no setor, o ilusionista promete agora incorporá-la nos seus próximos espetáculos.
Acompanhada por música composta para o efeito por Pedro Marques, habituado a projetos cinematográficos e autor de bandas sonoras como a da série da Netflix "Rabo de Peixe", a performance de Mário Daniel -- batizada com o nome "The farewell of the balls / A despedida das bolas" -- ainda está disponível nos canais oficiais da UEFA e também poderá ser apreciada nas redes sociais do artista.
Leia Também: FC Porto e Sporting de Braga 'partilham' metade dos rivais na Liga Europa