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Frederico Varandas em entrevista: Recandidatura, rivais e Rúben Amorim

Presidente do Sporting falou nesta segunda-feira aos sócios e adeptos. Anunciou ir a votos uma vez mais, reconheceu o ponto mais baixo do mandato, respondeu sobre Bruno de Carvalho, árbitros, claques e sua posição, o mercado e o suposto interesse em Marcus Edwards, Rúben Amorim e os rivais, principalmente sobre Pinto da Costa, com revelações à mistura.

Frederico Varandas em entrevista: Recandidatura, rivais e Rúben Amorim

Frederico Varandas concedeu uma entrevista nesta segunda-feira à CNN Portugal. As declarações ficaram marcadas pelas revelações do presidente do Sporting sobre a sua recandidatura, sobre as tentativas de terceiros de desviar Rúben Amorim de Alvalade e ainda sobre a relação que rapidamente azedou com Pinto da Costa, de quem confessou que recebeu um processo-crime por declarações atentatórias quanto à prestação do dirigente do FC Porto no futebol português.

Numa conversa extensa, Frederico Varandas abordou ainda a situação do Sporting no mercado, deixando no ar a vontade de contratar, mas a falta de recursos, falou sobre a relação com as claques, com uma posição que se mantém desde que chegou à presidência dos leões. Admitiu ainda que sabe quem vai ajuizar os jogos do Sporting com antecedência, mas que não faz questão de criticar as arbitragens, e pediu aos adeptos do Sporting para não fazerem chacota com Bruno de Carvalho para bem do clube.

A entrevista na íntegra.

Recandidatura: Não foi um tabu. Serei novamente candidato. Isto exigia que a minha equipa também o quisesse ser. Falei inicialmente com a minha família, este é um cargo que considero extremamente egoísta porque, ao contrário dos restantes empregos e funções, este afeta as pessoas à nossa volta. Nunca pensei em não terminar o mandato. Quando decidi candidatar-me, acreditei que venceria e que o rumo que queríamos levaria o clube ao sucesso. Também sei que essa foi uma das armas para alcançarmos o sucesso, o não pensar na recandidatura. Saberíamos que muitos sócios, grupos de adeptos, não iriam aceitar. (...) 40 anos de insucessos não se explicam facilmente.

Balanço do mandato: Foram três anos e meio muito duros e queria agradecer a todos os que entraram neste projeto. Já tinha noção do que era o Sporting, mas foi duro e afetou a vida particular e privada de todos.

Rogério Alves: Não continua. Quando o Sporting tinha assegurado o título, ele conversou comigo e disse que isto afeta muito a vida privada e pediu para sair.

Remodelação na direção: Nós tínhamos a informação de que, a nível da magistratura, ia ser complicado [ser aceite a presença de magistrados na direção de um clube]. Foram feitos pedidos por magistrados para cumprirem funções e foram uns recusados e outros aceites. (...) O futebol tem importância brutal neste país, na nossa cultura. Já ouvi dizer que o futebol é um pântano, então vamos deixá-lo ali, que os dirigente são corruptos, e eu não posso aceitar que se fale assim do Sporting. Acha que alguma vez um juiz desembargador ou um procurador-geral vai aceitar o meu convite sabendo que lhe posso manchar o bom nome? (...) Se alguma coisa está mal, é porque a justiça não funcionou. Não é porque está ali um procurador-geral num clube. Desde padres, juízes, médicos, todos se preocupam com o seu clube. Agora, se há problemas no futebol, se há bandidos, vamos tratar deles.

Objetivo nas próximas eleições: Eu sou um democrata. por um voto se ganha, por um voto se perde. Nas primeiras eleições eramos sete candidatos. Eu não me preocupo com quem se vai candidatar nestas eleições, se são seis ou sete. Eu quero é ganhar. Eu disse em 2018 que a minha missão era chegar ao final do mandato e deixar o clube numa melhor situação. Se eu hoje não me decidisse recandidatar, não deixaria o clube melhor, deixaria sim muito melhor. (...) É um ato de paixão e de quem a viveu desde que nasceu e que festejou o primeiro campeonato com 20 anos de idade. Levava com as brincadeiras, que o Sporting era o terceira grande. Fomos uma geração muito resistente. Lembro-me de ir ao antigo Alvalade e ver o autocarro do Sporting e ficar contente. Quando vou aos jogos fora, o autocarro sai com a equipa e são milhares de sportinguistas, miúdos, com a camisola com o símbolo de campeão nacional vestida. O que lhes interessa é que ali dentro vai o Sporting que vai jogar e vai ganhar. Eu depois penso: "A missão está cumprida". Penso que muito se fez nestes anos para se diminuir a distância para os rivais, mas ainda não está feito, ainda não se reduziu o fosso. 

Longevidade na direção: Se estiver no Sporting por 40 anos, é muito mau sinal para o Sporting.

Confusão em Vizela: Falei com o Nuno Santos e disse o que pensava. Ele é um jogador profissional, foi decisivo para sermos campeões nacionais. Eu sei que vou ser insultado, ele sabe que vai ser insultado. Não vai ser castigado internamente, foi sim repreendido e sabe que fez mal.

Respeito pelo Sporting: Como presidente, fico muito contente que as pessoas achem que o Sporting é fraco. Gostava que essa opinião continuasse, era um favor. O Sporting tem uma maneira muito clara e transparente de lutar por um futebol íntegro, saudável, positivo. Considero sem duvida que a arbitragem está muito melhor. A herança deixada a Fontelas Gomes foi muito complicada. (...) Todos nos lembramos da arbitragem nos anos 80, 90, 2000. Acho que tem sido feito um trabalho positivo. Está perfeito? Não, mas os clubes também não são perfeitos. O VAR tem sido uma ferramenta fundamental.

Arbitragens: O respeitar não é o fazer barulho. O Sporting fala pouco, fala institucionalmente quando tem de falar, tem tido várias reuniões com Fontelas Gomes. (...) Nunca critiquei o árbitro do jogo. Dou sim o feedback de como as coisas podem correr.

Belenenses SAD-Benfica: Isso já foi muito falado. O que noto é que não aconteceu nada semelhante noutros campeonatos, e não tem nada a ver com Benfica ou Belenenses SAD. Não devia ter havido jogo, é a minha opinião. É um jogo no qual ficam os números, o melhor ataque ficou lá.

Ponto mais baixo da presidência: Sou confrontado no dia-a-dia e há pouco tempo pediram-me para fazer uma aplicação do Sporting, mas isso, para ficar bem feito, pode custar milhões. Por vezes, quem está do lado de lá não percebe a escassez financeira. (...) O rumo não tem sucesso imediato muitas vezes. Apostámos num processo alicerçado na formação, reduzimos a folha salarial em 18 milhões de euros e sabíamos que ia haver percalços a nível desportivo. Se poderia ter o treinador que queria em 2018? Podia. E a capacidade financeira? Agora é mais fácil. Dizem que o Sporting contratou Rúben Amorim e inverteu o rumo, mas é mentira. Quando o Sporting termina em quarto lugar em 2019/20, e isso foi o momento mais negativo do nosso mandato, nesses dois anos de mandato reduzimos em cerca de 10 milhões de euros a folha salarial. Diziam que estava morto. O mais fácil era chegar ao pé do Zenha [administrador] e dizer que tínhamos de inverter, de gastar para vencer. O melhor é que na época em que fomos campeões ainda reduzimos mais oito milhões na folha. (...) Na lista com os custos dos três grandes, o Sporting foi campeão nacional com 60% dos custos operacionais de Benfica e 64% de FC Porto. Quero dar mérito ao treinador, ao diretor desportivo e aos jogadores. Têm mérito enorme.

Bruno de Carvalho: Com opiniões fico sempre lisonjeado, se elas foram positivas. Não é por dizerem que fizemos um grande trabalho ou um muito mal trabalho que vamos mudar o nosso rumo. Sei que hoje tudo é maravilhoso, sei que muitos títulos vão ser disputados até ao último minuto. O sucesso não é eterno e sei que vai chegar a hora em que a bola não vai entrar e que o 'fulano tal', que foi essencial para ganharmos o título, vai ser depois incompetente, incapaz. Existe uma linha de trabalho, um processo. (...) Jamais vou fazer juízos de valor sobre a vida pessoal de Bruno de Carvalho. No Sporting, o assunto Bruno de Carvalho está arrumado pelo sportinguistas. Bruno de Carvalho foi e será ex-presidente do Sporting. Peço aos sportinguistas que não façam chacota de Bruno de Carvalho porque isso afeta a imagem do clube.

Claques: Fui muito claro quando vencemos o campeonato e quando discursei. O Sporting precisa da paixão dos sportinguistas e este mandato serviu para eles conhecerem a nossa forma de pensar. As claques, os núcleos, existem por causa do Sporting, e não pode ser o contrário. Tenho visto um apoio incondicional às equipas do Sporting no estádio e no pavilhão.

Interesse em Marcus Edwards: Tenho de defender os interesses do Sporting. O nosso objetivo é manter o plantel que temos. Temos um departamento altamente profissional de scouting, estamos a ver jogadores em todos o lado. (...) Negociar Tabata em troca está fora de questão. O Edwards é um jogador que agrada à estrutura do Sporting, ao treinador do Sporting, mas já interessava antes e não aconteceu nada. À data de hoje, dificilmente haverá mexidas no mercado e ficaria muito contente se conseguíssemos manter este plantel. Tenho um treinador que, para além de um tremendo treinador, é muito solidário. (...) O meu objetivo é reforçar melhor o Sporting e se pudesse ter mais um central e um ponta de lança, seria bom. Mas eu agarro-me ao que é possível e esqueço o impossível.

Rúben Amorim: Nunca liguei muito ao que diziam e ao que achavam dele. Se o fizesse, não o tinha contratado. Foi estratégia, foi decisivo porque no final da época ele estaria num rival. Quando fechámos com ele, já haviam pressões para que ele não assinasse com o Sporting na esperança de ir para outro lado. (...) A função de um presidente é contratar, ir buscar, conseguir reunir os melhores recursos. Depois, o que é injusto no futebol? É que eu posso ter a melhor estrutura, mas o treinador depois falha e a estrutura passa por incompetente. (...) Ele é um treinador jovem, vai fazer 37 anos, está pelo primeiro ano na Liga dos Campeões, logo nos 'oitavos', é campeão nacional, está na Taça da Liga e na Taça de Portugal. É um treinador brilhante, um homem normal como o presidente, como os administradores, é um excelente líder, um condutor de homens. Ele tem contrato até 2024, que ele próprio quis assinar. (...) Saída nesta época não é hipótese. Ele é inteligente, está a crescer, tem as condições ideais para crescer. Se calhar, não vai estar 10 anos no Sporting, vai estar oito, sete, quatro... Ele é um homem feliz no Sporting, para mim é um não-assunto. Sofremos para ter Rúben Amorim, agora parece que sofremos por ter Rúben Amorim.

Trocas de jogadores com o FC Porto: Vou falar pela parte do Sporting. Não se pôs isso no relatório de contas. Fizemo-lo pelo valor dos jogadores. Foi assim com o Gonçalo Esteves, que está a jogar agora na equipa principal, e com o Marco Cruz, que é ainda mais jovem e que tem potencial. Fizemo-lo do ponto de vista desportivo. Por que razão o FC Porto o fez? Terá de lhes perguntar.

Aliança Benfica-FC Porto: Não tenho nenhum sinal de que haja essa aliança, nem me preocupa. O Sporting tem feito o seu caminho sozinho, muitas vezes orgulhosamente só. Desconheço totalmente e nem me interessa.

Luís Filipe Vieira representa futebol marginal? O que nós dizemos há mais de três anos e meio é que defendemos a transparência.  Estes casos, para mim, não são novidade nenhuma, nem para ninguém. Não acredito que a montanha vai parir um rato, acredito que estas escutas, as que realmente interessam, de quem é arguido, devem se pegadas e investigadas.

Pinto da Costa: Tenho um processo-crime que o presidente Pinto da Costa me colocou, mas não tiro uma vírgula ao que disse. Disse o que todos os portugueses pensam. É por haver pessoas que não se importam que Portugal está mais atrasado. Dizem que tive coragem, só disse o que acho. Existe um estado de direito que nos deixa dizer o que quisermos. Não espero ser condenado. (...) Já viu a gravidade das escutas de 2004, quando temos um presidente de viva voz a oferecer prostitutas por árbitros? (...) Os valores para mim devem existir. (...) Não vai haver no Sporting familiares de presidentes a serem agentes, a negociarem jogadores. Isso é algo que me orgulha.

Leia Também: Rúben Amorim recebe 'reforço' no regresso do Sporting aos treinos

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