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"Jamais aceitaria ser o príncipe herdeiro do Benfica"

O antigo futebolista assumiu a liderança do clube no passado dia 9 de julho.

"Jamais aceitaria ser o príncipe herdeiro do Benfica"

Rui Costa concedeu, nesta quinta-feira, a primeira entrevista na condição de presidente do Benfica, desta feita à TVI.

Recorde-se que o antigo futebolista assumiu a liderança do clube a 9 de julho, na sequência do envolvimento de Luís Filipe Vieira no caso da Operação Cartão Vermelho e que forçou o antigo presidente, depois da suspensão, a retirar-se de forma definitiva do comando diretivo das águias.

Confira abaixo as declarações de Rui Costa: 

Quando foi a última vez que falou com Vieira? Foi na terça-feira, na véspera de Luís Filipe Vieira ser detido. Na quarta-feira, quando cheguei ao Seixal, já não consegui estar com ele.

Detenção de Vieira: Fiquei perplexo. Jamais podia sonhar com aquela quarta-feira. Nunca ninguém pensaria que o dia ia terminar da forma como terminou. A emoção foi dramática naquele momento. Nos últimos tempos no Benfica temos tido várias buscas, mas nada tinha resultado em incriminação, mas naquele dia resultou. De jogadores a funcionários, a detenção de Vieira foi um enorme abalo. 

Inocência de Vieira: Até hoje acredito nisso, ele ainda não foi acusado. Custou a aceitar o que sucedeu a Vieira. Parece uma situação surreal, e no início via tudo isto como um filme. 

A exclusão do nome de Vieira do primeiro discurso como presidente: Eu compreendo que na cabeça de gente fez muito sentido, mas não podemos apagar a obra que Vieira construiu e que deixou feita. No meu discurso apenas pensámos no Sport Lisboa e Benfica, é o clube que está acima de qualquer pessoa. O nome de Vieira foi retirado do meu discurso, porque só estávamos a pensar no clube e no empréstimo obrigacionista que iamos ter. A prioridade era defender de forma intransigente os interesses do clube naquele momento, e os dele também. Não vamos excluir nunca Vieira da história do Benfica. 

Empresa footlab: Considero este caso uma canalhice. Não vale tudo para denegrir a minha imagem. O Footlab não é uma casa de agenciamento de jogadores mas sim um espaço aberto ao público para aluguer de campos, para aniversários ou clubes, para divertimento e não agenciamento. Acredito que quem referiu isso sabe perfeitamente o que é o Footlab. Criei para o futuro dos meus filhos e não preciso de tirar de lá o meu nome ou escondê-lo. É das partes que mais me toca. Não sou imune a críticas, quero ser avaliado como presidente mas não conseguem tocar na minha honra e sobretudo no meu amor pelo clube. Não preciso de recuar ao verão de 1993 ou quando voltei. Não permito isso a ninguém.

Orgulho é o que sente neste momento? Entrei aos nove anos para o Benfica, tive 12 anos fora e nunca esqueci o Benfica. Eu nunca esqueço o Benfica. E para mim é um prazer servir o Benfica. Se não aceitasse o convite para ser presidente era o maior ato de cobardia que cometia na minha vida.

Como reage às palavras de Vieira que disse - 'Eles fizeram-me isso?! - em reação à sua tomada de posição como presidente do Benfica: Não é fácil estar na situação de Luís Filipe Vieira e para mim também não foi fácil apresentar-me naquele dia. Porque de um lado estão os interesses do Benfica e do outro estão os de Luís Filipe Vieira. Eu tive de separar as águas e a própria direção teve de separar as emoções. Mas o importante sempre foi defender os interesses do clube.

Vai candidatar-se às próximas eleições? Toda a gente que trabalha comigo está proibida em falar em eleições. Eleições vão haver e serão marcadas, mas na minha forma de ver as coisas o importante é preparar o futebol e as modalidades e recuperar a estabilidade no clube. Tenho tempo para pensar em eleições. Não vou desfocar-me nem um milímetro do que é a minha missão. Eu não aceito ser príncipe herdeiro deste clube.  Jamais aceitaria ser príncipe herdeiro, apenas por vontade dos sócios. Admito rever os estatutos mas não neste período. Temos de adaptar às novas realidades e aos desejos dos sócios.

Auditoria: Foi pedida para perceber o que se está a passar com este processo. Não temos nada a esconder. A transparência é uma das coisas que quero trazer para o Benfica. O Benfica tem que ser falado pelas boas razões e não pelas más razões. Tudo o que seja feito no Benfica deve ser com a máxima transparência para os sócios e adeptos. É a minha primeira premissa enquanto presidente do Benfica.

Contactos com John Textor? Não tive nenhum contacto com ele. Até pela forma como nasceu este processo não era oportuno reunir-me com ele. Neste momento, o nosso foco não é esse. Era completamente fora do contexto do que se está a viver reunir-me com John Textor. Nada contra a pessoa John Textor, mas era inoportuno.

Jorge Jesus é o treinador de Rui Costa? É o treinador do Benfica e um treinador com enorme sucesso. Partimos para esta época com enorme ambição. A primeira missão passa por estar na fase de grupos e estar nessa fase é importantíssimo, não só a nível desportivo como a nível financeiro. 

Confronto entre Jorge Jesus e Rui Vitória na Liga dos Campeões: Vamos ter em campo dois treinadores que já tiveram muito êxito no Benfica. Mas a minha convição é que Jesus vai ganhar a Rui Vitória e o Benfica vai estar na Liga dos Campeões.

Contratações: Já houve contratações e prontamente já conseguimos trazer dois médios. O mercado não está fechado. Nós temos de ser ambiciosos, mas cautelosos, mas obviamente que haverá mexidas com ou sem Liga dos Campeões.  

Relações com FC Porto e Sporting: Somos rivais e serei sempre intransigente na defesa dos interesses do meu clube.

Gravações de Pinto da Costa no estádio da Luz? Não conheço os contornos relativamente à autorização que Pinto da Costa teve para filmar na Luz. Provavelmente, se fosse eu o presidente não aceitaria que isso tivesse acontecido, da mesma forma que também não ia para o Dragão participar em situação semelhante. Com o maior respeito por todas as insituições não vejo isso como algo positivo e que se deva fazer isso de forma leviana.

Mensagem para Luís Filipe Vieira: Queria-lhe enviar uma mensagem de enorme força. Ele conhece-me ainda era eu um garato. Nunca irei renegar a amizade que tenho com ele e por isso o meu abraço de muita força para ele. Ele começou por ser um tutor para mim, depois foi sempre uma relação muito próxima, umas vezes de pai e filho, e depois de colegas de trabalho. Sempre houve enorme respeito e amizade entre nós, apesar de nos termos chateado muitas vezes. 

Leia Também: Rui Costa deixa mensagem aos adeptos: "O Benfica são todos vós"

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