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Beber história à boleia de uma Palhinha: As notas do Benfica-Braga

Bracarenses fizeram história no estádio da Luz ao vencerem na casa dos encarnados pela primeira vez em 65 anos. Encarnados somam segunda derrota seguida no campeonato e podem ver o FC Porto ficar a apenas um ponto do primeiro lugar.

Beber história à boleia de uma Palhinha: As notas do Benfica-Braga

O Benfica continua em senda descendente no campeonato nacional e na noite de sábado saiu do Estádio da Luz cada vez menos líder. Os encarnados perderam, por 0-1, na recepção ao Sporting de Braga, numa vitória histórica dos comandados de Rúben Amorim. 

Esta vitória no encontro da 21.ª jornada do campeonato nacional marcou um dado histórico no currículo desportivo dos arsenalistas. Esta não só foi a primeira vez que o Sporting de Braga venceu no estádio da Luz - a anterior vitória tinha acontecido em 'casa emprestada '-, como também a primeira vitória do Sporting de Braga frente ao Benfica desde 1954/55, altura que que o argentino Imbelloni marcou o tento da vitória no Estádio Nacional, no Jamor. De lá para cá passaram 65 anos, num jejum que foi quebrado com recurso a um jogador... emprestado pelo rival Sporting.

Um golo solitário do médio João Palhinha, aos 45+1, fez a diferença num jogo intenso, mas nem sempre bem jogado, e ditou a segunda derrota consecutiva dos campeões nacionais no campeonato. Foi também a primeira vez que Bruno Lage esteve três jogos seguidos sem vencer desde que assumiu o comando técnico dos encarnados em janeiro do ano passado - perdeu no Clássico com o FC Porto, empatou em casa do Famalicão, na meia-final da Taça de Portugal, e voltou a perder na noite de sábado diante do Sporting de Braga.

Para além disso, destacar também que a derrota diante do Sporting de Braga ditou o pior registo defensivo dos encarnados no estádio da Luz desde 2011/12. Os campeões nacionais sofreram nove golos nos últimos seis encontros realizados em 'casa': Sp. Braga (1), em encontro da Taça de Portugal; Desportivo das Aves (1), para o campeonato; Rio Ave (2), em partida da Taça de Portugal, Belenenses SAD (2), para o campeonato; Famalicão (2), para a Taça de Portugal; e novamente Sporting de Braga (1), desta feita para o campeonato.

O encontro é também histórico para o jovem treinador Rúben Amorim. O técnico português, antigo jogador do Benfica, conseguiu o pleno de vitórias sobre os três grandes em pouco mais de um mês no comando técnico dos arsenalistas. Foram duas vitórias sobre o FC Porto e Sporting, no campeonato e na Taça da Liga, e agora na casa do clube que representou durante seis temporadas.

Este jogo pode resumir-se recorrendo à frase 'quem não marca, sofre'. É um lugar comum no futebol, mas a verdade é que o Benfica foi superior ao adversário em grande parte do encontro, mas não conseguiu traduzir em golos as diversas oportunidades de que dispôs, muitas delas terminando em fora de jogo, nos postes ou nas mãos de Matheus.

O Sporting de Braga foi fiel a si mesmo, apesar de jogar fora de casa, criando algumas oportunidades que causaram calafrios na área de Vlachodimos. Os bracarenses têm sido exímios nas bolas paradas e na noite de sábado saíram da Luz com os três pontos graças a um golo de Palhinha que, na sequência de um pontapé de canto, cabeceou para a alegria do adeptos bracarenses. Já assim tinha sido na vitória no Dragão diante do FC Porto e voltou agora a repetir-se na Luz.

A perder pela segunda semana seguida no regresso aos balneários, os encarnados entraram para a etapa complementar à procura de, pelo menos, igualar o encontro, mas mais uma vez não conseguiram recuperar da desvantagem, à semelhança do que já tinha acontecido no Clássico diante do FC Porto. 

As águias tornaram-se uma equipa mais desorientada e inofensiva com o decorrer do encontro, enquanto o Sporting de Braga, que foi refrescando as alas com substituições, esteve em diversas fases mais perto de marcar o segundo, mas Vlachodimos, um dos melhores do lado dos encarnados, foi conseguindo evitar o pior.

O Benfica, que há duas semanas estava a sete pontos do FC Porto, pode agora terminar a jornada com uma vantagem de apenas um sobre o arquirrival, caso os azuis e brancos vençam na deslocação a Guimarães, já este domingo. Já o Sporting de Braga, que deixou a Luz com uma demonstração de personalidade e astúcia, somou o nono jogo consecutivo sem perder sob o comando técnico de Rúben Amorim e alcançou o terceiro lugar do campeonato.

Notas do jogo:

Figura: Depois de uma exibição muito abaixo das expectativas no Clássico frente ao FC Porto, Taarabt foi dos poucos jogadores que tentou levar o Benfica para a frente. É verdade que o Benfica não tem estado bem nos últimos jogos no capítulo defensivo, com muitos golos sofridos, mas o marroquino tem sido quase sempre dos melhores entre os colegas de equipa. No jogo deste sábado foi muito ativo na pressão alta aos jogadores do Sporting de Braga, recuperando muitas bolas, é muito assertivo na qualidade de passe. Tentou o golo em diversas ocasiões, mas sem sucesso.

Surpresa: João Palhinha vestiu a pele de herói e marcou o golo da vitória histórica dos bracarenses na Luz. Cometeu alguns erros no capítulo defensivo, mas formou uma dupla imbatível com Fransérgio no meio-campo dos bracarenses. Tem evoluído a olhos vistos nesta temporada e na noite de sábado viu coroada a excelente exibição com o golo da vitória. Ao antecipar-se a Ferro, o médio saltou para um cabeceamento histórico, permitindo ao Sp. Braga sair vitorioso da Luz para o campeonato 65 anos depois.

Desilusão: Ferro tem vindo a decrescer de forma nos últimos jogos, à semelhança do que tem acontecido também com o Benfica. Depois de muitos erros no jogo diante do FC Porto, o defesa-central esteve muito inseguro e na retina fica a falha que deu origem ao golo da vitória do Sporting de Braga. Falhou muitos passes, ele que até costuma ser dos melhores neste capítulo, e perdeu vários duelos aéreos. Nota negativa também para Rúben Dias. O internacional português, além de também ter culpas no lance do golo de Palhinha, esteve muito faltoso e arriscou a expulsão após este golo, quando de cabeça perdida, foi tirar a bola da mão de Raúl Silva.

Treinadores:

Bruno Lage: As exibições do Benfica continuam a ser manchadas por erros, algumas indecisões e a equipa parece acusar cada vez mais os golos sofridos. Esta noite os encarnados até entraram bem na partida, superiores em muitos momentos de jogo ao seu adversário, mas o golo sofrido em cima do apito para o intervalo deitou tudo a perder. A segunda parte trouxe uma equipa mais nervosa e a cometer alguns erros defensivos de palmatória, como tem acontecido nos últimos encontros, mas também a falhar no capítulo da eficácia, algo raro para o melhor ataque do campeonato e que até tem goleado alguns adversários na Luz. Foi o quinto encontro dos encarnados a sofrer golos e também o sexto consecutivo no Estádio da Luz. Aquilo que chegou a ser uma vantagem de sete pontos para o FC Porto pode passar a ser de apenas um. De destacar que em duas jornadas o técnico perdeu mais pontos na Liga (6) do que nas 38 jornadas anteriores (5).

Rúben Amorim: Incrível é a palavra certa para descrever o percurso do técnico que há pouco mais de um mês e meio está em Braga. Para além de um título na Taça da Liga, os bracarenses seguem numa série de nove jogos sem perder, com oito vitórias e um empate. Das 8 vitórias de Rúben Amorim como treinador do Sporting de Braga, cinco delas foram sobre os denominados três grandes do futebol português - duas delas fora de casa (na Luz e no Dragão). Os bracarenses demonstraram uma exibição personalizada no reduto das águias e mantiveram a aposta no esquema de 3x4x3 que muito sucesso tem trazido. O Benfica conseguiu, numa fase inicial, bloquear o jogo interior dos arsenalistas, mas com o tempo os minhotos começaram a soltar-se e equilibraram o desafio, que se tornou essencialmente uma batalha do meio-campo. O golo coroou uma boa parte final da primeira parte dos bracarenses, que no segundo tempo foram segurando a curta vantagem, que até podia ter sido ampliada.

Arbitragem:

Num jogo de dificuldade elevada, Hugo Miguel podia, e devia, ter feito uma exibição muito superior. Perdoou a expulsão a David Carmo, aos 21 minutos, por entrada duríssima sobre Rafa Silva, e desde esse lance que perdeu, de certa forma, o controlo do encontro em alguns momentos de jogo. O critério tornou-se cada vez mais largo, e não mostrou cartões amarelos em lances merecedores dessa admoestação.

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