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"Caio Lucas? Benfica pode ter uma operação de sucesso a nível económico"

Pedro Brandão Correia, comentador desportivo nos Emirados Árabes, explica o que terá motivado a falta de sucesso de Caio Lucas na Luz.

"Caio Lucas? Benfica pode ter uma operação de sucesso a nível económico"

Caio Lucas chegou no verão ao Benfica com rótulo de craque do futebol dos Emirados Árabes Unidos. Os encarnados conseguiram assegurar a contratação do extremo brasileiro que estava em final de contrato, mas, passados seis meses, Bruno Lage prescindiu de Caio Lucas e as águias emprestaram o jogador de 25 anos ao Al Sharjah por um período de 18 meses. 

Para quem acompanha a carreira de Caio Lucas há vários anos, a explicação para a falta de adaptação ao Benfica e ao futebol europeu poderá estar na disciplina tática ao nível... defensivo. 

A convite do Desporto ao Minuto, Pedro Brandão Correia, comentador desportivo nos Emirados Árabes, aponta a questão das exigências táticas como a razão mais natural que explica o facto de o brasileiro não ter conseguido convencer nem os adeptos do Benfica nem o próprio Bruno Lage

O Benfica pode ter aqui uma operação de sucesso a nível económico

"O Caio Lucas regressou a lugar onde se sente taticamente confortável. Aqui, as exigências táticas são diferentes daquelas que ele encontrou na Europa. O jogo parte muito e o jogador fica acampado no meio-campo, ou seja, preparado apenas para atacar, até mesmo por indicação dos treinadores. Aos jogadores ofensivos destacam apenas o papel ofensivo, não há aquelas exigências táticas da Europa de um extremo ter de marcar o lateral contrário. Isso aqui, muitas vezes, não existe. Especialmente, em equipas grandes, como é o caso da do Caio. 90 por cento do trabalho dele é ofensivo. Têm que sair do fora de jogo e pouco mais", começa por dizer Pedro Brandão Correia, em declarações ao Desporto ao Minuto. 

O comentador português realça ainda que Caio Lucas não é caso único no mundo do futebol, frisando que, por vezes, os jogadores até podem ter qualidades acima da média, mas não se adaptam ao contexto cultural do novo país para onde decidem dar seguimento à carreira. 

"Em primeiro lugar, acho que ele não teve tempo suficiente. Ele iria necessitar de um tempo de adaptação às tais exigências táticas. Um jogador é um ser humano e precisa de tempo para se adaptar. Alguns jogadores até podem ter grandes qualidades técnicas e podem não singrar num determinado contexto por razões que ultrapassam o futebol. Pode não adaptar-se à cultura, à sociedade e aos costumes. Ou, como eu acho que seja o caso do Caio, às exigências táticas que são normais na Europa e que não são tão normais aqui. A questão de se impor no Benfica pode passar por essas questões de cultura tática", explica. 

Tática de Bruno Lage livre de culpas e uma oportunidade não aproveitada 

A tática utilizada por Bruno Lage não pode servir de desculpa para a falta de sucesso de Caio Lucas nesta curta passagem pelo Benfica. Pedro Brandão Correia recorda que são vários os jogadores que o treinador do Benfica vai fazendo entrar e sair do onze com muito sucesso, e aponta ainda a lesão de Rafa como uma "janela de oportunidade" que não foi aproveitada pelo extremo brasileiro. 

"Creio que o sistema tático utilizado por Bruno Lage não estará relacionado com isto. O Benfica tem um esquema que suporta jogadores muito diferentes. Neste caso, teria que ser Caio Lucas a adaptar-se ao esquema", afirma, prosseguindo. 

"A lesão do Rafa poderia ter sido, eventualmente, melhor aproveitada pelo Caio. É a verdade. Foi uma janela de oportunidade porque, se o Rafa estivesse sempre a jogar e ao melhor nível, aí seria quase impossível ter alguma oportunidade. Mas, volto a repetir, Caio Lucas não passou tempo suficiente em Portugal de forma a mudar o estilo de jogo. Acho que tem a ver com a disciplina tática ao nível defensivo. Eram mais as exigências defensivas e isso deixa-o um bocadinho perdido e desadaptado", assegura. 

Benfica aproveitou oportunidade de negócio 

Mais do que uma decisão desportiva, Pedro Brandão Correia acredita que o empréstimo de Caio Lucas foi, acima de tudo, uma oportunidade de negócio que o Benfica quis aproveitar financeiramente. O comentador desportivo chama a atenção para aquele que seria um salário "considerado elevado" em Portugal para um jogador que não era primeira opção e também recorre ao exemplo de Raul de Tomas, jogador que, tal como Caio, também entrou no verão e saiu em janeiro

"O Caio acabou por ter algumas oportunidades. Eu vejo isto mais numa perspetiva de negócio. Obviamente que quem trabalha com o jogador diariamente é que sabe aquilo que ele pode dar. Também se caiu no exagero, como acontece muitas vezes, de criticar demasiado. Não foi só o caso do Caio Lucas. O Raul de Tomas também foi muito criticado e agora já provou que faz golos em Espanha em duas ou três semanas. O problema do Caio está no contexto. Se ficasse mais algum tempo poderia adaptar-se ou não. Nunca saberemos. O que é facto é que contexto é completamente diferente. Acho que o Caio tem qualidade, como o Raul de Tomas também tem", vaticina, antes de deixar uma última garantia. 

"Eu não conheço os contornos do negócio, mas presumo que o salário do Caio para a realidade portuguesa seja considerado alto. Acredito que o Benfica, em relação qualidade-preço, pode arranjar melhor do que o Caio. Agora, volto a frisar, não conheço os valores do negócio. O Benfica pode fazer, a nível económico, um encaixe interessante agora com o empréstimo onde vai poupar, eventualmente, o salário e como uma possível futuro venda. Os valores que se pagam pelos jogadores aqui nos Emirados e até na Ásia em geral, principalmente na China, são altíssimos. Em termos de negócio, o Benfica pode ter aqui uma operação de sucesso a nível económico", remata. 

Pedro Brandão Correia reconhece ainda que o regresso de Caio Lucas ao futebol dos Emirados Árabes está a causar muito "entusiasmo" na imprensa local, ainda que também seja questionado o porquê do extremo brasileiro não ter vingado no futebol europeu. 

Notícias ao MinutoCaio Lucas exibe a Supertaça, troféu que conquistou ao serviço do Benfica. © Getty Images

Números pouco expressivos 

A passagem de Caio Lucas pela Luz teve um período de vida de seis meses e materializou-se em um golo em 11 jogos disputados. Ainda assim, o extremo brasileiro ainda conseguiu conquistar um título ao serviço dos encarnados, a Supertaça, e foi ainda utilizado em três dos seis jogos do Benfica na presente edição da Liga dos Campeões. 

O único golo que marcou com a camisola dos encarnados aconteceu a 14 de novembro, na receção ao Famalicão (4-0). Caio Lucas entrou aos 85 minutos, mas ainda foi a tempo de dar contornos de goleada ao triunfo do Benfica. 

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