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"Hamilton não é como o Schumacher. É o último a chegar e o 1.º a partir"

A temporada de 2019 da Fórmula 1 terminou no passado fim de semana e, novamente, com a consagração de Lewis Hamilton como campeão. O britânico da Mercedes alcançou o sexto título mundial, está a um do recorde do já lendário Michael Schumacher e este foi um dos temas analisados por Pedro Couceiro, ex-automobilista português, em conversa com o Desporto ao Minuto.

"Hamilton não é como o Schumacher. É o último a chegar e o 1.º a partir"

Lewis Hamilton sagrou-se campeão pela sexta vez na sua carreira. Foi o grande vencedor da época de 2019 na Fórmula 1, tal como a sua equipa, a Mercedes, que se sagrou campeã no Mundial de Construtores pela sexta vez consecutiva.

Uma temporada que mostrou que a Ferrari e a Red Bull estão ainda um passo atrás da rival Mercedes, mas onde foi também possível ver um talento a emergir, como Charles Leclerc, e onde vimos um Max Verstappen cada vez mais maduro e mais preparado para fazer concorrência a Lewis Hamilton.

Pedro Couceiro, antigo piloto de automobilismo português, partilhou com o Desporto ao Minuto algumas das suas opiniões e ajudou-nos a fazer um balanço da presente temporada, perspectivando o que poderemos esperar da F1 em 2020 e até em… 2021.

É incontornável não falar primeiro naquele que se tornou este ano hexacampeão do mundo, Lewis Hamilton. Até onde pode chegar o britânico da Mercedes?

Neste momento, ele é o piloto mais marcante da Fórmula 1. Se formos analisar o percurso dele na altura em que fazia karting, ele é muito grande, mesmo dentro do que são os pilotos excepcionais. Estou convencido que um grande piloto como ele poderá ganhar mais alguns títulos. Tem estado no melhor, ou num dos melhores carros, mas ele também tem feito a diferença. E a prova disso vê-se quando o carro não é o melhor e, este ano, talvez nem fosse o melhor. Muitas vezes, o colega [Valtteri Bottas] tinha dificuldades quando o carro não demonstrava ser o melhor, mas o Hamilton andava ali no meio dos Ferrari e dos Red Bull. Hamilton é um piloto muito adaptado a situações menos fáceis e isso faz dele, para mim, o melhor piloto da atualidade. Se conquistar mais um, dois ou três títulos não me espanta.

Têm existido vários rumores sobre uma eventual ida de Hamilton para a Ferrari. Imaginando que o britânico tinha feito a sua carreira na scuderia, acha que ele teria sido capaz de conquistar os seis títulos que tem hoje?

É sempre uma opinião muito pessoal, mas olhemos para o caso do Schumacher. Ele conquistou sete títulos e cinco deles pela Ferrari. Quando Schumacher chegou à Ferrari, a Ferrari não ganhava há 17 anos. A verdade é que ele chegou lá e ganhou cinco títulos consecutivos, entre 2000 e 2004. O Hamilton, dentro dos pilotos de excelência, é muito acima da média. Depois há VettelVerstappen, o próprio Ricciardo, o Raikkonen, o Alonso que já saiu… Mas acredito que Hamilton na Ferrari faria excelentes resultados até porque, para mim, a Ferrari tem, neste momento, o melhor carro, a par da Red Bull. Mas são sempre opiniões muito pessoais. Temos o caso de um piloto com pouco ‘salero’, mas que já tem quatro títulos no bolso. De repente chega lá o Charles Leclerc e, na nossa linguagem automobilística, sentou-o completamente.

Quando apareceu Max Verstappen, muitos consideraram que ele poderia tornar-se no mais novo campeão do mundo de sempre. A verdade é que ainda parece estar longe do título. Foi ‘fogo de vista’ ou é apenas uma questão de tempo?

Estou convencido que o Verstappen poderá lá chegar. Não digo que vai ganhar, porque este é aquele tipo de afirmação complicada de se fazer. Há um ano ninguém diria que o Leclerc iria anular completamente o Vettel. Agora, o Verstappen já chegou aos 100 Grandes Prémios, era a grande esperança, o piloto sensação, que ainda é. Para mim é um piloto rapidíssimo, mas acho que lhe falta uma dose de maturidade, que já tem vindo a ganhar. Por exemplo, Hamilton quando chegou à Fórmula 1 sentou-se logo ao lado de um bicampeão do mundo [Fernando Alonso] e só não foi campeão porque fez aquele pequeno erro em Xangai. Conheço o pai dele e conheço o Verstappen desde bebé. Na altura o pai dele correu comigo, foi sempre um talento fantástico, um piloto rapidíssimo, mas em algumas alturas acabou igualmente por não demonstrar o equilíbrio para ser campeão do mundo. A prova disso é que em 1994 sentou-se ao lado do Schumacher e, a partir daí, na Fórmula 1, foi sempre a cair. Já na altura se dizia: ‘Olha, vem aí o novo Senna, vem aí novo campeão do mundo, o campeão mais jovem’ e a verdade é que nunca chegou a ser. E foi sempre um excelente piloto, atenção. O filho acaba por ser um pouco assim, no meu entender. É um piloto muito agressivo, mas a verdade é que, no fim, mesmo no fim, ele está cada vez com uma pressão maior. Ele vai entrar em 2020 com uma pressão muito maior do que este ano. E se não ganha em 2020… os anos começam a passar e os novos talentos começam a aparecer.

Notícias ao MinutoMax Verstappen e Lewis Hamilton© Reuters

Charles Leclerc teve um primeiro ano de Ferrari e causou algum impacto. Na generalidade, bateu o seu companheiro de equipa, um tetracampeão, o Sebastian Vettel, e foi o piloto com mais poles da temporada. A Ferrari faz bem em apostar no jovem monegasco?

Sinceramente, acho que sim. Tenho uma admiração grande pelo Vettel, é um piloto fantástico, mas não sou um mega fã. Conheço-o relativamente bem, privei algumas vezes com ele, porque ele correu com o Filipe Albuquerque na Junior Team da Red Bull. É um excelente piloto, mas puseram-no com uma fasquia que para mim não é completamente a dele, e isso está a ver-se agora. O Leclerc chegou lá com dois anos de Fórmula 1 e acabou por mostrar maturidade. De certa forma, fez aquilo que Hamilton fez na sua primeira época. Ele também acabou por fazer diminuir as virtuosidades do Alonso. O Leclerc, apesar de alguns erros, esteve num nível muito superior ao do Vettel. A Ferrari só não fica melhor classificada, por isso mesmo. O Leclerc é um piloto inexperiente na equipa, não apostaram tudo nele ao início e quando começaram a apostar já era tarde. Depois no Brasil, aconteceu aquele acidente, com uma manobra ‘mesmo à Vettel’. Ele sempre foi um piloto excelente quando arranca na frente. Mas quando não está confortável, normalmente comete erros.

E o Alonso... O piloto espanhol não fechou as portas a um eventual regresso à F1 em 2021. É um nome que faz falta à modalidade?

Faz. Não só pelo nome, como pela qualidade. A Fórmula 1 precisa de pilotos de qualidade, mas mais do que isso precisa de pilotos com qualidade e com nome. Há muitos pilotos da nova geração, com muita qualidade, mas ainda sem o peso de um Hamilton ou de um Vettel. Depois vão buscar-se nomes como o Kubica, algo que para mim não faz sentido algum.

Em termos de equipas, a Mercedes continua a dominar por completo ao alcançar o sexto título consecutivo de construtores. 2020 poderá ser mais um ano de hegemonia Mercedes ou a Ferrari ou a Red Bull poderão impor-se?

Não acredito que o Hamilton vá ‘limpar tudo’. Já este ano não foi bem assim. O Hamilton é um piloto como costumávamos ver o James Hunt. Ele é super profissional, mas é muito também do ‘enjoy the life’ [tradução: aproveitar a vida]. É o último a chegar, o primeiro a partir, gosta de estar presente nas festas, passa a vida a passear pelo mundo. Não é o tipo de piloto que passa cinco horas num ginásio, mais não sei quantas em simulador. Como era o próprio Schumacher, que era o primeiro a chegar à pista no dia depois de ser campeão do mundo. Hamilton é um piloto que aos poucos vai deixar para segundo plano aquela hegemonia que tem tido para gozar a vida e os campeonatos que tem ganho. Por outro lado, a Ferrari e a Red Bull estão num nível ascendente e este ano só não ficaram mais à frente porque nenhuma das duas tem um piloto chamado Hamilton. Se a Ferrari tivesse o Leclerc a fazer aquelas prestações finais desde início, se tivesse ganho as corridas em que teve problemas, às vezes até mecânicos, podia ter estado ali a lutar até mais para a frente. A Red Bull é a mesma coisa, mas ao contrário. O Verstappen chegou à Fórmula 1 um bocadinho como ‘saiam daqui que vem aí o Verstappen, o piloto mau’, mas tem de começar a meter-se no lugar dele e neste momento as pessoas já não o vêem como o viam há uns anos.

Notícias ao MinutoCharles Leclerc, uma das grandes surpresas da temporada, ao lado do companheiro na Ferrari, Sebastian Vettel© Reuters

Em 2021 vão chegar novos carros, novas regras e perspetiva-se uma ‘nova Fórmula 1’. Ainda falta um ano, é certo, mas o que podemos esperar?

Em 2021 pode acontecer um bocadinho aquilo que aconteceu em 2010. A McLaren dominava e depois apareceu aquela mudança em 2009 quando ganhou a Brown e, depois a Red Bull. Portanto, em 2021, com a nova regulamentação o que pode acontecer é, como se costuma dizer nos jogos de cartas, dá e baralha. Os líderes vão acabar por ser os mesmos, talvez, mas acaba por baralhar um bocado. E se calhar não era de estranhar que aparecesse uma McLaren novamente lá na frente ou a Red Bull.

Fique com o top10 da Fórmula 1 em 2019

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