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Entrevista de Varandas: De "burros" a Vieira, sem esquecer Keizer e Silas

Presidente do Sporting abordou vários temas e aproveitou para pedir "coragem" aos sócios e adeptos.

Entrevista de Varandas: De "burros" a Vieira, sem esquecer Keizer e Silas

Frederico Varandas marcou, este sábado, presença no Jornal da Noite da SIC, onde abordou os vários temas que marcam a atualidade do Sporting. O presidente do clube de Alvalade apontou o dedo aos detratores - a quem chamou, inclusive, de "burros" - pediu "coragem" aos sócios e adeptos e explicou a demissão de Marcel Keizer e consequente contratação de Jorge Silas.

Silas: É o treinador escolhido para liderar este projeto. Procurámos um treinador português e com currículo europeu. Um  recusou mas disse-me 'gabo muito a sua coragem e paciência mas não estou para aturar um clube de malucos como o Sporting'. Isto é a visão que muitos treinadores têm do Sporting.

Treinadores contactados: Falo de Jardim e Mourinho. Mourinho elogiou o trabalho feito e ficou perplexo, conhecendo a realidade do clube, ele próprio vítima do ruído à volta de quem tem de decidir. Mourinho quer abraçar um projeto que lute pelas provas europeias. É a realidade portuguesa e nenhum clube português luta pela Champions. Outros treinadores portugueses recusaram porque não têm paciência para aturar um clube como este.

Críticas dos adeptos: Entendo o descontentamento de quem vai a Alvalade. Mas têm de perceber que os órgãos sociais são sportinguistas que sentem o clube. Partilho essa tristeza genuína. Uma direção, se não percebe isso, ou não sente ou não entende o clube. O Sporting, hoje,não está onde devia estar. Esse descontentamento é legítimo e compreendido por estes órgãos sociais.

Descontentamento premeditado: O Sporting tem de o combater. Dou este exemplo simples. O Sporting, na partida, tropeçou. Levantou-se e ainda temos 30 km para recuperar. Cai em Algarve, contra o Famalicão e contra o Rio Ave. Mas ficamos deitados? Não. Hoje duvidamos da valia do grupo? Não. Aquele grupo, hoje, é mais competitivo do que o do ano passado. É verdade que caímos na partida, mas vamos recuperar a última corrida. Recordo um clube que, há um ano, estava como estava. Do ponto de vista social, estava em guerra civil. Os principais ativos tinham rescindido. Tivemos um fluxo de pagamento de 225 milhões. Origem nossa? Não, mas pagámos. Dívidas a jogadores, clubes, impostos em atraso... Ao mesmo tempo, tivemos de fazer duas operações financeiras para financiamento decisivas para a sobrevivência do clube (...). A verdade era muito negra. Ao mesmo tempo, conseguimos uma época brilhante. Ao nível do futebol, foi uma época muito boa. É legítimo, à primeira derrota deste ano, começarem a gritar 'Joguem à bola?'.

Despedimento de Marcel Keizer: Existe um descontentamento genuíno que respeito (...). O Marcel Keizer foi escolhido porque tinha um perfil. Em novembro, tivemos a mesma dificuldade em escolher um treinador. A realidade do Sporting não era muito atrativa. Hoje está pouco melhor, mas escolhemos um treinador que apostava nos jovens, que tinha um futebol de equipa grande, e resultou inicialmente. Tivemos dois títulos. O que falhou? Marcel Keizer teve dificuldades em adaptar-se ao futebol português. Foram sinais.

Sinais de falta de adaptação de Marcel Keizer: Mais do que os resultados, como se perdiam os jogos. Entendemos que Marcel Keizer, apesar dos títulos que venceu, estava na hora de sair. Os adeptos do futebol querem é ganhar, mas eu ando na rua e, muitas vezes, os adeptos do Sporting dizem 'Presidente, olhe para os nossos rivais'. E eu olho e pergunto 'Quantos anos demoraram a montá-la?'. A máquina está a ser montada. Faço outra pergunta 'Quantos anos demoraram a vencer?'. Não é numa época que se corrige enganos de duas décadas.

Estrutura profissional da Academia: O que as pessoas têm que perceber é que, apesar dos títulos que vencemos, a situação não ficou resolvida. Para mim, a maior vitória foi o que foi conseguido este ano: evitar a falência deste clube, conseguir investir como estamos a investir na formação para voltar a ter as ferramentas para olhar olhos nos olhos dos rivais. Era fácil chegar aqui e dizer que não tinha dinheiro para todas as necessidades do Sporting. Isso seria extremamente cómodo para esta direção, mas o Sporting não é desta direção, é dos sócios e merece ter um futuro. Para isso, é preciso ter coragem para tomar medidas que não são para me perpetuar muitos anos. Mas o meu propósito é fazer o que tiver que fazer para bem do Sporting, não para fazer mandatos atrás de mandatos.

Opção por Silas: É uma equipa jovem, competente, que vai crescer, com coragem... É um treinador que joga como equipa grande, sem medo, que vai procurar tirar o melhor daqueles jogadores. Quando tive a primeira conversa com ele, disse-me 'Presidente, confio na qualidade do grupo'.

Hugo Viana e BetoQuem dá palpites são as pessoas que estão à volta do Sporting. A estrutura está montada, tem as rotinas de trabalho e essas rotinas funcionam.

Silas aposta na formação: Silas não tem medo nenhum de apostar em jogadores, independentemente do BI.

Pedro Mendes não foi inscrito na Liga: É preciso contar a história desde o início. Já fez vários golaços. Vamos para a pré-época e quem faz as escolhas é o treinador, que apostou em mais de dez jovens jogadores da formação. Marcel Keizer não acreditava em Pedro Mendes. Quando Marcel Keizer sai, no último dia de apresentação de listas, houve inúmeras decisões em contrarrelógio. Para nós, com as condições iniciais e o tempo essencial, faria todo o sentido Pedro Mendes estar nessa lista. Não digo que o trabalho foi perfeito. Ninguém melhora sem perceber os erros que cometeu, e nós cometemos vários erros. Essa escolha foi do treinador, mas se calhar deveria ter havido a capacidade de mudar a lista... Mas não é por aí que as coisas vão correr mal.

Indelicado com Leonel Pontes: Eu? Indelicado? Devia ter dito que Leonel Pontes seria treinador até eu escolher outro. Era mais bonito... Paz? Eu tenho paz para trabalhar? Acha que os jogadores, que conquistaram o que conquistaram, têm paz em Alvalade? Fizeram uma má época? Merecem preferir jogar fora do que em Alvalade? Fui durante 11 anos médico de futebol. Acham que não afeta? Afeta. Mas os sportinguistas não são burros, sabem distinguir o protesto genuíno do protesto premeditado, de pessoas que preferem o caos e dividir para reinar.

Ferida aberta em Alvalade: Há uma ferida aberta enquanto essas pessoas não as quiserem fechar. O meu dever é proteger o Sporting.

Divisão no Sporting: As pessoas falam que, à sexta jornada, à contestação e insultos a Varandas Mas isso não começou na sexta jornada. Aconteceram no ano passado, na primeira jornada. Aquelas pessoas insultarem-me ou dizerem que sou o maior, é indiferente para mim. Vale zero. Existem minorias do Sporting que preferem o caos para gerar a sua oportunidade. Outras, preferem dividir para reinar. É uma política auto-destrutiva. E são burros, porque no dia em que estiverem lá, vão perceber que o clube está dez vezes pior e vão provar do veneno que estão a cultivar. O que o Sporting precisa é de uma direção que ouça a bancada, mas que não governe para a bancada. Não vai mudar nada do rumo que nós temos que levar.

Solução para a divisão: A história do Sporting vem de esqueletos, de pessoas que desaparecem nas vitórias e que aparecem nas derrotas. Infelizmente, se calhar, é o nosso código genético. É por isso que o Sporting, hoje, tem que ter muita coragem, do presidente ao adepto, para perceber que não é num nem dois anos que se vai apagar este fosso.

Tempo para Silas: Esta direção teve duas apostas de treinadores, Marcel Keizer e Silas. Acreditamos que, com Silas e com a qualidade deste grupo, vamos recuperar da queda que demos no início da época (...). Silas é treinador do Sporting, e é um treinador escolhido por nós. Tem que fazer a equipa crescer, sabe disso e vai fazê-lo. Silas tem um ótimo grupo, no qual confiamos. Se é o grupo perfeito? Ainda não temos milhões para investir na equipa. Se pudesse contratar em vez de emprestar, claro que sim. [Reforços] Não vieram só de visita. São jogadores em quem acreditamos, para quem não temos capacidade de contratar definitivamente porque o Sporting, hoje, é um clube com rigor. Estamos muito melhor financeiramente de há um ano, mas ainda estamos longe do desejável.

Finanças do Sporting: Neste momento, estamos a cavar as fundações. E não é fácil ter a coragem de tomar estas medidas, porque muitas não se veem. Gastámos muito dinheiro na Academia. A própria máquina Sporting estava parada no tempo. Temos identificados todos os problemas. Em outubro do ano passado, iniciámos um processo de transformação digital. Acha que queria ter uma aplicação como a que temos? Estamos a fazer isto, mas demora meses. Mudar a área digital, comercial, formação... Não tive culpa do abandono que a formação sofreu nos últimos cinco anos. Não tenho uma varinha mágica para um miúdo de 16 anos passar a ter 21. O investimento na Academia é real e é o caminho que temos a fazer, mas demora tempo. E, se os sportinguistas não perceberem isto, o Sporting não tem tempo.

Cartas de condução de Wendel e Jovane Cabral: Um não tinha carta de condução, de todo. O outro é uma questão interna, não tinha uma carta de condução verdadeira. Não somos a DGV, não temos capacidade de ver se uma carta é verdadeira ou falsa. Mas acha que não há outros clubes com estes problemas? Os problemas internos resolvem-se internamente. Um jogador do Sporting tem que saber que, quando acontece algo, não é só o nome dele está em causa, é o nome do Sporting. Claro que um atleta do Sporting tem que saber comportar com a dignidade do clube.

Sentar-se com Luís Filipe Vieira: Seja no futebol ou noutra indústria, o Sporting tem que ter relações institucionais com todos os clubes. Existem outras coisas paralelamente que têm que ficar esclarecidas, obviamente, como casos judiciais muito importantes. O caso e-Toupeira é aquele que, para nós, é menos importante, porque não tem impacto desportivo.

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