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Pedro Ró-Ró Correia: Do Aljustrelense para o trono do futebol asiático

Formado no Benfica, o português parecia ver a sua carreira 'cair' a pique, mas a ida para o Qatar revolucionou a sua vida. Naturalizou-se, conquistou a Taça da Ásia pela seleção e aponta já baterias para o Mundial'2022.

Pedro Ró-Ró Correia: Do Aljustrelense para o trono do futebol asiático
Notícias ao Minuto

08:00 - 06/03/19 por Fábio Aguiar 

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Chama-se Pedro Correia, tem 28 anos e é o português que recentemente se tornou 'rei' na Ásia. Com uma história de vida inspiradora, baseada na capacidade de trabalho, sacrifício e dedicação, o jogador superou adversidades dentro e fora de campo e 'moveu' o mundo para impedir que, ao contrário de muitos, a sua carreira seguisse um caminho mediano e sem grandes perspetivas. Hoje, é campeão asiático pela seleção do Qatar e não esconde a felicidade por ver que os sonhos que teve em menino se concretizaram quase contra a tendência do destino.

"Todos os dias me passam pela cabeça todas as dificuldades que tive até chegar aqui. Por isso é que todos os dias, antes de me deitar, agradeço a Deus pela vida que tenho. Tudo o que faço reflete o meu passado, expõe o meu presente e prepara o meu futuro. Venho de uma família pobre, que passou Muitas dificuldades. Aos 16 anos perdi a minha mãe e foi como se o tudo ruísse. A partir daí foi sempre a lutar para alcançar o que hoje tenho", começou por dizer o lateral, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, antes de recordar essa vitória sobre o Japão que valeu o troféu.

"Foi um sentimento muito especial, tanto para mim, como para os meus companheiros, para o presidente, para o país... Não há palavras. Foi uma sensação única. Quando fizemos o terceiro golo comecei a chorar. Estava arrepiado. Depois foi o apito final e sentimos todos que tínhamos feito história para o país. É inexplicável", admitiu, emocionado.

Nascido no bairro do Casal de São José, em Mem Martins, na zona de Sintra, Ró-Ró, como é conhecido, graças ao fascínio que mantinha pelos brasileiro Romário e Ronaldo, iniciou o seu percurso nas escolas do Benfica. Foi de águia ao peito que jogou ao lado de nomes como Miguel Vítor, Roderick Miranda ou David Simão, mas quando chegou aos juvenis deu-se a primeira desilusão. 

"Já tinha sido emprestado ao Estrela da Amadora e ao Estoril porque diziam que eu não tinha corpo para ser defesa. Depois acabei dispensado e acabei por seguir a minha vida. Não tenho mágoa porque estou bem, mas na altura senti que tinha talento para continuar, até porque, não é para me gabar, mas era um dos melhores. Fui então para o Farense, onde estive três anos, inclusive o meu primeiro enquanto senior", contou o jogador que agora até se destaca pela... capacidade física - mede 1,88m.

Esta altura coincidiu com o momento mais complicado do trajeto de Pedro Correia. Já sem a mãe, o jovem pensou até em desistir do futebol, mas a ida para o Algarve acabou por obrigá-lo a "crescer mais depressa" e a "amadurecer", enquanto jogador e, sobretudo, enquanto homem. Após a aventura no emblema de Faro, Ró-Ró transferiu-se para o Aljustrelense, do Campeonato de Portugal. Mais um passo atrás, naquele que viria a ser... um tremendo salto em frente. 

"Foi aí que me chegou a possibilidade de vir para o Qatar. Estava no terceiro escalão, sem expetativas, e tratou-se de uma oportunidade única. A minha mãe sempre me disse: 'Pedro, quando surgir uma oportunidade, agarra-a.' Então, quando o meu empresário me falou de uma situação para mim, nem perguntei qual era o país. Só disse: 'Vamos!' Passado uma semana estava a fazer testes", explicou.

Notícias ao MinutoPedro Correia mostra-se extremamente feliz com o atual momento no Qatar.© Facebook Pedro Correia

Uma mudança astronómica

Se do ponto de vista profissional a aventura asiática significava uma mudança completa para o jogador, no que diz respeito ao plano pessoal esta decisão constituía uma espécie de choque. O destino foi o Al Ahli, clube que na época seguinte seria orientado pelo português José Garrido. "No início foi complicado porque não falava inglês. Depois diz algumas amizades, o meu empresário sempre esteve ao meu lado e, aos poucos, fui conquistando as coisas. Agora estou muito bem e sinto que foi a melhor opção para a minha carreira", assumiu.

Após cinco épocas e meia, o jogador português assinou pelo Al Sadd e foi sob o comando de Jesualdo Ferreira que se deu o 'clique'. "Com o passar dos anos fui sentindo que tinha qualidade para poder jogar na seleção do Qatar. Meti esse objetivo na minha mente e comecei a trabalhar para ele. Um dia, o presidente da Federação veio ter comigo ao treino, convidou-me para jogar pela seleção e eu, claro, aceitei", contou o internacional qatari, que se estreou pela seleção em 2016, diante da China.

Notícias ao MinutoNo Al Sadd, Ró-Ró tem como companheiro o ex-Barcelona Xavi Hernández. © Facebook Pedro Correia

Uma lição de vida assente nas oportunidades

Este trajeto duro ensinou Ró-Ró a valorizar as pequenas conquistas e a ter a convicção de que uma oportunidade pode fazer mudar a vida num ápice. "Em Portugal temos jovens com muita qualidade e muito talento, mas têm que ser aproveitados. Eu venho de um bairro onde havia muito talento. Nunca tiveram oportunidades e seguiram outras vidas", lamentou.

Há nove anos no Qatar, Pedro Correia nota já uma forte alteração no próprio futebol. "Quando cheguei era bem diferente. No entanto, nos últimos anos tem crescido, muitos jogadores e treinadores europeus vieram para cá, como o Xavi, que é um ícone do futebol, o professor Jesualdo Ferreira, o mister Rui Faria, entre outros, passou a haver um forte investimento nas academias e nota-se uma enorme evolução", salientou, enaltecendo "o mérito de todos os que têm trabalhado nesse sentido".

Notícias ao MinutoDepois da Taça da Ásia, o lateral já aponta a novas conquistas, como o campeonato e a Champions.© Facebook Pedro Correia

Com o Mundial'2022 no horizonte

Neste momento, no Qatar vive-se uma enorme euforia e entusiasmo com a organização do Campeonato do Mundo de 2022. Como tal, esse é também um dos objetivos do campeão luso. "Quero conquistar aqui a Liga dos Campeões, o campeonato, que, infelizmente, ainda não consegui - se Deus quiser, esta época vamos conseguir -, e, claro, chegar em boas condições ao Mundial'2022 para representar o Qatar aqui", assumiu.

Feliz e realizado, o defesa acredita que o seu futuro passa mesmo pelo Qatar e quanto a um eventual regresso a Portugal... 'chuta' para canto. "Nunca fecho as portas, mas estou bem aqui, tenho contrato, a minha família está feliz e, por isso, não me passa pela cabeça voltar", finalizou.

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