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"Somos fruto dessa Lisboa que vive com os subúrbios e com a mistura"

'Madeira' é o quarto álbum de originais dos Paus. São nove músicas que exploram um tropicalismo, que não só é homenagem à ilha que foi a sua residência, como um espelho da multiculturalidade de Lisboa e das diversas influências que fazem dos Paus aquilo que são hoje.

"Somos fruto dessa Lisboa que vive com os subúrbios e com a mistura"
Notícias ao Minuto

12:00 - 17/04/18 por Pedro Bastos Reis 

Cultura Paus

O disco começou a ser feito em Lisboa mas acabou, também, em vídeodisco na Madeira, ilha que dá nome ao quarto álbum de originais dos Paus, quarteto composto por Hélio Morais (baterista), Joaquim Albergaria (baterista), Fábio Jevelim (teclista) e Makoto Yagyu (baixo).

Tudo começou com um convite para fazer uma residência artística na Madeira, na qual a banda aprenderia a tocar os temas e depois faria o primeiro concerto da digressão no Funchal. Os planos mudaram um pouco quando os Paus decidiram adiar o lançamento do disco - inicialmente previsto para 2017 -, para abril de 2018 (à venda, nos locais habituais, desde o passado dia 6 de abril).

A banda, no entanto, não estava disposta a deixar a oportunidade passar, mas era preciso “encontrar outro ângulo para justificar a residência”. A solução, conta Hélio Morais, um dos bateristas da banda, em entrevista ao Notícias ao Minuto, passou por gravar um vídeo para cada um dos nove temas que compõem este ‘Madeira’, com a ilha a batizar o novo trabalho.

Durante vários dias, a Madeira tornou-se a casa do quarteto, num processo de produção “cansativo”, como o próprio Hélio Morais admite, mas justificado e recompensado pelo resultado final. "Neste momento, é o meu disco favorito dos Paus. Sinto que é um disco bastante bem construído, que é homogéneo mesmo tendo ambientes diferentes, é uma peça que se ouve bem do princípio ao fim. É um disco que nos deixou muito felizes", afirma.

Passaram oito anos desde o lançamento do primeiro EP, ‘É uma Água’ e até chegarmos a este novo ‘Madeira’ há três álbuns pelo meio, cada um cimentando o lugar dos Paus enquanto banda que vai muito além de um projeto paralelo dos seus membros, muito mais do que uma super banda. Ao quarto disco, os Paus conseguiram dar (mais um) passo em frente e demonstram que se conseguem reinventar de disco para disco.

Notícias ao MinutoOs Paus gravaram um vídeo para cada música do novo disco, o que resultou num vídeo-disco de 'Madeira'© Tomás Brice

Em ‘Madeira, o psicadelismo mistura-se com o rock, enquanto alguns ritmos dançáveis se infiltram em alguns dos temas. O som é complexo, mistura de várias sonoridades. Tropical, digamos. Se é difícil chegar a este resultado tamanha a diversidade de influências? "Não é nada difícil, porque nada é pensado. Gravamos ao mesmo tempo que compomos”, explica Hélio Morais, para depois especificar como as diversas influências musicais podem convergir na música, com cada membro da banda, com o respetivo instrumento, a acrescentar algo e a desconstruir para construir.

“No dia em que começo eu a gravar uma bateria, se calhar porque o taxista vinha a ouvir um reggaeton no carro, acabo por fazer um beat mais nessa onda, mas depois vem o teclado e traz uma roupagem completamente diferente, ou a outra bateria entra e desconstrói esse ritmo”, refere o baterista , que este ano lançou também um novo disco com os Linda Martini. “Mesmo que chegues com um ritmo ou uma linha de teclado ou de baixo que sejam demasiado colados a um determinado estilo, os outros três entram e acrescentam algo que muda completamente o sítio onde aquilo se poderia situar", acrescenta.

Neste processo, falta ainda referir as vozes, que acabam por ser a parte mais "difícil". Como o próprio Hélio admite, as músicas são construídas, em primeiro plano, pelo instrumental e só no fim são enquadradas as vozes, divididas pelos quatro membros da banda, não existindo um vocalista que carregue, exclusivamente, essa responsabilidade. No entanto, este não é um ponto fraco, é antes o “sítio mais difícil de definir quando estamos em estúdio”.

A diversidade musical resulta também das origens dos membros da banda – todos vindos dos subúrbios da capital -, como ‘L123’, uma referência ao passe intermodal, faz questão de demonstrar. Até porque, sublinha Hélio Morais, “os Paus são frutos dessa Lisboa, que vive com os subúrbios e com a mistura que se implica”. Por isso, aquilo que a capital representa acaba também por estar espelhada no novo álbum dos Paus. “Lisboa tem vindo a ser um ponto de chegada de quem vem de fora, e acaba por ser um ponto de encontro de uma série de culturas diferentes. Isso acabou por nos influenciar na estética e na música que ouvimos”, reitera o baterista. Daí, como fazem questão de referir no booklet, serem “demasiado brancos para serem do sul, demasiado pretos para serem do norte".

Os Paus são, cada vez mais, uma mistura de tudo isto. O resultado de uma panóplia de influências, que ao quarto disco homenageia a Madeira com um tropicalismo que é também reflexo da multiculturalidade lisboeta.

Notícias ao MinutoCapa de 'Madeira'. Novo disco está à venda desde 6 de abril

Lista de músicas:

  1. Blusão de Ganza I
  2. Madeira
  3. L123
  4. Sebo na Estrada
  5. 970 Espadas
  6. Blusão de Ganza II
  7. A Mutante
  8. Faca Cega
  9. Olhar de Rojo

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