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Um livro e vinte anos de teatro dos Artistas Unidos em fotografia

O encenador Jorge Silva Melo e a atriz Maria João Luís apresentam, na segunda-feira, o livro 'Jorge Gonçalves, fotografias. 20 anos de trabalhos', na biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa, informaram hoje os Artistas Unidos.

Um livro e vinte anos de teatro dos Artistas Unidos em fotografia
Notícias ao Minuto

09:55 - 22/03/18 por Lusa

Cultura Imprensa Nacional

Dado à estampa pelo Artistas Unidos e pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, o livro é lançado na véspera do Dia Mundial do Teatro e reúne trabalhos realizados por Jorge Gonçalves, ao longo de 20 anos.

"Foi, faz agora vinte anos. Nem sei se foi alguém que mo recomendou, se foi por eu já ter visto as suas belíssimas fotografias de Vera Mantero ou de João Fiadeiro, não sei. Sei que, uma tarde nos finais de junho de 1998, o Jorge Gonçalves nos apareceu, nos Recreios da Amadora, num ensaio quase final de 'Aos que Nascerem Depois de Nós', um espetáculo que dirigi com canções de Bertolt Brecht", escreve Jorge Silva Melo sobre o seu primeiro encontro com o fotógrafo.

Nesse espetáculo, Jorge Gonçalves "fotografou, fotografou, fotografou", num tempo em que a fotografia ainda era a película, ainda se usava o preto e branco e em que os atores faziam uma volta da peça para as fotos a cores, e outra volta para as imagens a preto e branco.

"E foram deslumbrantes aquelas primeiras fotografias, deslumbrantes. Movimento, composição, relação entre atores, rostos em ação, olhos - é aquele o teatro de que gosto e, logo nessa longa primeira sessão, o Jorge Gonçalves se entendeu bem com esta nossa (barroca?) desarrumação que não deixo de dedicar ao que tanto aprendi com o Tintoretto", recorda ainda Jorge Silva Melo,

E acrescenta: "Sim, o Jorge Gonçalves gosta do desequilíbrio, da instável relação de forças, do corpo vivo dos atores, dos olhos que irradiam, do corpo em queda, do olhar furtivo, da mão que se eleva até à boca".

Desde então, Jorge Gonçalves tem andado sempre com os Artistas Unidos.

Passou do formato em película para o digital, acabou-se o preto e branco e as longas noites a revelar em casa, acabou-se esse mundo, escreve o diretor dos Artistas Unidos.

Nas palavras de Jorge Silva Melo, são "vibrantes e esplendorosos" os trabalhos que o fotógrafo faz sobre os Artistas Unidos.

"Foram vinte anos, são milhares de fotografias, quase duzentos atores, tantas peças, muitos diretores, tantas salas diferentes, grandes umas, sem recuo outras tantas, pequenas muitas delas, A Capital, o Taborda, as Mónicas, a Malaposta, o Dona Maria, o CCB, a Culturgest, a Mundet no Seixal, a Voz do Operário, o Belém-Clube, o São Luiz, Teatro Municipal de Almada, o Centro Cultural do Cartaxo, o Estrela 60, de tantos ensaios, agora o Teatro da Politécnica (mudámos mais vezes de casa do que de sapatos?), tanta sessão, tanta fotografia, tanto nome, tanto trabalho, tanto talento: vinte anos", escreve.

Ao referir que o teatro "vive mal com os registos", Jorge Silva Melo frisa que o trabalho de Jorge Gonçalves "não é, de todo, um registo".

Ele não é testemunha, inventa fotografia a partir dos ensaios, fotografia da vida que está dentro dos espetáculos, observa, sublinhando que o que Jorge Gonçalves faz é "uma outra maneira de olhar o mundo".

"É reescrita, é fotografia, chamemos-lhe arte, que foi para isto que se inventou esta palavra", acrescenta.

"Muitas vezes tem de se acrescentar luz ao desenho que Pedro Domingos [da luminotectinia] fez, e tentamos seguir-lhe as linhas mestras, quase nunca temos recuo para fotografar os sempre extraordinários cenários da Rita Lopes Alves, preso que o Jorge anda (e deve andar) à movimentação dos atores, à sua instantânea vulnerabilidade. Vemos só uma parte, sim, 'a parte pelo todo', como se diz que é a metonímia", sublinha o diretor dos Artistas Unidos.

"E não é isso mesmo a fotografia? Ou seja, a poesia", questiona-se Silva Melo, na conclusão.

Jorge Gonçalves nasceu em 1967 e, em 1992, fez o curso de fotografia geral na Escola de Tecnologias Inovação e Criação (ETIC), sob orientação de José Fabião e Daniel Blaufuks. Mais tarde frequentou os "Workshops" I e II dos "MauMaus", com orientação de Álvaro Rosendo, Daniel Blaufuks e Adriana Freire.

Em maio de 1994, em conjunto com Rui Palma, criou o Projeto 'Amnésia Dança', que continuou sozinho a partir de 1996.

É autor de trabalhos para coreógrafos, encenadores e estruturas como o Acarte/Centrop de Arte Moderna, Teagro Nacional D. Maria II, Balleteatro, Companhia de Dança Contemporânea de Évora, Madalena Victorino, Pedro Carraca, Manuel Wiborg, entre outros.

Cobriu festivais como o Danças na Cidade, Skite 94/RE.AL., V Aniversário da RE.AL. 95, Homenagens (Culturgest), Quinzenas de Dança de Almada, Mediterrâneos (Culturgest), entre outros.

Do seu currículo consta ainda a participação em exposições individuais e coletivas, participação em livros, revistas, catálogos, entre outras publicações.

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