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A fragilidade humana tem 'Banda Sonora' no Teatro S. Luiz

A fragilidade humana, do teatro e o lado trágico e efémero da vida marcam "Banda sonora", composição musical de Filipe Raposo, com texto e encenação de Ricardo Neves-Neves, que se estreia hoje, no Teatro S. Luiz, em Lisboa.

A fragilidade humana tem 'Banda Sonora' no Teatro S. Luiz
Notícias ao Minuto

07:15 - 09/03/18 por Lusa

Cultura Peça

Com base no teatro do absurdo e no universo de filmes de terror, Ricardo Neves-Neves construiu um texto a partir da composição do pianista Filipe Raposo, para três personagens, ainda que estas sejam interpretadas por seis atrizes, pois cada uma é composta por si e pelo sem desmembramento, explicou o encenador à agência Lusa.

A peça centra-se em três raparigas -- uma de oito anos, outra de 12 e outra de 15 anos --, sendo a mais nova a mais cerebral, a mais ligada à ciência, a do meio a que está inserida num contexto social, muito ligado às regras, e, a mais velha, uma espécie de 'housewife' (dona de casa) de subúrbio dos Estados Unidos, na década de 1950.

A partir da ideia de que estas três raparigas têm uma intimidade umas com as outras, Ricardo Neves-Neves constrói uma trama sem qualquer ligação entre as personagens.

Mais do que uma ligação entre as três jovens, o autor e encenador quis evidenciar o lado trágico e efémero da vida, e mostrar a pouca importância que muitos lhe dão, mesmo que tal se deva a infantilidade ou ignorância, frisou.

A peça foi construída em dois meses, num processo criativo inverso ao que o encenador está habituado, já que o texto foi elaborado após Filipe Raposo ter composto a música.

Ricardo Neves-Neves colocou as personagens mais jovens como uma espécie de princesas da Mesopotâmia, ou seja, na antiga Síria, mais ou menos no ano 4000 a.C.

Apesar de a construção da peça ter sido fácil, pois todos os intervenientes se entendem muito bem, não deixou de ser dura, uma vez que fizeram, "em dois meses, aquilo, regra geral, leva um ano a fazer", acrescentou o também diretor do Teatro do Elétrico.

A ação passa-se numa floresta, onde existe uma zona sobrenatural e onde a determinada altura as jovens dançam com as árvores.

No final, quando o drama está prestes a atingir uma "zona de morte", eis que as árvores surgem a planar, um quadro que Neves-Neves explica como uma demonstração do "poder que a natureza exerce sobre o ser humano".

O cenário também tem esta valência simbólica da nossa própria fragilidade e de um certo bem querer que a natureza nos tem, adiantou o encenador. Ricardo Neves-Neves afirmou, porém, que não fala destas questões "com missão ecológica".

"Isto é mais um exemplo de como o mundo, nos últimos 100/150 anos mudou drasticamente, desde a revolução industrial, e como o ambiente de floresta, que era a coisa mais comum na vida de qualquer pessoa, há cerca de 100/150 anos, agora é para nós um sítio de exceção", sublinhou.

"A humanidade viveu quase sempre ligada à floresta ou à proximidade de bosques. Agora é que para nós é o sítio do desconhecido", enfatizou.

Neves-Neves fala em chamar a atenção para uma ligação que o ser humano está a perder: "O respeito pela natureza, no sentido de que habitamos um planeta, e há aqui uma coisa qualquer que já não faz parte da nossa vida", observou.

A interpretar "Banda sonora" estão seis atrizes com formação de canto: Ana Valentim, Joana Campelo, Márcia Cardoso, Rita Cruz, Sílvia Figueiredo e Tânia Alves.

A música é interpretada ao vivo pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob direção do maestro Cesário Costa. A direção vocal é de João Henriques e a sonoplastia de Sérgio Delgado.

"Banda sonora" tem cenografia de Henrique Ralhwta e figurinos de Rafaela Mapril, e vai estar em cena na sala Luís Miguel Cintra, até dia 18, com espetáculos de quarta-feira a sábado, às 21:00, e, aos domingos, às 17:30.

O espetáculo tem coprodução do S. Luiz Teatro Municipal, Teatro do Elétrico e Cine-Teatro Louletano.

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