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Retirada de fotos polémicas da ARCO pode dever-se a questão "conceptual"

O secretário de Estado da Cultura espanhol rejeitou hoje que haja presos políticos em Espanha e considerou que a retirada de fotografias sobre esse tema da feira ARCO, uma medida muito criticada, pode ter-se devido a uma questão "conceptual".

Retirada de fotos polémicas da ARCO pode dever-se a questão "conceptual"
Notícias ao Minuto

20:51 - 21/02/18 por Lusa

Cultura Governo

A galerista Helga de Alvear decidiu retirar do seu 'stand' 24 fotografias 'Presos Políticos na Espanha Contemporânea', do artista Santiago Sierra, a pedido da Ifema, o recinto de exposições onde começou hoje a feira internacional de arte ARCO, que considerou que a polémica sobre a obra "prejudica" o resto das obras.

"Não vi a obra mas tem o título de 'presos políticos', e se há fotografias de pessoas que não são presos políticos, faz pensar que conceptualmente a obra não estava ajustada e a decisão de a retira foi um critério artístico", disse Fernando Benzo, à chegada à feira de arte.

O governante sublinhou ainda que nem o Governo de Madrid nem a administração geral do Estado têm qualquer interferência na ARCO.

A série de 24 fotografias de Santiago Sierra, avaliada em 80 mil euros, consiste nas imagens, em pixel, de "detidos conhecidos", como Oriol Junqueras (ex-vice-presidente do governo catalão, detido no âmbito do processo independentista), os jovens acusados de agredir dois guardas civis em Alsasua (Navarra) ou ativistas do 15M (movimento de cidadãos que realizou uma manifestação em várias cidades espanholas a 15 de maio de 2011).

O artista Santiago Sierra (Madrid, 1966) já condenou a retirada das fotografias da ARCO e afirmou que o seu objetivo era "mostrar a evidência da existência de presos políticos na Espanha contemporânea e as condições de perseguição ideológica que vivem os trabalhadores da cultura".

A galerista Helga de Alvear desvalorizou a polémica, afirmando entender "perfeitamente" que a ARCO lhe tenha pedido que retirasse a obra de Sierra.

"Estou em casa alheia e se a Ifema não quer tê-la ali, eu tiro-a. Em minha casa ninguém me tira nada", comentou, acrescentando: "Lamento, mas não é mais que uma obra de arte".

A Câmara de Madrid, que faz parte da estrutura da Ifema, anunciou que "não partilha" do pedido de retirada das fotografias e anunciou ter pedido uma reunião urgente à direção para pedir a retificação da medida, mas os órgãos diretivos decidiram entretanto aprovar a decisão.

A nível político, a iniciativa já mereceu críticas.

O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, considerou que "não é compatível com a democracia que haja determinados temas que não se podem tocar" e apelou à liberdade de expressão.

O porta-voz da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, que apoiava o anterior governo catalão) no Congresso, Joan Tardá, denunciou hoje a "censura" cometida pela Fundação ARCO, considerando que a decisão é própria do "regime de [Recep Tayyip] Erdogan", Presidente da Turquia.

Pelo PDeCat (partido do ex-presidente do executivo catalão), o porta-voz na comissão de cultura do Congresso, Sergi Miquel, considerou uma "ingerência política" e considerou que o Estado está disposto a acabar com todas as manifestações culturais e políticas "que o incomode ou que não lhe agradem".

Também as mulheres de dois presos no âmbito do processo independentista da Catalunha, Jordi Cuixart (associação Òmnium Cultural) e Jordi Sánchez (antigo presidente da Assembleia Nacional Catalã e deputado regional pelo Junts per Catalunya) disseram ver este ato como uma "repressão e retrocesso da democracia" em Espanha.

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