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Paula Rego e a sua obra: "Sou toda eu. Não me procuro, encontro-me"

É uma das melhores pintoras contemporâneas. É mais fácil conhecer Paula Rego através das suas obras, nelas o mistério que é esta figura desvanece-se. Da ligação e do reconhecimento das suas obras em Portugal, à pintura como a grande prioridade, fique a conhecer um pouco mais de Paula Rego.

Paula Rego e a sua obra: "Sou toda eu. Não me procuro, encontro-me"
Notícias ao Minuto

08:00 - 18/02/18 por Fábio Nunes 

Cultura Entrevista

Paula Rego é um dos maiores nomes na história da pintura portuguesa. No entanto, o seu talento invulgar só parece encontrar paralelo na aura de mistério que rodeia. É mais fácil conhecer a obra do que a artista.  E é nas suas obras que podemos encontrá-la, basta saber procurar.

O Notícias ao Minuto falou com Paula Rego e ficou a conhecer um pouco mais da pintora e da mulher, duas facetas indissociáveis. A pintura é parte integral e fundamental da vida de Paula Rego. Está permanentemente presente e surge em primeiro lugar.

Mas o percurso não foi fácil. A jovem Paula Rego cresceu no Portugal do Estado Novo, no qual as mulheres tinham um papel secundário na sociedade. O lar e a família eram as suas dimensões. Paula Rego foi criada e educada no seio de uma família de classe média alta. O pai, José Figueiroa Rego, foi uma pessoa inspiradora e que assumiu um papel importante na vida de Paula. Aos 17 anos convenceu-a a ir estudar para Inglaterra. Dizia-lhe que Portugal não era um “país para mulheres”.

Paula Rego deixou assim para trás uma sociedade fechada e rumou à capital inglesa, Londres, para estudar na Slade School of Fine Art. As diferenças entre as duas realidades faziam-se notar. “Adorei chegar a Londres porque via as luzes. Era uma sociedade totalmente diferente da vida no Estoril nos anos 50. Muito mais liberdade enquanto em Portugal havia a ditadura, não se podia falar abertamente”.

Em Inglaterra também encontrou mais espaço para libertar a sua criatividade tão particular, como reconhece. “A minha criatividade vai contra as regras apesar de em Inglaterra não ser preciso”.

Foi na Slade School of Fine Art que Paula conheceu Victor Willing, com quem viria a casar mais tarde e com o qual teve três filhos. O artista inglês incentivou-a na pintura.

“Foi o meu mais importante conselheiro. Éramos muito diferentes. Dubuffet teve uma grande influência em mim”, revela.

Vender a primeira obra foi um marco na carreira de Paula Rego, acima de tudo por ter visto reconhecido o seu talento. “O reconhecimento da minha arte foi o mais importante porque deram conta do que eu fazia”, recorda. Mas também foi importante a nível financeiro, pois ajudou a pagar as contas, mais não seja, "foi importante para pagar ao homem do leite”.

Como se pode constatar pela sua obra, Paula Rego vai buscar muita da sua inspiração a histórias e a livros. Desde Peter Pan às obras de Eça de Queiroz, o seu escritor preferido. Questionada sobre se há alguma história que gostasse de retratar nas suas obras e que ainda não tivesse tido oportunidade, Paula Rego não hesita. “Deve haver!!!”.

Notícias ao Minuto Paula Rego admite que a pintura foi sempre a sua prioridade © Global Imagens

A artista afirma que as suas pinturas começam “por contar uma história que muitas vezes muda. O trabalho é que acaba por contar a história”. Em muitos casos é a sua própria história. É por isso que se torna mais fácil descobrir quem é Paula Rego através da sua obra. “Sou toda eu”, diz. Mas será que Paula Rego se procura nas obras que pinta? “Não procuro, encontro-me”, sublinha.

Nas poucas entrevistas que dá, Paula Rego tem-se descrito muitas vezes como uma mulher obediente, fruto da educação que teve. Mas nos universos que pinta, Paula Rego confessa que são “as obras que mandam”.

Mãe de três filhos, Nick, Victoria e Caroline Willing, Paula teve de conciliar as facetas de mãe, mulher e pintora. Uma destas facetas destacou-se. “A pintura sempre à frente mas não foi fácil”, afirma.

Paula Rego também chegou a ser professora de Pintura na Slade School, uma experiência da qual não sente saudades. “Foi muito difícil porque eu não gostava de ensinar nem sabia como. Às vezes escondia-me para não ter de dar a minha opinião aos estudantes”.

A Casa das Histórias Paula Rego, inaugurada em 2009, contribuiu para que os portugueses pudessem ficar a conhecer melhor a obra da pintora. “Foi importante para as pessoas verem o meu trabalho e também para mostrar os quadros do meu marido Victor Willing”. A artista realça ainda que o reconhecimento em Portugal não chegou tarde. “Estou muito grata à Fundação Gulbenkian que sempre me ajudou e a Portugal que reconheceu o meu trabalho antes de Inglaterra”.

No ano passado, estreou o documentário ‘Paula Rego, História e Segredos’, realizado pelo seu filho, Nick Willing. Uma oportunidade para que o público ficasse a conhecer melhor a pintora, que admite ter gostado “muitíssimo” do documentário, até porque adora ir ao cinema. Um hábito quase religioso, que lhe permite "estar noutro mundo".

Apesar de viver em Londres, Paula Rego salienta: “Portugal está na minha imaginação e na memória”.

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