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'O céu é um grande espaço' em Serralves, com retrospetiva de Marisa Merz

A exposição 'O céu é um grande espaço', que funciona como retrospetiva da obra da pintora e escultora italiana Marisa Merz, um dos nomes da 'Arte Povera', estará patente a partir de 19 de janeiro em Serralves.

'O céu é um grande espaço' em Serralves, com retrospetiva de Marisa Merz
Notícias ao Minuto

11:30 - 12/01/18 por Lusa

Cultura Artista

Patente até 22 de abril no Museu de Serralves, a exposição, que será inaugurada a 19 de janeiro e abre ao público no dia 20, chega à Europa e ao Porto no âmbito de uma colaboração entre Serralves, o Museum der Moderne, em Salzburgo, na Áustria, e a Fondazione Merz, em Itália.

As duas instituições chegaram a acordo com os norte-americanos Hammer Museum, de Los Angeles, e o Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, que organizaram a exposição, para a sua apresentação.

A mostra atravessa cinco décadas de obras da artista, nascida em 1926, desde os primeiros trabalhos no âmbito do movimento 'Arte Povera' até aos trabalhos de retrato dos anos 1980 e 1990 e às instalações artísticas, entre escultura, pintura e outros trabalhos gráficos.

Como única representante feminina da 'Arte Povera', Marisa ficou associada ao marido, Mario Merz, também ele um elemento proeminente do movimento, mas depois da morte do pintor e escultor, em 2003, as suas obras têm recebido mais atenção.

Com a sua origem nos anos 1960, sobretudo na cidade italiana de Turim, a 'Arte Povera', termo cunhado pelo crítico Germano Celant, surgiu como movimento de vanguarda que rejeitava o minimalismo e a 'pop art' norte-americana, bem como os materiais ricos, para se focar em matéria-prima "humilde", desde rochas, ramos de árvores e roupas usadas, a corda ou detritos industriais.

Um momento marcante no início do movimento, de que fizeram parte, além dos Merz, também nomes como Emilio Prini, Giovanni Anselmo ou Enrico Castellani, foi uma exposição em 1967, em Génova, na qual cerca de uma dúzia de artistas criaram esculturas abstratas e de grandes dimensões, a partir destes materiais.

Um dos destaques da mostra é também a sua peça mais antiga, "Living Sculpture", iniciada em 1966, um "emaranhado de alumínio modelado, pendurado do teto, que combina arestas metálicas com contornos suaves e biomórficos", explica a apresentação da exposição.

A peça, de grandes dimensões, esteve exposta no ano seguinte em Turim, e foi ainda utilizada num filme experimental de terror, "The Green Room", criado por amigos da artista, na qual 'devorava' atores.

Além do trabalho escultórico com os chamados 'materiais pobres', que se torna cada vez mais complexo com o passar dos anos, além de ter sido utilizado frequentemente nas 'performances' de Mario Merz, a mostra também inclui o trabalho de retrato, desenvolvido a partir de 1975, quando Marisa começou "a esculpir uma série de pequenas cabeças, muitas vezes modeladas em barro não cozido".

Nos últimos anos, a italiana voltou-se para as instalações, aumentando a complexidade e as dimensões de cada peça, com uma aproximação a trabalhos multimédia e à própria obra gráfica e pintura.

"A obra de Marisa Merz existe na interseção entre a arte e a vida que se tornou tão central à prática contemporânea", considerou a curadora da exposição, Connie Butler, citada em comunicado.

A norte-americana, curadora-chefe do Hammer Museum, vê um lado "profundamente pessoal" no corpo da obra de Merz, não só como "resposta à sua própria experiência, como à história da arte e à atmosfera contemporânea de Turim e da Itália do pós-guerra".

Além da vida quotidiana e doméstica, refletida nas instalações que utilizam agulhas de tricô, fio de cobre ou taças de água, principalmente depois do nascimento da filha, também a tradição italiana de utilização de vários materiais na mesma obra, e elementos de colagem, revelam-se na exposição retrospetiva.

Entre as obras recentes, nota para uma série de "grandes pinturas de anjos alados, que contrastam a impressionante beleza com uma surpreendente ausência de sentimentalismo".

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