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Andanças com "lotação esgotada" em Castelo de Vide, após incêndio de 2016

A organização do festival Andanças fez hoje um balanço "positivo" da edição deste ano do certame, que termina esta noite em Castelo de Vide (Portalegre), com um formato mais reduzido, mas com "lotação esgotada".

Andanças com "lotação esgotada" em Castelo de Vide, após incêndio de 2016
Notícias ao Minuto

16:35 - 11/08/17 por Lusa

Cultura Festival

Promovido pela Pédexumbo - Associação para a Promoção da Música e Dança, o festival foi realizado nos últimos anos nas margens da albufeira de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, tendo sido transferido este ano para a periferia da vila após o incêndio, em 2016, que destruiu mais de 400 viaturas.

"O festival correu muito bem. Foi um modelo novo, por estarmos dentro da vila em quatro dias, mas as bases foram as mesmas e tivemos bilheteira esgotada", disse hoje à agência Lusa a responsável pela coordenação artística e gestão de projetos da Pédexumbo, Marta Guerreiro.

Com um modelo mais reduzido, este ano, tanto em número de dias, como de entradas, a organização do festival, que abriu na terça-feira, indicou que a lotação diária chegou às "1.750 pessoas", número diferente das anteriores edições, em que chegava a atingir "mais de cinco mil entradas" diárias.

Questionada sobre se o festival vai voltar em 2018 à vila de Castelo de Vide, Marta Guerreiro disse que "ainda não foi feito um pensamento, uma reflexão" sobre o futuro.

"O espaço tem potencialidade [na vila de Castelo de Vide] para acolher o festival, mas se se mantiver, ao nível de lotação, acho que não há muito por onde crescer. Se permanecer aqui é porque o pensamento da Pédexumbo será de continuar a ter um festival mais reduzido, voltar um pouco ao que era o Andanças há uns anos atrás, um festival muito familiar", disse.

Lembrando que o Andanças foi realizado durante muitos anos numa zona não urbana, Marta Guerreiro assinalou que a albufeira de Póvoa e Meadas "continua a ser um cenário muito apetecível" para este género de iniciativas.

"Podemos até voltar à barragem e queremos que seja um festival também com redução de público, mas ainda não há essa reflexão", acrescentou.

A organização do Andanças considerou, contudo, que a edição deste ano trouxe "ganhos" na relação com a comunidade e na programação que foi "forte", com principal destaque para as atividades locais.

Quanto aos danos do incêndio de 2016, o advogado Pedro Proença, representante de 69 lesados, disse à Lusa que já foram recolhidos os comprovativos de pagamento da taxa de justiça de cada um deles e que estão a ser ultimados os pormenores para interpor, "ainda este mês", uma ação em tribunal contra a organização do evento e município de Castelo de Vide.

De acordo com o advogado, a ação pretende reivindicar indemnizações de cerca de 800 mil euros por danos patrimoniais e cerca de 600 mil por danos morais.

O Ministério Público (MP) anunciou a 02 de fevereiro deste ano o arquivamento do inquérito ao incêndio que ocorreu a meio da tarde do dia 03 de agosto de 2016, pouco antes das 15:00, tendo as chamas atingido total ou parcialmente 458 viaturas num dos parques de estacionamento nas imediações do festival.

O despacho final do MP concluiu que, "realizadas todas as diligências, não foi possível apurar quaisquer indícios que permitissem concluir que o fogo tivesse sido ateado de forma deliberada ou intencional".

O Andanças é um festival onde o público deixa a típica postura de espetador para assumir um papel ativo, participando nas oficinas e atividades que preenchem cada dia.

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