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Museu do Carmo recebe uma comédia com função crítica chamada 'Ubu rei'

O Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, recebe hoje a estreia de 'Ubu rei', uma "alta comédia, com uma função crítica", nas palavras do encenador António Pires.

Museu do Carmo recebe uma comédia com função crítica chamada 'Ubu rei'
Notícias ao Minuto

06:40 - 03/08/17 por Lusa

Cultura Lisboa

Uma peça que o encenador escolheu por considerar que se coaduna muito bem com o museu, "um espaço fragmentário que tem muito a ver com o movimento artístico de que este texto do dramaturgo francês Alfred Jarry [1873-1907] é precursor", mas também porque lhe permitiu "fazer a caricatura de um ditador", explicou António Pires à agência Lusa, na semana antes da estreia.

Quando escolheu fazer "Ubu rei", António Pires nunca pensou que seria uma peça "tão atual, tão pertinente, na comparação com o que se passa no mundo".

"Com [Donald] Trump, por exemplo, ou com outros ditadores que neste momento estão a aparecer cada vez mais, ou, se existiam, pelo menos agora estão mais nítidos, mais sem vergonha e a fazerem as coisas como o rei Ubu", referiu António Pires, sublinhando ter escolhido a peça ainda antes da eleição do atual presidente dos Estados Unidos da América, em novembro de 2016.

A escolha passou antes por caricaturar uma pessoa com poder, "que ganha o poder por um truque, por um golpe de esperteza, digamos assim, e que, depois, quando chega ao poder, começa por matar os nobres, depois mata as pessoas das finanças e depois mata os juízes, e depois passa ele a fazer as leis. Até que chega ao povo que o elegeu e acaba por cobrar tanto imposto ao povo que há uma revolta", sublinhou.

No entanto, o encenador, que é também um dos diretores do Teatro do Bairro, advertiu que não é apenas o ditador que lidera os EUA que o público pode rever na peça.

"O Trump é o mais direto, mas há outros", adiantou, escusando-se, todavia, a enunciá-los, preferindo que seja o espectador a descobri-los.

A peça gira em torno do rei Ubu, do modo como este assassina o rei Venceslau para usurpar o trono da Polónia e na figura monstruosa em que se torna, num texto em que o autor francês pretendeu expor o nível de crueldade e desumanidade e que o ser humano pode chegar a partir de uma mera situação de poder.

Com um elenco de 15 atores, a peça que vai estar em cena no Museu Arqueológico do Carmo, até 20 de agosto, com espetáculos de terça-feira a domingo, às 21h30, baseia-se na versão e tradução de Luís Lima e Alexandre O´Neill.

Encenar no Museu Arqueológico do Carmo, ao abrigo de um protocolo entre este organismo e o Teatro do Bairro (uma peça por ano no verão), é também uma forma de o encenador explorar novos espaços, observou.

A interpretação é de Alexandra Rosa, João Barbosa, Mário Sousa e Rafael Fonseca, juntamente com Filipa Louceiro, Joana Flora, João Redondo, Mafalda Berenguer, Margarida Alves de Brito, Maria Vitorino, Mariana Branco de Sousa, Miguel Carvalho Pinto, Renato Terêso, Rita Ramos Mendes e Vera Moura, da Act School.

A conceção cenográfica é de António Pires e do produtor Alexandre Oliveira (codiretor do Teatro do Bairro), o figurino de Dino Alves, a caracterização e direção de produção de Ivan Coletti, o desenho de luz de Rita Louzeiro, a banda sonora de Paulo Abelho, o movimento de Paula Careto e a ilustração de Joana Villaverde.

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