'Os últimos dias da humanidade' em cena a partir de hoje no D. Maria II

A plateia do Teatro Nacional D. Maria II, foi tapada para acolher a peça "Os Últimos Dias da Humanidade", que hoje chega a Lisboa, um "monstro" da autoria de Karl Kraus, como a classificou o encenador Nuno M. Cardoso.

© Wikimedia Commons
Cultura Lisboa

A opção replica a encenação original, estreada em outubro no Teatro Nacional São João, no Porto, que colocou o público em torno o palco, para seguir o texto que o austríaco Karl Kraus começou a escrever em 1915, um ano depois do início da Primeira Guerra Mundial, e que o próprio autor admitia ser difícil vir a ser encenado, exceto num "teatro do planeta Marte", e mesmo aí em dez serões.

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A peça é descrita por Nuno M. Cardoso, que a encena com Nuno Carinhas, como uma "obra-prima da dramaturgia do século XX".

Após um ensaio, no início desta semana, com uma das três partes em que se reparte a peça, Cardoso disse aos jornalistas presentes tratar-se de uma obra "que não é para assistir, mas para o público se envolver", justificando assim o facto de parte da plateia do teatro ter sido coberta para dar lugar à representação.

Com um elenco de 21 atores, que se desdobram em quase 200 personagens - exceto António Durães, que interpreta o Eterno Descontente ao longo de todo o texto e que é considerado o alter-ego de Kraus - a encenação de 'Os últimos dias da humanidade' distribui-se por três espetáculos, de cerca de duas horas cada, estando em cena de 12 a 22 de janeiro, em Lisboa, com três récitas de cada parte.

Segundo o encenador, "Os últimos dias da humanidade" são uma "gigantesca colagem" e uma peça documental, muito baseada nas reportagens de guerra que a jornalista Alice Schalek, que também é personagem do drama, escreveu.

"É óbvio que esta peça também surge enquadrada no centenário da I Guerra Mundial, tanto assim que a União dos Teatros da Europa está a pensar levar o nosso trabalho ao estrangeiro, mas não foi por isso que a fizemos", disse o encenador. "Fizemo-la sim, porque, além de Kraus ser um precursor do teatro [da atualidade] é um autor incontornável".

"Além disso, este texto é fundamental, porque nos mostra que, passado um século, a humanidade não aprendeu com os erros que cometeu no passado, continuando a cometê-los no presente", frisou.

Dividida em três atos - 'Esta grande época', 'Guerra é guerra' e 'A última noite' -, com prólogo e epílogo, "Os últimos dias da humanidade" discorrem sobre vários acontecimentos, incluindo o homicídio do imperador Francisco Fernando da Áustria, num atentado em Sarajevo, em junho de 1914, que acabaria por se revelar fator chave na origem da guerra.

Construída a partir de figurais reais, a peça tem música de Jonathan Saldanha e vídeo de Pedro Filipe Marques.

No sábado, será lançada em Lisboa a versão integral da obra, traduzida por António Sousa Ribeiro, uma edição com chancela do Teatro Nacional de S. João/Húmus.

Em 2003, foi publicada a primeira edição portuguesa, uma seleção de 115 cenas das 209 que constituem o texto original, pela editora Antígona.

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