'As cartas do rei Artur', sobre Cruzeiro Seixas, estreia-se em janeiro

O documentário 'As cartas do rei Artur', de Cláudia Rita Oliveira, sobre o artista plástico Artur do Cruzeiro Seixas, terá estreia comercial nos cinemas a 05 de janeiro, revelou hoje a produtora.

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Cultura Filme

Antes de chegar às salas, o filme terá uma sessão especial no próximo sábado na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, assinalando o dia em que Cruzeiro Seixas celebra 96 anos. O artista visual estará presente na sessão.

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"Cruzeiro Seixas - As cartas do rei Artur", debruça-se sobre a vida do artista visual e sobre a relação com o poeta Mário Cesariny e valeu a Cláudia Rita Oliveira o prémio do público do festival DocLisboa, em outubro passado.

Em declarações à agência Lusa, a realizadora contou que 'As cartas do rei Artur' começou por ser um projeto de documentário sobre Artur do Cruzeiro Seixas, um dos últimos sobreviventes do surrealismo português.

A realizadora foi fazendo entrevistas espaçadas a Cruzeiro Seixas e filmando os cadernos de anotações e desenhos do autor, depositados em Vila Nova de Famalicão, até que, quase no final de rodagem, se apercebeu da constante referência, quase obsessiva, a Mário Cesariny, que morreu em 2006.

Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny conheceram-se ainda nos tempos de escola e mantiveram uma relação durante várias décadas, marcada pela amizade, pela paixão e pela rutura. O filme aborda a homossexualidade de ambos, a relação de Cruzeiro Seixas com a arte, com a forma de viver de Mário Cesariny, com África, que disse ter sido o grande amor de vida.

No documentário, o surrealista mostra arrependimento por algumas atitudes do passado, sobretudo da relação desencontrada com Cesariny.

"Um dos meus suicídios foi em 1975, quando cortei relações com Cesariny", afirma no filme.

A par de excertos dos cadernos e diários e de imagens de arquivo, Cláudia Dias Silveira incluiu ainda a leitura de algumas das dezenas de cartas que Mário Cesariny escreveu a Cruzeiro Seixas e excertos do documentário "Autografia", de Miguel Gonçalves Mendes, que se centra no poeta.

 

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