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António Rocha grava CD ao vivo sob a direção do maestro Paul van Nevel

O álbum 'Lisboa, cidade, fado', de António Rocha, é o primeiro disco a solo gravado ao vivo pelo fadista, numa produção dirigida pelo maestro Paul van Nevel, com quem trabalhou, nomeadamente no Festival Laus Polyphoniae.

António Rocha grava CD ao vivo sob a direção do maestro Paul van Nevel
Notícias ao Minuto

10:30 - 22/12/15 por Lusa

Cultura Fado

Em declarações à Lusa, o maestro belga afirmou que era seu desejo, desde "há muito tempo, conseguir captar e gravar o António Rocha no seu verdadeiro ambiente, numa casa de fados, num serão entre amigos, de quase celebração mística".

O CD foi gravado no ano passado, a 9 de novembro, à noite, nas Arcadas do Faia, ao Bairro Alto, em Lisboa, onde António Rocha canta regularmente.

"Uma gravação feita à primeira, de seguida, sem retoques em pós-produção, o mais autêntico que foi possível captar", realçou Paul van Nevel.

António Rocha, em declarações à Lusa, afirmou: "Gosto do trabalho final, mas sei que sou capaz de fazer melhor".

O álbum, apenas em distribuição internacional, é constituído por 14 temas, a maioria de autoria de António Rocha, que também é poeta, interpretados, na maior parte, em melodias tradicionais, mas também de compositores contemporâneos como Paulo Valentim e Fernando Silva.

Além dos poemas de sua autoria, António Rocha canta letras de Hélder Moutinho, António Campos e Domingos Gonçalves Costa.

Na opinião do maestro belga, António Rocha, de 77 anos, está "firmemente ancorado na cena fadista lisboeta, cuja interpretação é única".

"António Rocha, com mais de 60 anos de carreira, representa o fado tradicional, nada de confusões com um recente moderno fado, que se mistura com jazz, música pop ou blues, que é muito visto, maioritário até, fora de Portugal", prosseguiu o maestro para quem António Rocha é "a mais proeminente figura na cultura fadista, sem paralelo na Europa como guardião da tradição do Bairro Alto, absolutamente insubstituível".

Neste CD, o fadista é acompanhado à guitarra portuguesa por Fernando Silva e à viola por Paulo Ramos.

Referindo-se à sessão de gravação, Paul van Nevel sublinhou que evoca "uma atmosfera intimista, aquela que acontece no Faia quando o absoluto silêncio urge por si, quando canta António Rocha", e dai ter convidado uma "plateia de conhecedores" do género, "atentos a cada palavra que é cantada, a cada silêncio que é feito".

António Rocha, que aos 13 anos venceu o concurso do jornal Ecos de Portugal, e se estreou, profissionalmente, em 1956, "dá a cada verso o seu compasso preciso, e é um paradigma de flexibilidade tonal, mestre tanto nos trinados como nos requebros [vibrato] e nos 'pianinhos'". "Um estilista absoluto", assegurou Van Nevel.

O maestro e musicólogo, fundador do Huelgas Ensemble, especializado em música antiga, realça ainda a "grandeza humana" de António Rocha, além da sua maioridade artística, que o fazem vir, anualmente, há 30 anos a Lisboa, para ver e ouvir o fadista.

António Rocha foi eleito, em 1959, "rei do fado menor", trabalhou na rádio onde foi responsável por uma rubrica sobre fado, com Ema Pedrosa e Armando Marques Ferreira, é um dos fundadores da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, e faz parte do Gabinete de Ensaios do Museu do Fado.

Internacionalmente, participou, entre outros festivais, nos de Nantes, em França, de Gent, na Bélgica, Músicas do Mundo, em Barcelona, e no Sabadeño, na ilha espanhola de Tenerife, nas Canárias.

Sob a direção de Paul van Nevel, e com a fadista Beatriz da Conceição, falecida no passado dia 26 de novembro, António Rocha gravou o álbum 'Tears of Lisbon/Les larmes de Lisbonne' ('Lágrimas de Lisboa').

O álbum 'Lisboa, cidade, fado' sucede a "Silêncio, ternura e fado", editado pela Ovação em 2003.

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