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'Paris é uma Festa', de Hemingway, torna-se símbolo pós-ataques

O livro de memórias da Paris dos anos 1920 'Paris é uma Festa', do escritor norte-americano Ernest Hemingway, registou um aumento de vendas desde os atentados terroristas de 13 de novembro na capital francesa.

'Paris é uma Festa', de Hemingway, torna-se símbolo pós-ataques

O autor de romances tão aclamados como 'Por Quem os Sinos Dobram' e 'O Velho e o Mar' viveu em Paris enquanto jovem tentando aprimorar a sua escrita e narrando o ambiente exuberante de Paris após a Primeira Guerra Mundial.

Exemplares de 'Paris é uma Festa' têm estado a voar das prateleiras, dizem os diretores comerciais.

Edições de bolso estão a ser depositadas, juntamente com flores e velas, à frente das janelas estilhaçadas pelas balas de um dos bares da cidade atacados pelos terroristas jihadistas.

O livro pode também ser encontrado em frente da sala de espetáculos Bataclan, o epicentro do massacre da passada sexta-feira, que fez 129 mortos e mais de 350 feridos.

Na segunda-feira, durante um minuto de silêncio pelas vítimas, muitas das pessoas presentes, de cabeça baixa, tinham um exemplar do livro debaixo do braço.

A tradução francesa, "Paris est une Fête", estava hoje no primeiro lugar da lista de vendas de biografias da Amazon France e no segundo lugar na lista geral de best-sellers literários.

Normalmente, as livrarias vendem 10 exemplares desse livro de Hemnigway por semana, mas "agora, são 500", disse um porta-voz da editora Folio.

Está já prevista uma reimpressão de mais 15.000 cópias da obra, que foi postumamente publicada, em 1964.

O fenómeno recorda o pico de vendas do "Tratado sobre a Tolerância", do escritor setecentista francês Voltaire, ocorrido em janeiro deste ano, a seguir ao atentado à redação parisiense do semanário satírico francês Charlie Hebdo.

'Paris é uma Festa' pode ser lido como uma homenagem a uma vibrante cidade cultural nos anos 1920. Nela, encontramos figuras como os escritores Gertrude Stein, Ezra Pound e James Joyce.

"Paris valia sempre a pena, e recebíamos de volta o que quer que lhe tivéssemos oferecido", escreveu Hemingway no livro.

"Mas Paris era assim nos primeiros tempos, quando nós éramos muito pobres e muito felizes", acrescentou.

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