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Secretário de Estado da Cultura defende proatividade das "comunidades em transição"

O secretário de Estado da Cultura defendeu hoje no Porto que as dinâmicas e técnicas defendidas pelo 'Movimento em Transição', criado em 2006 na Inglaterra, não devem ser meros "mecanismos de ocupação de tempo ou cartazes de insatisfação".

Secretário de Estado da Cultura defende proatividade das "comunidades em transição"

O Movimento em Transição pretende ser "uma resposta comunitária, da sociedade civil, ao reconhecimento da urgência de ação sobre duas condições essenciais e com impactos estruturais a curto prazo na organização socioeconómica e nos nossos modos de vida: o início do fim dos combustíveis fósseis baratos e o impacto humano nas alterações climáticas planetárias".

"Se estamos em transição, não sabemos bem para onde vamos. Uma das possibilidades relevantes da sociedade contemporânea é a possibilidade da revolução tranquila. O trabalho da transformação numa ótica modelar, transitiva e não disruptiva. Isto não é necessariamente fácil, é difícil porque implica uma orientação para a ação, não pelo antagonismo, mas pela proatividade", disse Jorge Barreto Xavier.

O secretário de Estado da Cultura falava num seminário internacional sobre "Porto, Cidade em Transição" organizado pela Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, com o objetivo de "levantar questões, provocar ideias, despertar diálogos e partilhar saberes para criar conhecimento sobre o que é o conceito de 'Cidade em Transição'", um novo modelo de organização social com mais de 100 comunidades espalhadas atualmente pelos cinco continentes.

Para Barreto Xavier, este movimento centra os seus conceitos em "território abstrato" -- resiliência e transição -, o que, em seu entender, é "um dos vícios de alguns movimentos contemporâneos, que em vez de se imbuírem de valores substantivos imbuem-se de valores abstratos".

"Não estou a dizer que a abstração não tenha uma relevância substantiva. O que eu quero com isto dizer é que há outros valores e lembro três pilares do movimento Permacultura que são o cuidado com a terra, cuidado com as pessoas e repartir os excedentes. São valores substantivos, valores que remetem para objetivos de vida social", sustentou.

Barreto Xavier entende, por isso, que "valores como a transição ou a resiliência são dinâmicas necessárias, mas que não nos levam a uma orientação para resultados".

"É mais difícil ser proativo do que ser reativo. É um desafio essencial em termos de modelação do presente e do futuro, por isso é bom que se fale em transição e não em disrupção", disse o secretário de Estado da Cultura, lembrando "os períodos difíceis" que Portugal tem atravessado e que mostram que "não há soluções fáceis".

No período entre "2000 a 2010, a despesa pública foi muito grande e o desemprego continuou a aumentar, demonstrando que aquela ideia de quanto mais despesa mais emprego não é verdadeira. Depois chegamos ao período de 2011-2014, há redução da despesa, mas o desemprego também continuou a aumentar. Demonstrando também que não é fácil por via da contenção encontrar soluções a esse nível", disse.

E acrescentou: "Ou seja, não há hoje respostas fáceis a estas matérias, o encontrar alternativas é essencial e, por isso, nesta dúvida do caminho, este tipo de propostas fazem todo o sentido".

Em simultâneo ao seminário decorreram oficinas de partilha daquilo que já foi desenvolvido pelas Iniciativas de Transição de todo o país. Foram abordadas, entre outras, temáticas como a REconomia, a Economia da Dádiva e o Desenvolvimento Local, como encorajar jovens adultos a encontrar o seu papel na economia local, a Transição "interior" ou a Transição em Contexto Profissional.

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