O espetáculo é a versão portuguesa de 'Prima Facie', da dramaturga, advogada e argumentista australiana Suzie Miller e centra-se em Teresa, uma jovem advogada, que, a determinada altura da vida, é vítima de violência.
A dada altura do monólogo, estreado em julho de 2024 e reposto em janeiro de 2025, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, Teresa, a personagem interpretada por Margarida Vila-Nova, lembra que "uma em cada três mulheres é agredida, quer seja violência física, psicológica, sexual".
Enquanto vítima, Teresa está determinada a recorrer à justiça, confrontando-se com a necessidade de "contar e recontar várias vezes o trauma por que passou".
"É preciso muita resistência, muita resiliência, muita coragem, uma humildade muito grande para mergulhar nestas palavras todas da Suzie Miller, e trazer à cena com a maior dignidade um tema que é tão delicado e tão importante de ser discutido", referiu Margarida Vila-Nova, em declarações à agência Lusa após um ensaio aberto à imprensa, quando da estreia da peça no Maria Matos.
A peça surgira na vida de Margarida Vila-Nova quando assistiu à peça em Londres e se deparou "com um tema que a inquieta" e "está na ordem do dia", considerando, por isso, "importante discutir e levar a cena".
"Porque acredito também que o Teatro tem essa capacidade de despertar consciências, ou pelo menos de provocar a discussão, o diálogo", referiu, acrescentando que, para encenar o espetáculo escolheu Tiago Guedes, que contou à Lusa na mesma altura que andava com vontade de voltar a encenar, pelo que o convite surgira "no momento certo".
"Há uma coisa que me atraiu logo muito, que tem que ver com as 'nuances' do abuso. O que é ou o que não é o abuso, principalmente dentro de uma relação. Acho que é um assunto muito sério e é um assunto pouco falado, ou pouco aprofundado - é sempre muito difícil falar dele, porque acontece na intimidade e é a palavra de um contra o outro", partilhou com a Lusa.
Com tradução de Ana Sampaio, 'À Primeira Vista' tem cenário de Catarina Amaro, desenho de luz de Nuno Meira, sonoplastia de Carincur e figurinos de Rita Alves. Na assistência de encenação está Luís Araújo.
No dia 20 de setembro, a peça chegará ao palco do Teatro Municipal de Portimão, e, dois dias depois, voltará para nova temporada no Maria Matos, que terminará em 09 de dezembro.
No Teatro Sá da Bandeira terá nove récitas, à sexta-feira, ao sábado e ao domingo.
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